Arthur Melo alcança novos capítulos na carreira musical com lançamento de “Adeus”

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O cantor e compositor mineiro Arthur Melo amplia o universo sonoro de seu álbum “Adeus”, lançado em 2020, com uma série de clipes em parceria com os diretores Felipe Vignoli e Ieda Lagos. Após inaugurar a trilogia com “2012, o Ano Bege”, é a vez da faixa “De Lá Pra Cá/Trafegar” ganhar forma em um vídeo que transita entre a melancolia e a folia. Confira a entrevista!

Lançado no ano passado, o álbum “Adeus” ganhou um reforço ao público recentemente com o lançamento de uma série de videoclipes em relação às músicas do projeto. Como foi o seu processo de preparação para que essas leituras das músicas chegassem ao mundo?

Os clipes estavam prontos desde o fim de 2020, mas lançamos só agora em Março de 2021. O processo foi o de tentar dar continuidade a história do primeiro clipe, 2012, o Ano Bege, lançado em Abril de 2020. Junto com Felipe Vignoli e Ieda Lagos, que dirigiram os clipes, tentamos trazer a sensação de vazio e solidão que existe no disco, mas isso tudo de uma forma que pudesse ser contada em três clipes e tivesse uma linha que ligasse um ao outro. Como o primeiro clipe abordava o tema Caos decidimos por dar continuidade com a faixa ‘De Lá Pra Cá / Trafegar’ com o tema angústia, que é muito presente na letra da música e na forma como o arranjo e a chegada de mais elementos se dá nela, usando do mesmo personagem e a mesma linha dos outros clipes, esse é o clipe que está no meio da história que de uma certa forma é um momento de transição entre os outros. O último clipe será da faixa Adeus e o tema é ausência.

O conceito do seu álbum mostra como está sendo a convivência das pessoas em relação a ansiedade e repetição diária de atividades durante a pandemia. Poderia nos contar um pouco a respeito das linhas de pensamento que resultaram na elaboração de “Adeus”?

A composição do disco começou no fim de 2019 com as ideias de letras e arranjos surgindo de forma natural, as músicas do disco falam muito sobre ausência, solidão, tristeza e vazio mas de um lugar extremamente íntimo e particular meu, foi o primeiro disco que realmente me permiti falar e cantar sobre algumas coisas, o processo de gravação fiz completamente sozinho na Vila do Calango em Belo Horizonte entre Janeiro e Fevereiro de 2020, tentei acessar os lugares de onde essas letras e sons vinham dentro de mim e ficar sozinho me ajudou muito nisso, ao mesmo tempo que foi um expurgo de sentimentos e emoções também foi um olá para um forma nova que pretendo continuar na escrita e na composição das minhas músicas. Terminei o disco em Fevereiro de 2020 e no momento que a pandemia chegou as letras foram fazendo sentido pra mim e meus amigos que haviam escutado, pensei sobre talvez guardar o disco para lançar mais a frente, mas achei que o momento meu em relação às músicas ia se perder e iria descartar ele então resolvi lançar da mesma forma mesmo que a solidão e vazio no disco não dissessem sobre a pandemia especificamente.

O que a palavra “Adeus” significa para você no contexto artístico?

Dentro desse disco o termo Adeus pra mim virou algo como se eu estivesse dando Adeus a pessoa que era, seja em relação aos temas das músicas ou a forma que via e vivia alguns aspectos da vida, mas também em relação a forma como escrevia, compunha e gravava músicas. A própria música que leva o nome do disco diz um pouco sobre esse Adeus para a pessoa que era usando uma relação amorosa e o outro como essa pessoa que fui e me despedindo dela. No quesito musical esse disco me permitiu abrir meu leque para a escrita e ser mais real comigo mesmo, falando de coisas que realmente sinto e da forma mais transparente que consigo, e também na forma de gravar, de descobrir e fazer as coisas sozinho que foi e é algo que alimenta minha curiosidade e mantém a música sendo algo divertido pra mim, algo que tinha deixado de ser por um curto período de tempo, e esse disco veio para trazer esse ar de empolgação novamente.

Uma das curiosidades em relação ao estilo que a sua música seguiu foi a tonalização mais obscura dentro de um contexto do samba. Como foi possível estabelecer uma conexão que fluísse de forma natural entre os ritmos?

