Tributo à raiz afro e manifesto anti-racismo no EP Miscigenação ao vivo

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Juliano Holanda, Clayton Barros e André Zahar dão voz ao projeto que estreia  com quatro faixas inéditas 

As vozes e a luta de Clayton Barros, Isaar, André Zahar e Juliano Holanda se encontram no disco Miscigenação ao vivo. Recém-lançado, o EP ao vivo tem quatro faixas interpretadas pelos artistas que musicaram sua experiência de vida e sua luta contra o racismo e segregação racial. 

A diversidade social e cultural do Brasil e todas as dificuldades que as transpassam fizeram parte das composições. Em Miscigenação, os artistas musicam esperança, união e a valorização das nossas raízes. “Enquanto herdeiros de um país feito de diversas raças mas em constante falta de aceitação e entendimento entre a nossa incontrolável diversidade, nosso trabalho surge como um resgate das nossas bases, da nossa origem”, comenta Juliano Holanda. “Minha música é fruto desses encontros de ancestralidades, entre canaviais, terreiros e paisagens coloniais. Miscigenação é também o congraçamento de nossas historias de vida que, em paralelo, permeiam um momento continuo da música pernambucana”, completa 

“Queimar a pele preta eu vou, quanto mais escura, melhor”. Em Todo Calor, a negritude é exaltada nos versos de Isaar que evocam sua exuberância em odé a sororidade. “Toda vez que uma mulher preta sobe num palco ou tem visibilidade positiva, ela sobe numa arena. Há anos atrás ela subia sozinha. Hoje, cada vez que subo no palco, eu sou torcida pelas outras. É possível ir mais além”, pontua a cantora.

 O orgulho de ser Serena vem a seguir. Crítica ao racismo e o sistema opressor brasileiros, uma construção que evoca nomes consagrados como Elza Soares e Jorge Ben, aparece em Duas Saídas onde o grupo põe em xeque o caminho que tomaremos para sair dessa crise civilizatória: Meu país, você vê o que eu vejo?. Na faixa, André Zahar, carioca que há quase uma década cria raízes em Pernambuco, reconhece a “encruzilhada em que o país se encontra, entre paisagens patrulhadas e belezas que insistem e, nascer. Daí o chamado pra reconexão entre as palavras e essa terra, naturalmente fértil e tão diversa de povos e culturas”

Miscigenação ao vivo vem em formado de EP, com quatro músicas e é apoiado pela Lei Aldir Blanc. A bolacha sai pelo Selo Estelita e estreia nesta segunda em todos os canais de streaming.

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