Carolla Parmejano concorre ao “Oscar da dublagem” no Society of Voice and Arts of Science

A paulistana Carolla Parmejano já sonhava em ser atriz. desde seus 8 anos e colocando o sonho em prática, formou-se em Artes Cênicas e Cinema no renomado Teatro Escola Macunaíma, em São Paulo, aos 13 anos. O amor pela arte só aumentou, junto com a vontade de ganhar o mundo. Canadá, Milão e Estados Unidos entraram em seu passaporte e em seu currículo, com inúmeras escolas de arte e experiências profissionais, que a fizeram, além de atriz, modelo e dubladora.

Hoje, após 15 anos morando nos Estados Unidos, ela comemora a atuação no filme brasileiro “Solteira Quase Surtando” e o auge do reconhecimento em dublagem, concorrendo ao prêmio de Dubladora Internacional no Society of Voice and Arts of Science.

Olá tudo bem? Você está concorrendo ao Society of Voice and Arts of Science, uma espécie de “Oscar da Dublagem” com a personagem Dra. Cho na animação “Dead Space After Math”. Qual é a sensação disso para você e quais são suas expectativas para o resultado?

Carolla:  A melhor sensação do mundo. Além de ser a única brasileira, estou muito orgulhosa do meu talento, dedicação, carinho e muito confiante que posso ganhar. O SOVAS é um prêmio muito importante na carreira do artista que usa o instrumento VOZ. Por muitos anos a carreira foi escondida, sem prêmios e sem visibilidade, hoje estou contente. Toda vez que falo neste prêmio tenho arrepios, muito feliz e agradecida. VAMOS GANHAR!

O que a fez decidir seguir a área artística?

Carolla: Está pergunta é muito complicada de responder. A arte é mágica, bonita, diferente.. Ter o talento de representar um personagem é um sentimento único, de dentro, vem da alma. Sempre apreciei talentos da arte e vou contar que já tentei muitas outras profissões, mas meu coração nunca deixou de querer atuar.

Para os leitores que não conhece, conte um pouco, quem é Carolla Parmejano?

Carolla: Carolla é uma mulher poderosa, cheia de vida, com sonhos, metas, carinhosa, amiga, tem uma lealdade infinita. Do signo de Gêmeos, muito falante, sempre feliz, que foi rejeitada por ser de um corpo fora do padrão pelo seu próprio país. Com força, garra, amor, e muita perseverança, hoje Carolla pode viver de seu trabalho, sua profissão. Paulistana, viveu no Canadá um tempo e hoje luta para levar o talento brasileiro para outras fronteiras. Com a vida cheia de metas, posso garantir a cada um de vocês leitores, que a escola chamada VIDA não é fácil, mas podemos criar e construir tudo aquilo que está dentro de nós.

Com o filme “Solteira quase surtando”, quem você interpreta e quais são as razões para que o público se interesse em assistir o longa?

Carolla: Sou a Tati, uma das amigas da Bia. Estou na boate, e atrás de um marido também. Uma comédia verdadeiramente certa. Acho que todas as mulheres do Brasil se identifica com essa comédia. Super engraçada, não tem como sair de lá sem um plano pra conseguir um marido. Podem assistir que vocês vão se divertir – E Muito.

Vivenciando um ano tão difícil como 2020, quais são suas palavras positivas para o final do ano e início de 2021?

Carolla: Este ano realmente foi difícil. E não só difícil como um nível de aprendizado que todos tivemos. Aqui, pelo menos na Califórnia, quando aconteceu o lockdown, as famílias estavam enlouquecendo. Foi interessante ver o mundo parar e olhar dentro de suas casas, com seus parceiros e filhos, e ser obrigado a dar aquele tempo inesperado para eles. O ano de 2020 foi uma escola para todos, para aprendermos a dar valor onde geralmente esquecemos. Temos sempre a escolha de poder ser negativos e positivos. Colocando de lado o desastre que o vírus fez, acho que foi um ano de muitas realizações, valor e respeito por este lugar tão imenso e maravilhoso que vivemos: A Terra!

Existe algum plano para o futuro que possa compartilhar com a gente?

Carolla: Tenho um roteiro maravilhoso já nas minhas mãos. Brasileiro! Estamos vendo até quando os turistas poderão entrar nos Estados Unidos, se tudo sair certinho, rodamos cenas deste filme aqui em Los Angeles. E tem dois projetos lindos que acabei de terminar e ainda não pode ser divulgado. Mas vem muita coisa boa por aí.

Quais são suas maiores inspirações de vida e carreira?

Carolla: Minha família! Uma das minhas maiores inspirações. Minha mãe, uma mulher muito forte que sempre me ensinou a lutar e não desistir. Por mais dura e resistente com a minha carreira de ser atriz, ela sempre esteve comigo nas horas difíceis e nunca virou as costas quando mais precisava. Meu Pai, um homem humilde e infinitamente amável, também sempre mostrando o poder de ser leal, amoroso e fazer tudo com responsabilidade. Minha família me dá esse gás para seguir adiante e também poder ter uma VOZ, poder mostrar às mulheres que SIM, podemos correr atrás de nossos sonhos.

Você é um exemplo de superação onde foi babá em um outro país antes de virar atriz, venceu a obesidade, superou o bullying. Com isso, deixe uma mensagem para o público que se inspira em você.

Carolla: Sempre escute seu coração. Sei que é muito difícil deixar tudo por um sonho ou uma meta maior, mas é muito mais depressivo e triste fazer aquilo que não gostamos ou não estamos felizes de fazer. Não importa o tempo, o caminho, o trajeto, sempre olhe pra frente e siga com o seu próprio objetivo. Todas as pedras negativas que atiram no nosso caminho, são pedras de força que precisamos para chegar onde temos que chegar. Não desista!

Angélica Santos: Conheça um pouco mais sobre a dubladora que se destaca dando voz ao “quelido” Cebolinha

Arquivo pessoal

Maria Angélica Santos Cruz, conhecida como Angélica Santos é atriz, narradora, dubladora e diretora de dublagem. Um dos trabalhos de mais destaques da artista é dar a voz ao Cebolinha em Turma da Mônica.

Além do ‘quelidinho do Blasil‘, Angélica também dubla: Oolong de Dragon Ball; Sonya Blade de Mortal Kombat X e Mortal Kombat 11; Kate Austen na série Lost; Cinderela em Para Sempre Cinderela; Batatinha em Os Batutinhas; Jade em Violetta; Hope van Dyne / Vespa em Homem-Formiga e a Vespa; Charlotte Richards em Lúcifer; entre outros. Confira a entrevista:

Olá, Angélica, tudo bem? Primeiramente, conte ao público um pouco do seu início como atriz narradora, dubladora e diretora de dublagem. 

Angélica: Tudo bem! Obrigada pelo convite! Eu era bailarina, porque comecei o ballet bem novinha e aí quando estava na adolescência, pintou um teste para fazer parte do teatro da Turma da Mônica, vestindo aqueles bonecos. Fiz o teste para o papel da Mônica e acabei passando. Uns dois meses depois surgiu outro teste para fazer a voz dos personagens. Já haviam existido outros elencos e o último que estava na ativa era composto por um grupo de cantoras – as Harmony Cats – onde a  Maria Amélia (Maria Amélia Costa Manso Basile)  fazia a Mônica, Vivian (Vivian Domingues Castilho de Toledo Costa Manso) interpretava a Magali, Isaura Gomes, que é uma dubladora bem antiga era a voz do Cascão, e Ivete Jaime o Cebolinha. Mas a agenda delas era muito difícil pela fama que tinham na época. Foi quando o Maurício (Maurício de Sousa) decidiu fazer um novo teste para as vozes.
Fiz o teste para MAGALI, só que quando saiu o resultado, pra minha surpresa, peguei o CEBOLINHA (Risos). Então a minha carreira começou há 37 anos com o Cebolinha. Permaneci no teatro, continuei com o ballet mais algum tempo, mas a dublagem ganhava cada vez mais espaço na minha vida e percebi que tinha me encontrado. Cinco anos depois de assumir o Cebolinha me tornei diretora de dublagem na Maurício de Sousa Produções e mais pra frente no Estúdio Álamo. Lá (na Álamo), eu cheguei a ser coordenadora, mas também tive a oportunidade de passar por muitas casas (estúdios).