Isso foi algo que fiquei muito feliz quando senti, pois foi algo que não buscava mas quando aconteceu me deixou feliz. Sempre gostei muito de samba, cresci ouvindo em casa e nas festas de carnaval da família do meu pai em Jequitinhinha, Benito di Paula, Beth Carvalho, Nelson Cavaquinho e sempre foi algo que queria em algum momento fazer, queria lançar um disco de samba, mas que contivesse elementos de outros estilos e outras coisas que gosto, e dentro do contexto do disco que trata de temas mais obscuros e mais melancólicos o samba surgiu como um certo alívio e que trouxesse esse contraponto com a letra, mas de um forma muito natural e ainda sim dentro dos instrumentos tendo esses elementos obscuros nos acordes e nos timbres, até brinquei com um amigo que isso se chama Samba Melancolia e ainda vou lançar um disco inteiro assim. No meu disco de 2019, Metanoia, tentei fazer algo nesse caminho mas que não foi tanto pra esse lado dos contrapontos com algumas músicas.

Como foi elaborar esse projeto em parceria com os diretores Felipe Vignoli e Ieda Lagos?

Foi bem natural o processo, eu e os meninos somos amigos desde o primeiro período da faculdade de cinema, e agora estamos no último, meus clipes desde de 2018 são sempre eles que fazem e as trilhas sonoras dos filmes deles eu faço, e é legal ter essa visão deles, de quem vê as músicas mas não da perspectiva de quem as escreveu. A ideia surgiu com Ieda de dar sequência ao clipe de 2012, o Ano Bege com mais outros dois clipes, assim pensei nos temas de cada clipe e nos fomos converesando sobre até ter uma imagem mais clara de como quériamos que fosse a estética do clipe de De Lá Pra Cá / Trafegar que era basicamente manter essa ideia da trilogia e de todos os três clipe serem de um mesmo lugar emocional de vazio e solidão que foi complertamente contemplado pela ideia dos meninos de ser em preto e branco e do lugar que remete a essa parte da música que é mais carnavalesca. Os meninos sempre fazer um storyboard com as imagens que imaginamos para cada cena e a partir dai eles criam o roteiro de cada clipe e durante o processo vamos trocando ideias e referências, mas sempre de uma forma muito natural, isso muito por nossa amizade que veio antes dessa parceria no trabalho.

Conte-nos um pouco mais sobre quem é Arthur Melo.

Nasci e fui criado em Belo Horizonte e desde pequeno cresci ouvindo meus pais tocarem e cantarem noite a dentro, tenho 23 anos e atualmente curso cinema. Lancei três discos e um ep ao longo da minha carreira que começou em 2017 com o ep Agosto de de lá pra cá lancei três discos, sendo eles Nhanderuvuçu, 2018, Metanoia, 2019 e o Adeus em 2020. Cada disco tem uma sonoridade diferente da do outro e sempre tento passear por texturas e ritmos diferentes em cada um.

Sabendo do momento que estamos vivendo, seu álbum fala muito sobre perda, solidão, vazio, morte, fantasma do que já se foi, angústia, trauma e melancolia, algo tão profundo e atual. O que você espera que o público sinta ao ouvir suas canções?

Acho que essas músicas de certa forma podem servir como um consolo, assim como serviram pra mim quando as escrevi e na primeira vez escutei elas prontas, num momento como esse em que estamos vivendo estamos nos cansando e se esgotando rapidamente com notícias terríveis da pandemia do país e do desgoverno brasileiro, creio que essas músicas podem ser um certo abraço, mesmo elas sendo mais tristes pois as vezes pensamos que só nós estamos tristes, melancólicas, de coração partido e a música serve como um consolo, te faz sentir compreendido e que existe um lugar de aceitação para você e seus sentimentos, quaisquer que sejam eles, isso que sinto quando escuto músicas que gosto e isso que procuro que minhas músicas façam, que sejam um lugar de consolo pra quem escuta.

A música pode significar muitas coisas diferentes, depende da pessoa que estiver a escutando. Para você, como músico, o que a música significa?

Música pra mim é tudo e cada dia se torna mais, sempre me torno para música quando estou triste ou feliz, insatisfeito, contente ou qualquer outro sentimento, é algo constante me minha vida e que considero tão necessário quanto o ar e ter esse privilégio de usar ela para me expressar é algo terapêutico que me ajuda em diversos momentos da vida em que nada mais me fornece essa paz que só a música consegue, música pra mim é necessária, é vida.

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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