Mayí une sonoridades “de quebrada” para evidenciar a autonomia feminina e LGBTQIA+

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“Diversão levada a sério”. A premissa de Chico Science, principal nome do movimento manguebeat, para definir a forma como enxergava a própria obra é uma das inspirações e ponto de partida para a mineira Mayí – integrante do coletivo feminino de hip hop Fenda – na criação de “Sedenta”. ]

O segundo single da sua carreira-solo, que chega acompanhado de um registro audiovisual, já está disponível em todas as plataformas de streaming pelo selo MacacoLab, braço da produtora A Macaco que produz o megafestival Sarará. Em uma fusão de sonoridades frequentemente marginalizadas, como o trap e o funk, a cantora e compositora dá sua contribuição para abrasileirar influências “de uma quebrada internacional” por meio de uma letra que tem como personagem principal a liberdade sexual feminina.

Feita em parceria com o DJ e beatmaker belo-horizontino Victor Vhoor, a artista do Aglomerado da Serra (comunidade de Belo Horizonte e a maior de Minas Gerais) condensa as suas vivências de quebrada e experiências que teve como mulher e bissexual para celebrar a confiança que tem, hoje, para falar de temas que ela percebe ainda serem tabus na sociedade. Confira a entrevista:

Para os que ainda não estejam familiarizados com a sua música, poderia nos definir um pouco sobre o seu estilo como artista?

Tenho o costume de dizer que faço MPB-Música preta brasileira. Me considero bem eclética musicalmente, mas a maioria das sonoridades que tem sua origem enraizada pela população negra eu me identifico. R&B, RAP, Funk Nacional, House Music, Reggae, Música Pop, Samba reggae e Drill são referências que me inspiram bastante na hora de compor/criar. Podem esperar um caldo disso e muito mais ao ouvirem as minhas músicas!

Marcando mais um passo de sua carreira solo, “Sedenta” chegou nas plataformas através do selo MacacoLab como o seu segundo lançamento nesta nova etapa de sua caminhada e que apresenta uma sonoridade frequentemente marginalizada. Quais foram suas principais inspirações para produzir essa música e qual é a principal explicação para a perseguição desse estilo musical?

Vivências diárias são as principais inspirações para essa música. Pessoas que não querem enxergar além da  bolha que vivem tendem a se preencherem de preconceitos, porque o desconhecido assusta. Por isso, muitas desconhecidos da cultura e de tudo que acontece nas favelas criticam, apedrejam, tentam desvalorizar vivências que, para quem vive nela, já é cotidiano. Essas diferentes formas de falar sobre o cotidiano são marginalizadas por quem está preso a esse sistema de pré-julgamentos.

Em sua opinião, de uma forma geral, você acredita que o hip hop está mais presente dentro das comunidades, mesmo que ainda haja a necessidade de se adaptar o estilo através da mistura de ritmos e tendências que vigoram na sociedade?

Com certeza. A sonoridade se mantém viva a anos. Ao meu ver, essas misturas de ritmos só o fortalecem e engrandecem mais, porque causam uma proximidade maior da nova geração das comunidades.

Tendo em vista essa nova etapa de sua carreira profissional, você poderia citar quais são os desafios que passou ao apostar em uma carreira solo?

O maior desafio é manter a fé viva todos os dias. Crer que o que amo e me dedico a fazer chegará aos olhos, mentes e corpos de muitas.

Sobre “Sedenta” como tem sido a recepção do público?

O público tem recebido bem, tenho tido retornos bem positivos.

Conte-nos um pouco sobre quem é Mayí e o que a levou a área artística.

Sou Mayí, 26 anos carregando esse presente/fardo que é ser eu. Nasci em Belo Horizonte, capital mineira. Uma cidade carregada de belezas naturais e preconceitos estruturais, não muito diferente do restante do país. Original MDP (Morro das Pedras) e residente em outras 14 localidades nesse meio tempo de vida. Na real, sou uma mulher que tá em desenvolvimento constante, afinal, água parada dá dengue. Uma mulher feliz pelo que tem, mas que não se contenta e busca sempre por mais motivos para estar bem em diferentes aspectos da vida. Desde sempre a cultura negra esteve presente no meu dia a dia, principalmente se tratando de música e filosofia. Aos 14 anos tive o privilégio de estar mais inserida no universo musical com os estudos de percussão. Com 18, me vi imersa nos estudos de dança e, desde nova até hoje, a escrita se mantém viva. Esse descontentamento com o que nos foi tirado me trouxe até aqui. Essa busca pelo resgate do que é nosso não se afasta de mim, e é por essas e outras que continuo nesse desembolo.

Você acredita que o uso da música tem sido um grande influenciador para se ter uma maior liberdade sexual feminina assim como é descrito na sua nova canção?

Sem dúvidas. A música é o ponto inicial pro início de vários questionamentos. Sigamos indagando tabus.

Além de usar a canção, o que em sua visão é preciso fazer para se quebrar essa visão de tabu com a sexualidade, o prazer e tudo mais?

Se questionar mais sobre suas certezas, se permitir viver o prazer, os seus desejos. Ir além do que te condicionaram a ser. Se permitir.

Quais são seus principais objetivos com o lançamento de “Gritam-me”, “Sedenta” e todos os singles que serão lançados ainda este ano?

Alcançar o maior número de pessoas possível com meu trabalho. Acredito muito no poder da arte e das palavras, e que assim seja.

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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