Você é a dubladora do Cebolinha da Turma da Mônica. Como é dar voz a este personagem há tantos anos? Como é a recepção das pessoas quando “descobrem” que é uma mulher dando a voz a ele?

Angélica: Pois é. No começo, fiquei meio assustada (risos). Agora, já se tornou uma coisa mais normal, já são tantos anos, né? Mas curto demais fazer. É um personagem que tenho um carinho absurdo. E a recepção é ótima! Eu nunca tive uma recepção negativa. Já escutei ‘Pô! Acabou com a minha infância’ (risos), mas também escutava na sequência: ‘Mas Pô! Que legal!’. Também já ouvi alguns ‘Não acredito!’. As reações são sempre muito boas. Principalmente quando descobrem que é uma mulher. 

Arquivo pessoal

O que a dublagem significa para você?

Angélica: A dublagem pra mim é tudo, né? É a minha vida! Estou mais tempo dublando do que em casa com a minha família. Então é tudo pra mim, é onde me divirto, é onde ganho o meu dinheiro fazendo o que amo (que isso é muito bom!) e desejo a todas as pessoas, sabe? Porque assim você não tem aquela sensação de ‘aff amanhã é segunda-feira’. Não tem essa! Penso ‘Amanhã é segunda-feira e eu vou trabalhar! Aleluia!’ Eu amo! Amo! A dublagem é mesmo a minha vida!

 Como foi o início da quarentena e como tem sido atualmente para você?

Angélica: No início, ficamos dois meses sem trabalhar. Porque ir para o estúdio era uma grande possibilidade de pegar o vírus. Os locais são fechados, com ar condicionado e não podemos usar máscara. O risco era alto. Então, estou em casa há seis meses quase. No começo foi difícil e aí piorou (risos). Agora, depois que comecei a trabalhar de novo, me sinto muito mais útil! Ainda não consegui retomar as gravações presencialmente e na minha casa, dois dos meus três filhos são do grupo de risco, ou seja, de jeito nenhum eu poderia me expor. Fiquei realmente presa. Mas hoje estou mais tranquila, ainda não retomei minhas atividades como antes, e sigo na torcida que saia uma vacina logo! Né? (Risos).

Dando voz a personagens como Vespa, Charlotte Richards, Sonya Blade, Pérola, Cebolinha, entre outros. Existe algum que você considere o mais especial? Existe algum que você não deu voz, mas aceitaria na hora fazer?

Angélica: Olha, é estranho falar em um que considere mais especial, pois todos são. O Cebolinha desde sempre. Um outro personagem que amei fazer e foi muito importante para mim era o Kevin, da série ANOS INCRÍVEIS. Eu adorava fazer essa série maravilhosa. E também tem muito de sentir uma conexão com aquele que você está fazendo no momento. Você colocou outros como a VESPA da Marvel, que é um marco na história do cinema mundial e ela tem todo um contexto de empoderamento e incentivo as mulheres para se unirem na luta contra o mal (risos). Já fiz tanta coisa que é muito difícil falar. São vários, vários! As séries que mais curti fazer, muitas de comédia, como a Santa Clarita Diet onde dublo a Drew Barrymore, ou a Crazy Ex-Girlfriend me divertem! Agora, algo que ainda não fiz e aceitaria na hora é um desenho para cinema da Disney. É meu sonho! Nunca fiz nenhum desenho pra Disney e aceitaria sem pensar!

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Já teve algum personagem que você sentiu que poderia ter ido melhor depois de assistir ?

Angélica: Já teve sim, mas era em uma situação onde eu não estava num dia bom. Ou as vezes o diretor te prende um pouco, mas a gente vai levando. Então existem ocasiões que você sente que poderia ter sido melhor. O jeito é seguir em frente e não deixar aquilo te dominar para fazer um bom trabalho no próximo personagem ou na próxima gravação.

Dando voz a Drew Barrymore na maioria dos filmes/séries, como é para você dublar essa atriz que é tão querida?

Angélica: Eu adoro ela! E acho que a minha voz cai super bem nela. Entre os filmes que ela estrelou e eu dublei, lembro sempre do Nunca Fui Beijada (um que adoro), Para Sempre Cinderela, enfim. Nesse último trabalho que fiz (Santa Clarita Diet), que é uma série, recomendo muito, dei muita risada, mesmo não sendo fã de zumbis. Mas um zumbi comédia, tudo bem, né? (risos). Eu acho que ela é incrível!

O que é ser uma diretora de dublagem? Quais trabalhos já dirigiu?

Angélica: Ser diretora de dublagem é uma coisa muito séria. Porque o filme já tem um diretor que estipulou como ele queria. Então, é preciso efetuar um trabalho sintonizado como aquele diretor e com tudo que ele desenvolveu para aquela produção. É preciso ser fiel a tudo que ele aplicou e fazer a obra-prima da obra-prima. Também significa assistir o filme, escalar as vozes certas para cada personagem e estipular os prazos para cada um do elenco realizar suas gravações sempre os acompanhando. Além disso, é preciso dar todas as coordenadas da interpretação, sincronia, do entendimento que você teve do filme e etc.

É um trabalho gigante, mas maravilhoso. Você vai colocando as pecinhas, cada dublador vai enriquecendo com a sua voz e aquele filme vai ganhando corpo. Eu fico encantada com o resultado final do filme. Dá uma satisfação imensa. Os trabalhos que já dirigi, vou lembrar dos últimos, até alguns antigos como ARRASTE-ME PARA O INFERNO, UGLY BETTY (americana). Recente tem o NOS4A2 e uma que não saiu ainda, então não posso falar! (Risos). São muitos trabalhos, mas a cabeça de dublador tem uma memória curtinha (risos).

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Deixe uma mensagem. 

Angélica: A mensagem que deixo é a seguinte: A dublagem tem um papel essencial para muitos indivíduos. Pessoas cegas têm a possibilidade de vivenciar aquela experiência e sentir as emoções conduzidas pela nossa voz. Aos idosos, nada melhor que uma produção dublada para que possam assistir e ter mais entretenimento. Naqueles dias que você chega em casa cansado e não quer ler nada, mas quer assistir algo pra relaxar, um filme dublado exige menos esforço do seu cérebro (risos). Para pessoas analfabetas, que infelizmente são muitas, permite a inclusão. A dublagem também leva a língua portuguesa, que é belíssima em todas sua amplitude, para todo o país. Ou seja, também educa e adiciona cultura na bagagem de cada um. Mas obviamente que a dublagem só é essencial quando bem feita. Hoje nós temos fãs de dublagem, pessoas interessada que quando assistem um trabalho mal feito, elas reclamam e isso é maravilhoso. Por que? Porque ultimamente nós temos percebido que há uma prioridade em enxugar custos numa produção ao invés da qualidade e nós, dubladores profissionais, dependemos dessas pessoas pois com a colocação delas, nosso trabalho é de fato valorizado. Quando elas reclamam, fazem as empresas reconsiderarem e repensarem que essa escolha pelo mais barato atinge diretamente a experiência do público e cada dia mais vem surtindo efeito. Então, a mensagem que deixo é TENHAM VOZ, não só nesse contexto da dublagem, mas para tudo em suas vidas. No cenário das produções, seja de séries, desenhos ou filmes, exponham suas opiniões para os distribuidores. Isso ajuda MUITO na nossa profissão e dá valor aos verdadeiros representantes da área de dublagem no Brasil, que são sensacionais! Queria agradecer a todos que apoiam o universo da dublagem e para aqueles que não gostam, que procurem produções com boas dublagens. O Brasil é reconhecido como um país com as melhores dublagens do mundo. Isso precisa ser valorizado.

Mais uma vez, muito obrigada pela oportunidade e até a próxima.

