Yamí divulga websérie gravada na Toca do Bandido com participação especial de Njamy Sitson

Tempo de Leitura: 6 Minutos

Após revelar três episódios onde apresentou sua mistura única de música orgânica e eletrônica, o duo Yamí encerra sua websérie gravada na Toca do Bandido em um capítulo onde recebe o artista camaronês Njamy Sitson, que participou de forma remota direto de seu país de origem. A iniciativa é viabilizada por meio do edital #retomadacultural, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do RJ, através da Lei Aldir Blanc e está disponível para acesso de todos, inclusive com tradução em Libras, no canal de YouTube de Yamí.

Mesclando a intensa energia de suas apresentações com a candura dos músicos em seus bate-papos, esse registro visual ao vivo em estúdio deu novo fôlego ao repertório do álbum homônimo de Yamí, lançado em 2019. O trabalho une o cello cheio de distorções e efeitos do italiano Federico Puppi à potência percussiva do baiano Marco Lobo, mesclando atabaques, instrumentos do folclore brasileiro como berimbau, gungas e tambor onça, além de pads eletrônicos  e outros instrumentos experimentais como hang drum, tubos e sucatas. 

O caldeirão sonoro de Yamí é completo com participações especiais de Fernanda Sant’anna (episódio 2), Rita Benneditto (episódio 3) e, agora, Sitson. Ele aparece no disco nas faixas “Bah’li” e “Nkoni”, além do single “Mamãe Oxum”, lançado posteriormente. Confira a entrevista:

Para o  público que ainda  não está ciente, nos falem um pouco sobre a webserie que você acabaram de gravar na Toca do Bandido com participação especial de Njamy  Sitson. 

Decidimos realizar essa webserie através do edital retomada Cultural RJ/Aldir Blanc para poder criar um conteúdo que pudesse ser diferente dos conteúdos que já tínhamos realizado até agora. Esse formato de bate papo e show ao vivo no estúdio nos pareceu a forma mais interessante e ao mesmo tempo mais segura nesse período de pandemia. Algo que pudesse ter conversa, mas que tivesse a energia da apresentação ao vivo, da qual sentimos muita falta durante a pandemia. 

Njamy é um dos artistas mais completos que conhecemos. Nossa relação precede o Yamí, e durante o processo de gravação, o desejo de ter sua voz em nosso projeto se tornou muito forte. Com timbre profundo e marcante, consegue tocar a todos e trazer nuances rítmicas que emocionam.

Esse projeto é uma  mesclagem sonora com participações especiais super importantes. Como foi estar ao lado de pessoas tão queridas nessa webserie?

O projeto foi criado para ter a participação dos artistas que sempre estiveram perto do YAMÍ. De alguma forma, reputamos muito importante colocar nossos parceiros nesse projeto, para dar uma bocada de oxigênio nesse momento tão difícil. Foi muito emocionante rever a Rita, a Fernanda e o Njamy (mesmo que virtualmente) e poder tocar juntos, trocar energia, se abraçar na música. 

O YAMÍ é um projeto instrumental com vozes convidadas, e eles são literalmente nossas vozes, são parte importante do projeto YAMÍ desde o princípio. Esse encontro foi o que de melhor podia acontecer para nós neste edital. 
Nosso encontro com a Rita, por exemplo, é muito profundo e existe uma identificação recíproca, ao ponto que ela escreveu uma música para nós chamada “YAMÍ”! Obviamente convidamos ela para cantar essa música conosco no nosso álbum e também nessa websérie. A Rita é uma força da natureza, um acontecimento: quando a Rita canta o espaço vibra! Ela traz consigo uma energia tão forte que deixa o público em êxtase, e nós também. Ela é parceira do YAMÍ desde o começo do projeto, fizemos muitos shows juntos e temos uma sintonia rara e preciosa.

Sobre Yamí, nos  conte um pouco sobre quem é e como decidiu seguir a área artística. 

Esse é um projeto que nasceu em 2018 no Rio de Janeiro, com a ideia de criar uma mistura de eletrônico e orgânico que contemplasse sonoridades ancestrais e modernas. YAMÍ é uma ponte no tempo, um sistema musical que une ritmos brasileiros ao beat eletrônico, o violoncelo com o berimbau, atabaques e synths. YAMÍ tem um pé no passado e um pé no futuro, cordas, coro e eletricidade.

Vocês acreditam que esse registro visual ao vivo em estúdio e a mistura de música orgânica e eletrônica impulsionou uma leveza nessa websérie? 

Sempre consideramos a música e a arte em geral como algo que ajuda as pessoas a se abstrair da realidade. A música é um portal para acessar a uma outra esfera do pensamento, longe dos problemas quotidiano, e aberta para a espiritualidade e a imaginação. Nossa música já é pensada desta forma desde o princípio, é uma visão que passa através das composições, é quase um nosso objetivo!

No episódio 2 a websérie teve a participação especial de Fernanda Sant’anna, teve algum momento marcante com ela nas gravações desse episódio? 

Fernanda além de ser muito talentosa, é também muito divertida! Rimos muitos juntos na Toca do Bandido e só o fato de estarmos juntos nos trouxe uma sensação de paz, de alegria, de amizade. Mas um momento muito marcante foi a gravação da música Mamãe Oxum, porque naquele momento teve uma energia que invadiu a sala e a música começou a fluir no espaço, tomando conta de todos. Uma espécie de encantamento geral, uma mágica sonora que aparece claramente também na gravação. 

Além do single “Mamãe Oxum”, lançado posteriormente, teve alguma referência musical ao decidir mesclar instrumentos do folclore brasileiro como berimbau, gungas, atabaque e pads eletrônicos?

Essa é a base do nosso projeto, são os ingredientes do nosso prato musical. O folclore brasileiro é uma riqueza inestimável, cheia de surpresa a cada passo, de novos instrumentos, de ritmos maravilhosos. É tipo um parque de brinquedos: essa riqueza é fonte constante de inspiração e de criatividade. 

Tem muitos artistas e muitas bandas brasileiras que fazem essa mistura, mas não tivemos nenhuma referência específica nesse sentido, não tem uma banda que tenha funcionado como referência. Ao mesmo tempo, ouvimos muita música que com certeza nos inspirou de forma inconsciente. Nós trocamos constantemente músicas entre a gente, quando um ouve algo interessante passa para o outro e assim se cria uma corrente de inspiração musical que flui continuamente. 

Além da webserie, existe algum novo projeto para este ano ainda?

Projeto e ideias novas não faltam nunca! Sempre temos mais ideias do que dias à disposição! Estamos agora trabalhando no nosso novo álbum, estamos compondo novas músicas e provavelmente já será lançado esse ano. E também estamos pensando em lançar as gravações da Toca do bandido como álbum ao vivo, já que ficaram excelentes!

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

  • Estudante de jornalismo

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