Bella Ciao: Mônica Marianno fala como é dar voz a Mônica Gaztambide e nos conta um pouco mais sobre seu início na carreira

Mônica Marianno, dubladora há 5 anos, seguia carreira de cantora há mais de 20 anos, quando decidiu que queria seguir a dublagem também. Em pouco tempo de carreira a mesma carrega uma vasta linha de trabalhos como: Simon, Hotel Transilvania – ambos da Disney Jr; The Purge da Amazon; P Valley da Starz; entre outros incríveis trabalhos.

Mas atualmente, a mesma tem chamado atenção dando voz a Mônica Gaztambide, a Estocolmo de La casa de papel. E aproveitando o sucesso que a série tem feito e o ótimo trabalho tanto dos atores, quanto dos dubladores, entramos em contato com Mônica para conversar um pouco sobre seu trabalho. Confira a entrevista:

Olá Mônica, tudo bem? Você já seguia uma carreira de cantora quando decidiu virar dubladora. O que a fez seguir por este caminho?

Mônica: Já seguia a carreira de cantora há mais de 20 anos, quando decidi me tornar dubladora. Sempre foi uma paixão desde criança a dublagem, mas para você ser um dublador, tem que ser um ator formado, e só fui estudar arte dramática depois dos 40 anos. Já tinha vinte e poucos anos de carreira como cantora e o que me fez ir buscar, foi a necessidade de me reinventar. O mercado da música aqui no Brasil estava em decadência e previ que deveria ir buscar uma outra fonte de trabalho e de satisfação pessoal.

Nos conte um pouco sobre você.

Mônica: Basicamente, comecei a cantar nos anos 80, nos anos 90 me profissionalizei. À partir de 2004, abri uma empresa de produção de música ao vivo para eventos, e paralelo a isso, sempre gravei jingle, música para estúdios, trilha de filme, comercial… Sempre trabalhei em estúdio com a voz, dei aula de canto.. Até que em 2009, fui para Europa trabalhar no navio de Cruzeiro como cantora, fiquei seis meses trabalhando como cantora de jazz. Quando voltei, estava apaixonada pelo jazz, me dediquei bastante a esse estilo, mas basicamente sou uma cantora de qualquer gênero, sou uma operária da música e agora na dublagem também. Vários personagens, várias pegadas, voz caricata, voz de vovó, voz de bichinho, a gente aprende a mimetizar a voz baseada nos personagens.

Interpretando a personagem Mônica Gaztambide, a Estocolmo de La casa de papel, qual o significado desta personagem para você?

Mônica: O significado para mim é muito especial, porque coincidentemente eu e todos os dubladores de ‘La casa de papel’, principalmente da primeira fase – a primeira e a segunda temporada – aquele elenco inicial, a gente acabou virando uma família. Então existe uma relação muito bonita dos personagens com os dubladores, casualmente existem coisas em comum que a gente acabou adquirindo sobre os personagens. A Mônica é muito maternal, ela é agregadora, e acho que isso vai imprimir nas próximas temporadas. Acho que ela vai acabar, tenho impressão que ela vai acabar tomando um papel de liderança, até porque ela é um pouco mais velha que eles. Acho que me identifiquei bastante com a personagem, ao mesmo tempo que ela tem garra, vai à luta, ela é doce também, é protetora.

Comparando a Mônica dubladora e Mônica personagem, o que vocês duas têm em comum?

Mônica: Quando comecei a dublar a Mônica, também estava no começo da carreira. Estava dublando há apenas dois anos e meio mais ou menos. Hoje já dublo há cinco anos, mas quando comecei, também era muito como Mônica, era mais contida. Você vê, a Mônica era uma secretária que estava em um ambiente que não era a paixão dela, então vejo que também como dubladora me soltei mais. Acho que o personagem tem isso também. Quando encontrei com a Esther Acebo, que é a atriz que faz a Estocolmo, pedi para ela uma dica para entender essas duas fases, a Mônica antes e depois de ter virado Estocolmo. E para ela, a Mônica era como uma fera que tinha ficado todo esse tempo numa jaula, e que ter conhecido o Denver, fez com que ela se libertasse e saísse mesmo para viver. Achei muito bonito isso que ela disse para mim.

Ainda sobre a Estocolmo, como foi conhecer a Esther Acebo pessoalmente?

Mônica: Foi muito emocionante, principalmente, porque ela é realmente uma pessoa muito doce, muito atenciosa. Teve o carinho de conversar comigo sobre a personagem, ela perdeu o tempo dela para falar sobre o trabalho comigo, não só se conhecer, se abraçar, trocar fotos. Na verdade, ela falou comigo de atriz para atriz, e isso me deixou muito encantada, muito feliz. Quem é o dublador que tem a chance de poder falar com o ator a quem ele dá voz? É muito raro, são poucos e fui muito sortuda. E isso foi graças a um fã da série.

A pandemia acabou estacionando muitos planos. Quais são suas metas para depois da quarentena?

Mônica: A pandemia parou muitos projetos mesmo. As minhas metas para depois da quarentena são… é engraçado, mas a vida do dublador não é uma uma vida garantida. A gente todo santo dia tem que bater na porta de um estúdio novo ou se é o mesmo estúdio, tem que ainda convencer um novo diretor a te conhecer, te ouvir, te dar uma oportunidade, te deixar fazer um teste e é exatamente isso que vou fazer. Quando a pandemia estiver sob controle, a gente tiver acesso a uma vacina, vou bater em todas as portas que puder de novo. Quero entrar no mercado de games também, porque tenho a impressão que um dia vão acabar criando um game de ‘La casa de papel’ e queria me aprofundar mais nesse assunto da dublagem de games. Além disso, quero produzir dois espetáculos musicais. Um sobre a vida da Édith Piaf cantora Francesa e o segundo sobre a Amália Rodrigues, cantora de Fado portuguesa.

Quais personagens que você dá voz mais te marcaram?

Mônica: São vários personagens, na dublagem poucos são os dubladores que tem aquele personagem super famoso, só os grandes mitos. Nós que somos dubladores iniciantes – se considera um ator em dublagem iniciante aquele que não atingiu 7 anos de carreira -, até ele atingir 7 anos, é considerado um novato. Então, em virtude disso, sou uma novata com cinco anos de carreira. Fiz coisa que gostei tanto e que não são coisas tão famosas. Simon (Disney Jr), Hotel Transilvania (Disney Jr), 90 dias para casar, Ame-a ou deixe-a Vancouver, Damnation (Netflix), Falling Water (Amazon), Miami Ink (Discovery), Greanleaf (Netflix), Disjoited (Netflix), Happy (Netflix), ID-0 anime (Netflix), Wrecked, Pupstar (Netflix), Nailed It (Netflix), Little Big Awsome (Amazon), Pete The Cat (Amazon), Mysticons, Taken, Glow, My CrazySex, Beyblade Burst, O Mundo de Greg (Cartoon Network), The American Dad (Fox), Ru Pauls Drag Race, Casamento dos Sonhos (Discovey), Stunt Science (Netflix), Dino Dana, Snowfall, Ingovernable (Netflix), Final Table (Netflix), Tesouros do Egito (National Geografic), Larva Ilhados (Netflix), The Purge (Amazon), P Valley (Starz) e muitas outras.

Deixe uma mensagem.

Mônica: A mensagem que deixo é para que as pessoas continuem a prestigiar a dublagem brasileira, porque a dublagem brasileira é uma das melhores do mundo e eu não tenho dúvida disso. Para que ela aconteça do jeito que ela acontece, muitos profissionais estão envolvidos. Técnicos, revisores, gente que faz a marcação dos anéis – as unidades de divisão dos diálogos -, diretores, todas as etapas de um estúdio de dublagem e preparação dos dubladores. E deixaria como um conselho para quem gostaria de trabalhar nessa área, que seja o mais versátil possível em tudo. Leia de tudo, conheça um pouquinho de cada coisa, porque quanto mais você tiver repertório, mas você vai ser rápido para adaptar coisas ali ao vivo. As pessoas acham que o dublador sabe antes o que ele vai dublar, que ele leva para casa, estuda, mas não. Ele só descobre aquilo na hora, assisti uma vez, ensaia na segunda e grava na terceira. Então, é tudo muito rápido, você precisa ser uma pessoa versátil. E a versatilidade é sempre a chave do sucesso na vida, quanto mais você souber um pouquinho de cada coisa, mas chance você tem de sobreviver num mundo hostil. A dublagem vai cobrar isso! Obrigada.

Conheça um pouco mais sobre a história de Luisa Palomanes

Reprodução/Instagram

Carioca, a atriz e dubladora Luisa Palomanes dá voz a incríveis personagens como: Hermione Granger da Saga Harry Potter; Docinho das Meninas Super Poderosas; Mantis de Guardiões da Galáxia; Tris na saga de Divergente; Mera em Aquaman; Hazel G. Lancaster do filme A Culpa é das Estrelas; Princesa Mérida em Valente; Rebecca Chambers em Resident Evil: Vendetta; Jane da série Jane, a Virgem; Alex Russo de Os Feiticeiros de Waverly Place; Carly Shay de ICarly; Vanessa Abrams de Gossip Girl; Iris West Allen de The Flash; Clary Fray em Shadowhunter; Sansa Stark em Game of Thrones; Olivia de Sex Education; entre outros. Confira a entrevista:

Olá Luisa, tudo bem? Você iniciou na dublagem aos 11 anos, nos conte um pouco sobre sua carreira desde o início até os dias atuais.

Luisa: Comecei no teatro, depois entrei na dublagem e tô aí (risos). Essa é a verdade, claro, a gente passa por muitos altos e baixos, o mercado mudou muito, se expandiu muito, mudou o formato… Estamos nos adaptando a estes formatos. Até tentei algumas vezes sair da dublagem, fazer outras coisas, mas sempre foi uma grande paixão para mim.

Dublar Hermione Granger, na série de filmes Harry Potter foi o ápice da sua carreira. Qual o significado dessa personagem em especial para você? Ainda escutam sua voz e comentam sobre ela?

Luisa: Sim, sobre dublar Hermione não sei se digo que foi o ápice, porque tenho bastante personagens bem legais, bem significativos, mas ela foi especial no sentido de aproximação com o público. É uma das personagens que me leva muito em palestras e é uma personagem que mexe muito com o público jovem. Sim, as pessoas ainda comentam sobre ela, é muito bom fazer parte disso, dessa história, desse legado que de alguma forma marcou tanta gente. É muito bom poder dar voz para uma dessas personagens.

Reprodução/Instagram

Das personagens que você já deu voz, existe alguma que você considera a mais especial? Ou existe algum personagem que você ainda sonha em dar voz?

Luisa: Mais especial não sei, existe umas queridinhas: Mérida, Hermione, a Katara, Estelar, Docinho, a Princesa Bean de Desencanto. Cada hora chega uma para ficar um pouco. E que sonhe dar voz, se eu cantasse, na verdade, teria um sonho de fazer um musical, mas teria que cantar. Quem sabe, quem sabe um dia não, um dia, um dia será.

Tem algum personagem na qual você se identifica ? Por qual razão?

Luisa: Me identifico com bastante. Acho que a gente sempre consegue ter alguma empatia pelo personagem, ainda mais quando a gente é escalado, quando somos escolhido para fazer a voz desse personagens. De alguma forma, a gente tem aquilo ali dentro da gente para conseguir emprestar para o personagem, porque senão acho que não seriamos chamados. Então, acaba que tem sempre alguma coisa que a gente se identifica. Seja empoderamento feminino, característica específica, a gente acaba sempre se identificando de alguma forma.

Tem algum tipo de diferença na hora de dublar um filme/série, para um jogo?

Luisa: Tem, porque na verdade no jogo, normalmente não temos a imagem, então vamos no áudio e às vezes não sabemos quem é, como é a cara da personagem. A gente tem que ir bem em cima da voz e da referência que o diretor passa para a gente. Às vezes tem uma imagem estática do personagem, mas isso não é uma regra, existem jogos que são dublados com imagens, mas a maioria, a grande maioria que vem para mim pelo menos, são sem imagem. Por um lado é mais fácil, porque a gente não precisa sincronizar na boca. Por outro lado, é mais difícil, porque a gente acaba perdendo um pouco da referência, se o personagem lá interpretar mal no original, a gente não sabe muito bem o que está acontecendo, a gente não tá vendo a cena. Então, se o diretor às vezes também não souber, a gente fica meio que dublando no escuro digamos assim.

Existe alguma que tenha se arrependido de dublar ou achado que poderia ter se saído melhor depois que assistiu?

Luisa: Ter me arrependido de dublar não. Tenho senso crítico muito grande, então é uma coisa de perfeccionismo com o trabalho. Sempre olho para as coisas que, de repente, numa vez seguinte possa fazer melhor. Tento não me julgar, porque a gente sempre dá o que pode naquele momento, mas sempre dá para aprimorar um pouco.

Reprodução/Instagram

Qual dica você daria para quem quer seguir a mesma área ?

Luisa: Uma dica para quem quer seguir essa área, mas não agora na pandemia (risos), porque acho que não é o momento mais apropriado para entrar, primeiro precisa do DRT. O registro de profissional de ator é obtido através de faculdade de artes cênicas ou até mesmo através de cursos profissionalizante de teatro. Depois um curso de dublagem em si para poder aprender as técnicas, porque não adianta fazer o curso sem ter esse DRT, pois até tirar o registro você já vai ter esquecido as técnicas, não vai ter colocado em prática. Depois vai precisar de uma reciclagem, a não ser que a pessoa queira fazer só para conhecer, ver como é. Acho interessante conhecer esse mundo paralelo que é dublagem, esse mundo mágico.

E acredito que é um pouco de dom, no sentido de que para algumas pessoas já é mais natural, como acredito que seja para mim, e também treino, constância. É de repetição que a gente consegue chegar em um lugar legal, no trabalho legal. Acho que é indo a cada dia, progredindo e percebendo as melhoras. Ao mesmo tempo, procurar um curso legal, referenciado para não cair na mão de qualquer curso. Algum que seja reconhecido dentro do próprio mercado de trabalho. E é isso, botar muito amor no que se faz, muita atenção, estar ali entregue para o trabalho.

Quem entra só pensando em ganhar o dinheiro, pode sair frustrado. Acho que em qualquer carreira, porque assim como qualquer mercado, a dublagem tem suas regras de funcionamento, suas hierarquias e suas questões. É bom também chegar com uma questão básicas de ética sobre o que fazer ou não fazer. E isso muitos cursos não direcionam, ensinam a técnica, mas não ensinam como um novato se comporta no mercado, como é que ele se lança no mercado, como é que ele é visto pelas pessoas que já estão lá. É preciso, porque muita gente vem como fã de dublagem que quer virar dublador. Como é que essas pessoas que chegam são recebidas pelos antigos? Como elas veem essa recepção? Tudo isso, um bom curso acaba direcionando de como se comportar, a hora que chega nos estúdios, o próprio comportamento dentro do estúdio, todas essas questões.

Reprodução/Instagram

Deixe uma mensagem.

Luisa: Acho que a mensagem que tenho para deixar é que, também como fã de dublagem, acredito que o poder está sempre nas nossas mãos, tanto na mão do artista, quanto na mão de quem consome. Acredito que se o produto é direcionado para a gente, a qualidade somos nós que decidimos. Acho que é sempre bom prezar por isso, por uma boa dublagem e também por uma dublagem original, no sentido de espalhar. A minha mensagem é espalhar. Vejo o home studio como uma nova possibilidade de trabalho, como uma nova opção, não necessariamente como uma obrigatoriedade.

Sei que o presencial vai continuar sendo a primeira opção, mas acho que é um boa opção justamente para em algum momento o ator que vai fazer aquele personagem, possa fazer sua parte de casa, possa ter essa opção de trabalhar de casa. Já provamos que é possível, com paciência e boa vontade, aprimorar todas essas ferramentas da tecnologia, possibilitando trabalhar de casa e manter uma dublagem fiel. As pessoas se apegam também pela voz, a gente também da vida aos personagens, então, por que trocar essas vozes?

É uma coisa que sempre bato muito na tecla, sobre botar mesmo a boca no trombone, na internet, no sentido que há espaço para isso hoje em dia, sobre as insatisfações. Muita coisa já começou a mudar, pessoas falando que não gostaram da série tal, da dublagem da série y, e daí elas falaram e fizeram tanto barulho, tiveram essa coisa atendida, essa solicitação atendida, no sentido de mudarem mesmo a dublagem. E isso é um ponto muito positivo, mostrando que a união dos fãs da gente, porque me incluo nisso, essa união que faz a força, que faz a coisa girar.

Conheça um pouco mais sobre Mauro Horta, nosso vingador mais forte

Reprodução/Arquivo Pessoal

Tragam-me o Thanos! Quem é que não se emociona ao ouvir essa frase durante a chegada de Thor em Wakanda, no filme Vingadores Guerra Infinita? E quem dá a voz a esse ícone é ninguém menos que Mauro Horta, dublador que entrou na área em 1997 e nunca mais parou.

Além do nosso Deus do Trovão, Horta tem em sua bagagem muitos outros personagens como: Reptillus Maximus em Toy Story: Esquecidos pelo Tempo; Duke Caboom em Toy Story 4; Andy DeMayo em Steven Universo; Shifty Sidewinder em Carros: As 500½ de Radiator Springs; Fantasma do Natal Presente em DuckTales: Os caçadores de aventuras; Rex de Ben 10; Pacho Herrera de Narco; o Smurf Fominha do Smurf 2; Destruidor em As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras; Gavião Arqueiro em Arrow e Lendas do Amanhã; além de dar voz a Chris Hemsworth em diversos filmes; e muito mais.

Em um bate papo descontraído, Mauro cedeu uma entrevista ao site falando um pouco mais sobre sua profissão, esta que ele valoriza e se orgulha tanto. Confira:

Olá Mauro. Primeiramente, gostaria que você contasse ao público um pouco sobre o início da sua carreira.

“Comecei no teatro, na música (tive banda tanto em Brasília onde nasci, como também aqui no Rio, onde moro há 25 anos) por volta de 1987. Em 1992, tirei meu Registro Profissional devidamente registrado na Delegacia Regional do Trabalho. Então, a minha história começa pelo teatro que sempre foi uma base pra minha formação como ator. A Dublagem propriamente dita entrou na minha vida em 1997. Estou parecendo professor de história (cheio de datas😬😬😬). Comecei na extinta VTI (VERSÃO INTERAMERICANA) RIO”.

Um personagem que você dubla que chama atenção é o Thor. Como é dar a voz a este personagem tão especial?

“O ‘THOR’ é um personagem da mitologia nórdica, um herói que está no inconsciente coletivo há muitos e muitos anos. Quando criança, lembro de criar histórias onde ele também estava presente (eu tinha uns bonecos de borracha, tipo miniaturas, com os quais ia brincando e construindo esse universo lúdico). Ser hoje em dia (na verdade há 10 anos mais ou menos) o intérprete desse ícone da cultura Pop Geek pra mim é uma honra, uma realização de um sonho que começa ainda criança. E me sinto muito ‘digno’🥰⚡🎤🎧⚡⚒️por isso”.

Ainda sobre o Thor, como foi o processo para conseguir o papel?

“Fui convocado pra fazer o teste (em geral, para os grandes personagens são exigidos e para personagens menores também, porque ambos são importantes nas histórias), junto com mais alguns colegas e eu, com as bençãos de Deus 🙏 e Odin ⚡ acabei levando ✌️”.

Além do Thor, você dá a voz brasileira para muitos filmes estrelado por Chris Hemsworth. É mais fácil dublar um mesmo ator em filmes diferentes  ? Qual a diferença para a dublagem de um ator que dá a voz uma única vez?

“Dublar o Chris HemswHORTA 😀 é um prazer, uma honra e uma satisfação porque, apesar do esteriótipo de galã, ele é um grande ator na minha modesta opinião. Ele transita bem por todos os gêneros: comédia, drama, aventura, suspense etc. Estou só esperando ele fazer um filme de terror 😳😳😳pra eu ter a oportunidade de dublar também. Então, como ele é um ótimo ator isso ajuda na hora de dublar (não que seja fácil, aliás nunca é). Dublar outros tantos atores como costumo fazer também, mesmo que seja uma vez ou mais vezes, também não é fácil. Tudo vai depender do personagem que foi construído pra aquele determinado filme, série etc”.

Considera algum personagem o mais especial? Existe algum que tenha se arrependido de dublar ou achado que poderia ter se saído melhor depois que assistiu?

“Difícil apontar um personagem mais importante ou especial que outros. Cada trabalho, cada personagem novo é uma nova etapa, um novo envolvimento. Mas, se é pra eleger um eu fico com o “Vingador mais forte 💪”😀⚒️⚡. Dublaria novamente se fosse possível um dos primeiros vilões que fiz : “Gul Ducat” do Star Trek Deep Space Nine. Não porque tenha ficado ruim, mas em função da pouca estrada e do nervosismo pela responsabilidade, eu dublaria bem melhor hoje em dia”.

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Qual dica você daria para quem quer seguir a mesma área ?

“Não daria exatamente dicas, mas poderia sugerir algumas reflexões pra aquele que pensa em ser Dublador como por exemplo: Por quê escolheu essa carreira? Gosta de atuar? Tem talento? Vocação (as vezes mais importante do que o talento)? Pensa em fazer teatro? Conhece bem a língua portuguesa (fundamental pra se ter um trabalho mais sólido, mais consistente)?. Enfim, a profissão de Ator, de Dublador, de Músico, de Artista no Brasil é muito ingrata e difícil. Portanto, pra se tornar um Dublador de ponta, um profissional de excelência é fundamental humildade, perseverança e dedicação, porque está longe de ser uma carreira fácil de alcançar uma certa estabilidade”.

A pandemia acabou estacionando muitos planos. Quais são suas metas para depois da quarentena?

“Bom, retomar o trabalho com mais tranquilidade (porque aos poucos está voltando com todas as precauções) e com um pouco menos de intensidade. Pelo menos estou torcendo pra isso, mas não sei se vou conseguir. O ritmo antes da pandemia estava como sempre foi muito frenético. Acho que esse período serviu pra mostrar também a necessidade de desacelerar um pouco, frear essa loucura da produção insana. Enfim, isso é o que desejaria, contudo não sei se efetivamente isso irá acontecer. Bom, no campo profissional seria isso. No pessoal, há muito mais a ser realizado no período pós-pandemia 😀”.

Como faz para se preparar para dublar um personagem? Existe alguma preparação especial?

“Em geral, ficamos sabendo o que vamos Dublar na hora. Então, não há como haver uma preparação, tudo é muito rápido, frenético. No mesmo dia a gente pode dublar um desenho, uma novela mexicana, turca, uma série. Bom, só posso falar por mim: não faço muita preparação antes de começar a labuta. O que costumo fazer é um aquecimento vocal leve no início do dia e beber bastante água”.

Qual o significado da dublagem na sua vida?

“Dublagem pra mim é poesia e explico a razão: a Dublagem (profissional, criteriosa que respeita o público) emociona, faz corações baterem mais forte, sorrisos se estenderem, inclui (pessoas que possuem algum tipo de deficiência: deficientes visuais, dislexos, autistas etc.) e ainda me faz acreditar que muito mais é possível ser feito pra que essa Arte seja incluída como uma das mais brilhantes e mais difíceis de ser exercida”.

Reprodução/Arquivo Pessoal
Deixe uma mensagem.

“Como pai de um filho Autista, espero sempre por um mundo mais inclusivo e, por isso mesmo, vejo na Dublagem essa imensa possibilidade de incluir mais, de permitir que num futuro não haja mais necessidade da bandeira de qualquer inclusão, que o mundo possa ser de fato mais carinhoso e compreensivo com todos. A empatia é uma palavra tão falada, mas muito pouco praticada. A Dublagem pode e deve contribuir muito pra que não só o entretenimento como também a cultura chegue a muito mais gente e leve sempre mais informação e menos ignorância, na medida que essa arte da interpretação através da voz amplie a sua merecida importância e reconhecimento ❤️💙❤️😘”.

Conheça um pouco mais sobre Rafael Rodrigo Cinelli e suas histórias na profissão

Reprodução/Instagram

Rafael Rodrigo Cinelli é ator, dublador, diretor de dublagem e tem em sua bagagem, personagens como Anakin em Star War – EP I Ameaça Fantasma; James de Adventure Time; David Haller em Legion; Cookie no Manual de Sobrevivência do Ned; Robin de Young Justice; Pinóquio em As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy; Tucker em Minhocas.; entre outros.

Além disso, ele também dá voz a: Joseph Cross em Uma Noite Mágica; A Conquista da Honra; Haley Joel Osment em A Corrente do Bem; Robert Vito em Pequenos Espiões 3-D – Game Over; Mike Coleman em Surpresa de Natal; e mais.

Rafael também participou de novelas como: A Padroeira, Escritos nas Estrelas e Malhação. Confira a entrevista:

Olá Rafael, primeiramente, é um prazer que tenha aceitado a entrevista, muito obrigado por isso. Você fez dublagens incríveis e uma delas é a do Anakin em Star War – EP I Ameaça Fantasma. Como foi participar de um filme que tem tanta repercussão ?

“Primeiramente, eu que agradeço pela entrevista. É um prazer poder estar falando da minha carreira para você. Trabalho com isso, sou ator desde muito criança e ingressei na dublagem com 9 anos de idade. Na verdade, foi 8 para 9 mais ou menos. Então para mim é um prazer falar sobre minha carreira. Fazer parte do filme Star Wars – EP I Ameaça Fantasma, dublando Anakin, foi simplesmente sensacional. Me lembro que na época que dublei, não tinha tanto tempo de dublagem assim, fui até o estúdio, que é a Delart, e eu ainda estava me apresentando a algumas dubladoras. Ainda não dublava em todos os estúdios. Lembro que me apresentei ao diretor Pádua Moreira e ele me ouviu e gostou muito da minha voz. Logo em seguida, me chamou para o teste do Anakin, fiquei impressionado. Quando cheguei lá falei ‘Meu Deus, teste para esse filme, Guerra nas Estrelas, meu Deus do céu’. E foi bem complicado, os testes foram rigorosos. Estava presente o representante da Fox, foi muito legal. Quando passei no teste, foi uma alegria, mas foi bem complicado as gravações, por conta do representante que pedia para repetir diversas vezes as falas. Muitas vezes mesmo, sabe, porque eles queriam chegar a perfeição. Mas para mim, ainda mais eu criança, foi um prazer. Repetia mais de 20 vezes as falas e ficava super feliz. Então é isso, cara, para mim é uma marca que eu tenho na minha carreira, tenho muito orgulho”.

Como surgiu o amor pela dublagem? Conte-nos um pouco sobre o seu início na carreira.


“Então, hoje em dia, a dublagem é o que mais me dedico. Atualmente sou Diretor de dublagem no estúdio Bravo Studios e dublador, também dou aula de dublagem. Comecei na dublagem muito criança, com os meus pais. Eles eram atores e eu fazia as peças de teatro deles, a princípio era mais uma brincadeira e meus pais começaram a me colocar alguns personagens. Eles não tinham com quem me deixar e ficava sempre na plateia, mas na plateia assistindo o espetáculo, já tava meio chato. Era repetitivo, e minha mãe deu um jeito de me dar um personagem. Eu era muito pequeno, muito pequeno mesmo, nem lembro minha idade devia ser uns 4 anos (risos), 5 talvez. Dali, fui começando a gostar e querendo mais falas, também que os personagens aumentassem sabe. Fui desenvolvendo muito teatro, fazendo curso de teatro e bastante peças. Daí na minha vida, começou a surgir esse mundo da publicidade e da propaganda, comecei a fazer testes e passar nas propagandas. A partir das propagandas, comecei a fazer o teste para novelas. Fiz bastante novelas, A Padroeira, como o personagem Miguel, fiz outras novelas com participação Escrito nas Estrelas, Malhação… Enfim, retornando… Em um desses testes de novela, conheci o Diego Larrea, que era dublador, super amigo hoje. E ele me falou sobre a dublagem, a mãe dele falou com a minha mãe e a gente combinou deles levarem a gente no estúdio para conhecer. Chegando lá, o meu primeiro estúdio Áudio News, me apresentei como ator, na época não tinham tantos cursos assim de dublagem e era muito comum você chegar no estúdio e ficar estagiando. Você fica atrás dos dubladores, apenas assistindo. Comecei assistir e assistindo, um dia falaram: ‘Vem cá na bancada, faz  aqui essa falinha’. E a partir dali minha carreira foi embora, a partir dessa falinha. Foi uma paixão, tanto que comecei a gostar muito de dublagem, comecei a me dedicar meio que exclusivamente a dublagem. Continuei fazendo tudo, teatro, novela, só que hoje em dia, me dedico mais exclusivamente a dublagem”.

Existe algum personagem que você sonha em dublar no futuro?

“Então, existe na verdade um ator que tinha muita vontade de dublar. É uma coisa até engraçada, muitas pessoas dizem que me pareço com James McAvoy, apesar de não achar que me pareça tanto assim (risos). Mas eu tinha muita vontade de dublar o James McAvoy, nossa, muita mesmo. Para mim, ele é um ator sensacional, seria um prazer dá minha voz a ele”.

Como tem sido viver na quarentena?

“A quarentena tem sido uma coisa muito difícil para todos. Agora, aqui no Rio de Janeiro, a gente já vive em um estágio que consegue ter um pouco mais de contato social, mas o início da quarentena, foi muito complicado. Sou um cara que surfo, sempre treinei jiu-jitsu, mas parei muitas vezes, então estacionei na faixa branca (risos). Mas eu estava vindo numa rotina de treino muito boa, evoluindo no jiu-jitsu, evoluindo no surf, de repente, parou tudo sabe. O trabalho também vinha… Me lembro que estava terminando algumas produções, estava no meio e foram todas paradas, estacionada. Inclusive, estava dirigindo a série Cosmos e a gente teve que parar no meio, e estava dirigindo outro longa também que  também parou no meio. Foi muito complicado, mas assim, procurei ocupar minha cabeça cozinhando, fazendo café  (risos),  sabe, coisas bem simples. Me exercitando em casa… Foram  coisas que acabaram ocupando a minha cabeça, que me fizeram não surtar. Mas foi difícil viver na quarentena, é bem complicado”.

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Sobre a dublagem, já chegou a bater algum nervosismo enquanto fazia o trabalho?

“Acho que no início da minha carreira, que era criança, até a adolescência, algumas vezes, alguns personagens difíceis, quando algum diretor fazia alguma exigência mais severa por conta do trabalho, eu ficava um pouco nervoso sim. Hoje em dia não, mas existe às vezes o nervosismo do tipo de fazer uma série que você gosta muito, aquela coisa. Na verdade é mais uma ansiedade gostosa sabe”.

Você dubla o David Haller na série Legion. Também dá voz ao James em Adventure Time. Existe algum tipo de preparação diferente para uma voz adulta e infantil?

“Pois é, sou um cara que que sempre tive grande facilidade. O David Haller da série Legion, é a minha voz. Já o James, ele é uma voz engraçada, inclusive, tenho um outro personagem que é o Cookie, do Manual de Sobrevivência do Ned, ele é um adolescente e tem uma voz diferente. Acho que assim, nunca fiz preparação diferente para voz, sempre gostei muito de desenho, então assistia e tentava imitar as vozes diferentes… Então, acho que desde criança tive essa facilidade, nunca tive nenhuma preparação específica, foi mais uma coisa mesmo de vivência e observação”.

Qual personagem você considera mais importante?

“Olha, não tenho como considerar um personagem mais importante ou menos importante, todos foram importantes. Gostei de dublar todos os personagens. Gostei muito de dublar a série Legion, o David é um personagem muito maneiro. Mas eu não considero, não consigo pensar que um personagem seja mais importante do que o outro”.

Deixe uma mensagem ao público.

“Galera, para todos vocês, que curtem o meu trabalho, me seguem no Instagram, agradeço. Muito obrigado pela força de todos vocês. Neste momento que estamos vivendo, nós temos que ter muita calma, paciência e fé, que tudo isso que está acontecendo e veio para nossas vidas do nada, interrompendo tantas coisas boas, tudo isso vai passar. Temos que ter muita fé! A cura está vindo, e que isto sirva de lição para que a gente tenha mais afeto aos relacionamentos. Acho que a humanidade caminha de uma forma em que a tecnologia é muito presente na nossa vida, mas a gente não pode deixar isso tomar conta da gente. Às vezes eu observo que muitas pessoas, muitos casais, estão no restaurante, em vez de estarem conversando, trocando uma ideia, cada um está no seu celular. Antes a gente tinha como base estarmos do lado das pessoas e não as abraçávamos, nós estávamos ali no telefone falando com outras. Hoje, a gente tem saudade de dar um abraço no amigo, tem saudade daquela resenha, de tomar uma cerveja. Que tudo isso que veio sirva de lição para que a gente dê mais valor aos relacionamentos”.

João Cappelli, voz do Draco Malfoy, conta um pouco sobre sua carreira

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Com 25 anos de carreira, João Cappelli já dublou diversos personagens icônicos como o eterno Draco Malfoy na saga Harry Potter. Além disso, sendo uma ótima babá em Stranger Things, ele dá a voz ao maravilhoso Steve Harrington. E se você quer aprender um pouco mais sobre a sexualidade, Otis Milburn, em Sex Education irá ajudá-lo.

Mas essa lista não para por ai! Cappelli que começou na área aos 6 anos, tem em sua bagagem: Jhony Ki na série Sempre Bruxa; Jason Mendoza em The Good Place; Julian Albert de The Flash; Caleb Rivers nas série Pretty Little Liars e Ravenswood; Minho nos filmes de Maze Runner; Eric Kirby em Jurassic Park 3; Tyson Granger em Beyblade; Kyoya Tategami em Beyblade Metal Fusion; Gary em Os Padrinhos Mágicos; e muito mais. Confira a entrevista:

Oi João, muito obrigada por aceitar esta entrevista. Uma curiosidade sobre a dublagem, como você encontra a voz para cada personagem que dubla?


“É difícil responder a isso, já que cada personagem exige uma intenção diferente. Normalmente a voz vem com a cena, com o ator, a expressão que ele faz – e, é claro, a voz dele no áudio original. Sempre tentamos fazer o mais próximo possível da língua nativa da produção”.

Tem algum personagem que considera o mais especial? 


“Bom, certamente, pelo tamanho da produção, a quantidade de fãs, a importância da saga pro cinema e pra literatura, o Draco Malfoy é o mais importante, com certeza. Mas hoje em dia, eu considero o meu “top 3” de trabalhos o Draco, o Steve (Stranger Things) e o Otis (Sex Education)”.

Se pudesse voltar a dublar alguém, quem seria?  E se fosse para escolher um personagem para dar voz no futuro, quem você sonha em ser?


“Eu gostaria muito de voltar a dublar o Nicholas Hoult. Eu dublei ele muitos anos atrás e hoje em dia ele é um ator excelente, que faz filmes excelentes. Certamente seria ótimo dublar ele. Eu não penso muito nisso, já que cada personagem é único e tem seu valor, mas eu sempre quis dublar um super herói ou um 007”.

Em muitas dublagens, são feitas adaptações para gírias brasileiras, às vezes até mesmo o uso dos famosos ‘memes’. Como é feito o processo de ajuste da forma de falar do Brasil, sem perder a essência da língua nativa do programa exibido?


“Dependendo da produção e do cliente, nós temos liberdade pra mexer no texto à vontade – desde que não interfira na história nem na essência da produção -, então podemos colocar nossas gírias, memes… é uma delícia”.

Draco Malfoy é um ícone na qual você deu voz por um bom tempo. É mais fácil ser um mesmo personagem sempre ou mudar com frequência? Na rua, as pessoas ainda te chama a atenção pelo personagem?

“Não acho que exista isso de fácil. Quando a gente faz o mesmo ator e o mesmo personagem durante anos, a gente se apega a ele, entendemos seu modo de atuação, suas especificidades, queremos ver ele crescendo. No caso do Draco, a cada filme ele vai amadurecendo muito, passa por diversos conflitos e é muito divertido acompanhar isso. No caso de personagens ‘novos’, a gente sempre tenta colocar tudo da gente naquele filme/episódio/série e isso também exige muito. Normalmente não reconhecem, mas acontece de vez em quando em restaurantes”.

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Atualmente você dá voz ao Steve de Stranger Things. Como tem sido viver este personagem em especial?


“Eu amo Stranger Things e amo o Steve. Como disse lá em cima, ele é um dos meus trabalhos preferidos hoje em dia. Ver a evolução dele do playboy da cidade, pra um dos melhores personagens da série, amigo das crianças, ajudando todo mundo foi maravilhoso e só quero que continue assim”.

Que tipo de dicas você poderia dar para alguém que está iniciando na profissão?

“A parte mais importante é o estudo, a dedicação, a paciência pra entender que não é fácil. Não é de um dia pro outro que você vai fazer um protagonista, vai conseguir se estabilizar e viver disso. É um processo lento que exige muito do nosso psicológico e força de vontade. Mas, se esse é o seu sonho, não desista”.

Quando criança você participou da novela ‘O Cravo e a Rosa’, interpretando o Jorginho, irmão de Catarina. Pretende volta a carreira de ator? O que está participação contribuiu para sua vida?


“Bom, como dublador eu já sou ator, né? (risos). Foi muito legal fazer a novela, eu me diverti muito. É uma vertente da profissão que eu gostaria de voltar a fazer sim, inclusive estive em 2015 em uma temporada de Caras De Pau, na Globo também. Infelizmente eu não tive como continuar, mas quem sabe”.

Sendo dublador desde os 6 anos, conte ao público um pouco do seu início.

“Bom, eu comecei com 6 anos de idade, quando o meu avô, que era tradutor, foi chamado pra ser diretor de dublagem em um estúdio em São Cristóvão. Eu era muito pequeno e ia nos estúdios morrendo de curiosidade até que um dia me colocaram na frente do microfone e me disseram o que eu tinha que falar – com 6 anos a leitura ainda não era tão boa (risos). Desde então, não parei mais. Fui indo de estúdio em estúdio, diretor em diretor e estou aqui até hoje”.

Deixe uma mensagem.


“Eu só tenho a agradecer por todo o carinho durante esses anos todos de dublagem. São 25 anos onde eu aprendo muito todos os dias, convivo com pessoas maravilhosas e sou absolutamente apaixonado pelo que faço. Viver cada personagem é uma experiência única e ver que o público gosta dá ainda mais força pra não parar nunca. Dublagem é a minha vida, não sei fazer nada além disso e ter o carinho dos fãs é o melhor combustível que eu poderia ter. Muito obrigado, de coração”.

Saiba mais sobre Mauro Ramos, dublador que faz parte das nossas vidas há 31 anos

Imagem/Reprodução

Quem nunca se emocionou cantando Hakuna matata junto do nosso querido Pumba? Ou se divertiu com as aventuras do nosso ogro verde Shrek? Ou então, tentou dar susto em criancinhas como nosso monstro Sullivan? Ou mais, navegou os sete mares com o Capitão Barbosa? Se nada disso tiver lhe ocorrido, talvez tenha ficado quase invisível com nosso icônico Drax?

Mauro Ramos fez e faz isto e muito mais. Dando a voz a estes personagens, o mesmo já tem em sua bagagem 31 anos de experiência com trabalhos de excelência. Alguns de seus trabalhos são: Pumba; Shrek; Sullivan; Drax; Bafo de Onça;  Zeca Urubu; Soichiro Yagami; Gancho em Enrolados; Gato Risonho; Lumière em A Bela e a Fera; Wilson Fisk de Demolidor; Dr Richard Webber na série Grey’s Anatomy; Coisa no Quarteto Fantástico, entre outros.

Também deu voz a atores como: Tom Hanks; Danny DeVito; Martin Lawrence; Jeffrey Dean Morgan; Timothy Spall; e mais. Confira a entrevista:

Olá Mauro, muito obrigada por aceitar esta entrevista. Completado 31 anos na área de dublagem, existe algum personagem que você dublou que sente saudade em dar voz?

“Tem um personagem que eu gosto muito e gostaria de fazer novamente que é o Larry 3000, um robô de um desenho da Cartoon Network chamado ‘Esquadrão do Tempo’. Gosto muito dele porque ele é uma pessoa normal apesar de ser um robô (risos)”.

Hector Barbossa, Pumba, Shrek, Sullivan, Cecil Fredericks e Drax são alguns dos meus personagens preferidos dublados por você. Existe algum que você considere o favorito?

“Não, não tenho favorito. Não é bobagem não, é que todos os personagens que eu fiz são um pouco meus filhos, são um pouco de mim. Então não tenho preferido não, posso te dizer quais são os que o público prefere, mas eu prefiro todos eles”.

Há algum tipo de preparação diferente para cada personagem que você dá voz?

“Olha, não a preparação. A gente só fica sabendo o que vai fazer na hora da gravação e quando vamos fazer um teste, a gente observa, por exemplo: o original e intui o que a gente pode compor de voz que seja mais conveniente e mais propício para o público brasileiro. Não a preparação, a gente vai e se atira do avião sem paraquedas todo dia”.

Sobre o seu início na carreira, quais foram suas maiores dificuldades? Nos conte um pouco sobre seu começo.

“Comecei fazendo teatro em uma companhia no subúrbio do Rio de Janeiro e durantes muitos anos nós trabalhamos juntos, enquanto cada um tinha seu emprego em outro lugar. A gente ensaiava, fazia peças infantil e adultas. Fui trabalhando em empregos em que alguns eu não gostava nada, mas tinha que trabalhar para poder continuar a tentar ser  ator. Acabei como secretário da editoria do jornal O Dia, no caderno D, lá no Rio de Janeiro e foi através desse trabalho que eu conheci a repórter Eliane Martins. Ela que me indicou para trabalhar no programa da Cidinha Campos no rádio, organizando coisas. Acabei sendo assistente de produção indo para lá, depois redator e depois radioator. E aí entrei em outro programa chamado ‘Patrulha da Cidade’, que era um programa ao vivo e continua sendo ao vivo, em que eu era redator e era radioator. A gente fazia lá na hora e uma colega nossa, a Cordélia Santos, me indicou para um colega dela que tinha ido lá para substituir um colega em comum do programa, que tirou férias. E nada mais, nada menos era o Mário Monjardim, o Monja, que vocês conhecem pela voz do Salsicha do Scooby-doo e do Pernalonga durante muitos anos. Ele me chamou para trabalhar na dublagem, sem eu nunca ter pisado em um estúdio de dublagem na minha vida. Fui lá três vezes, na terceira vez, fiz um teste e ele me levou até o superintendente da Herbert Richers, o Ronaldo Richers, filho mais velho do falecido Herbert Richers, e aí ele me indicou e eu fui contratado e estou na dublagem até hoje”.

Imagem/Reprodução
Quais são as diferenças do Mauro Ramos de quando estava iniciando na carreira, para o atual, onde é consagrado como uma das vozes mais bonitas da dublagem brasileira?

“Muito! Muita coisa, porque naquela época eu ainda era muito jovem e tinha muitas expectativas quanto a profissão que foram  terminando, se desfazendo ao longo do tempo. Mas eu me dediquei muito, totalmente na dublagem e só tenho alegrias, graças a Deus. A diferença que eu era mais ingênuo e mais idealista, hoje eu sou um ‘senhorzinho’ que já viveu muito na profissão”.

Que tipo de dicas você poderia dar para alguém que está iniciando na profissão?

“Olha, é o seguinte, para você ser um bom dublador, primeiro tem que ter talento. Para ser dublador, não basta ser ator, mas se tem esse talento, você tem que ter o registro profissional de ator, para poder trabalhar na profissão e ganhar dinheiro em cima disso. No mercado de trabalho, você tem que ter paciência e tem que ter uma coisa, que pode parecer meio brutal, agressivo mas não é: culhão. Porque você precisa ao longo do tempo mostrar que é uma pessoa pontual, que é eficiente, que tem talento, e isso precisa de tempo. Varia o tempo de pessoa para pessoa, mas basicamente isso. Você tem que ter talento, registro profissional, paciência e culhão”.

Qual foi a sua primeira dublagem e qual é o significado dela para você hoje em dia?

“A minha primeira dublagem foi um sim, senhor! em um filme de Faroeste do John Wayne. E o significado dela foi ser a primeira porta que eu abri na profissão, a gente abre muitas portas. E essas portas são passagens de fases. Então para mim, a importância dela que foi ser a primeira porta que eu abri dentro da dublagem”.

Gancho na animação ‘Enrolados’ é um exemplo de personagem na qual você falou e cantou na mesma cena. Durante as gravações, é mais trabalhoso dublar um personagem deste tipo?

“Para mim sempre foi meio complicado cantar, porque eu não estudei música e eu canto de ouvido. Consegui adaptar esse meu módulo de captar a música ao longo do tempo, e é tão trabalhoso quanto dublar. Mas é tão prazeroso quanto dublar para mim. Costumo dizer que sou um ator que finjo que canto e todo mundo acredita”.

Mauro Ramos e Márcio Simões | Reprodução
Dos antigos aos atuais, quais dubladores você mais admira ?

“Seria uma lista gigantesca de profissionais que admiro. Eu admiro o Mário Monjardim Filho, o Monja, pela incrível capacidade que ele tem de falar depressa, interpretar depressa, de pegar o mopti de uma ideia e transformar essa ideia vocalmente. O Isaac Bardavid, com a interpretação precisa daquilo do que está fazendo. A Selma, que é uma atriz que dá alma no trabalho. Tanta gente, Juraciara Diácovo, Sumara Louise é sensacional, natural. Márcio Seixas, tem uma belíssima voz. Tem muitos que admiro. Dos antigos, Ênio Santos, os irmãos Cazarré. Um monte de gente que admiro e que me ajudaram muito, foram muito generosos comigo. Posso representar aqui uma pessoa em todos os dubladores e dubladoras que admiro, concentro em uma pessoa chamada Márcio Simões. Gosto muito do Briggs, do Manolo, de um monte de gente. Maíra, Wendel,  Tiraboschi, mas  o Márcio para mim é uma pessoa que é um dublador de excelência cantando e dublando”.

Como é a recepção do público em meio ao seu trabalho?

“O público normalmente é muito gentil, muito amoroso e muito dedicado ao trabalho da gente. Fui muito abençoado com relação a isso. Só não gosto dessas pessoas mal educadas, mas ninguém gosta. Pessoas atrevidas, abusadas. Mas de resto, que é 99,9% do público que gosta do meu trabalho, a recepção é muito boa, me tratam muito bem, são muito carinhosos”.

Você acredita que a dublagem tem sido mais valorizada com o passar do tempo?

“Tem sido mais valorizado sim, por alguns motivos. Primeiro, a valorização do trabalho de dublagem – nos anos 90 era dublagem, hoje é voz original -, que nos países de origem, principalmente os desenhos japoneses e consequentemente outros setores do entretenimento, animações e tudo mais, foram reconhecendo nosso trabalho. E o fato de terem colocado atores de televisão em exposição, em evidência na ocasião, ajudou a fazer com que a própria categoria de atores visse a dublagem, não mais com preconceito, vendo como era difícil dublar. Também expôs mais para o jornalismo, mas acho que tem muito, muito, muito ainda a ser divulgado para o grande público. Principalmente o pessoal de imprensa, ligado a entretenimento, tem que se informar mais e não ter tanto preconceito. Abram a cabeça e vejam que dublagem não é um dragão”.

Deixe uma mensagem ao público.

“A mensagem que eu passo para o público é: trabalho, suor e por favor, fiquem em casa nessa pandemia, porque a coisa é feia. Fiquem com Deus!”.