Cerveja especial em casa

Dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), divulgados no início do ano mostraram um aumento de 36% de cervejarias em todo País, quando comparados o número de estabelecimentos abertos no ano de 2018 e 2019. Somente no ano passado, 320 novas fábricas abriram, o que significa quase uma nova cervejaria por dia. A bebida é tão popular que o governo criou a ‘Câmara da Cerveja’ para encontrar formas de aumentar a produção da bebida. Em Goiás, o crescimento médio entre 2017 e 2019 foi de 15%, colocando o Estado na 8ª posição, e o primeiro quando fugimos do eixo Sul e Sudeste. 

Em Goiânia, o público tem se tornado exigente com casas segmentadas em cervejas especiais que passaram a oferecer o growler, um garrafão feito de vidro, cerâmica ou alumínio, com fechamento em rosca ou presilha, próprio para armazenar cervejas servidas na pressão, também chamadas de “on tap” ou chopes. “Embora a venda da cerveja nesse formato seja muito comum nos estados do Sul e Sudeste, em Goiás a cultura ainda está se estabelecendo”, explica empresário Murilo Porto, que comanda a Porto Cervejaria. Ele explica que durante a pandemia, muitos estabelecimentos de Goiânia também aderiram a modalidade, o que contribuiu para impulsionar o negócio. 

A diferença básica entre as cervejas engarrafadas e as “on tap”, é que a primeira é pasteurizada, o que confere ao produto o engarrafamento automático que resulta em prazo de validade estendido. Já a segunda,  ao colocar o produto no growler através da máquinas de pressão, ela entra em contato com o ambiente e se torna mais vulnerável. “É uma cerveja fresca, para ser consumida rapidamente, em no máximo 4  dias”,  aconselha Murilo. 

A marca Oktos, representada por Murilo em Goiás, oferece nove sabores de cervejas especiais e quatro tipos de growlers: vidro, porcelana, inox e pet, que tem tamanhos que variam de um à cinco litros. A pet, fabricada de plástico, não tem custo para o cliente, já as demais variam de R$ 5 (vidro) à R$ 180 (porcelana). Localizado no Parque Amazônia, o estabelecimento tem o estilo pub inglês, onde o cliente pode degustar os sabores e levar para casa uma cerveja a que mais agrada. “Temos desde os mais comuns, como a de cevada e trigo, que são mais leves, até as frutadas, passando também pelas cervejas escuras com malte torrado ou com forte amargor”, detalha o empresário, lembrando que todos os sabores também são comercializados enlatados de fábrica para atender ao público que quer levar mais tempo para consumir. 

Entre as novidades da casa para as próximas semanas, Murilo anuncia o Ikeg, uma espécie de mini-chopeira para dez litros que pode ser alugada para incrementar uma recepção para poucas pessoas. Diferente do tradicional barril de chope, esse produto precisa ser refrigerado. “É como se eu tivesse uma chopeira em casa, é charmosa e atende um jantar para poucos casais”.  

Saiba mais 

O crescimento do número de cervejarias no país, nos últimos 20 anos, tem sido constante. A média de crescimento nesse período foi de 19,6%. Nos últimos cinco anos, esse índice foi de 36,4%. Ainda de acordo com o Mapa, em 2019 a cerveja continuou sendo a bebida mais registrada,  alcançando o número de 9.950 registros, bem à frente do segundo lugar, polpa de fruta com 2.535, e dos demais, tais como o vinho 1.676, a bebida alcoólica mista 1.251, suco 1.094 e cachaça com 857. 

Em 2017 foram 5 mil novos registros, em 2018 o número chegou perto de 6 mil e 700. Em 2019 atingiu-se a marca de 27.329 registros de cerveja válidos em todo o país em uma média de aproximadamente 22 registros de produto por cervejaria. Apenas em Goiás, em 2019, foram 80 produtos registrados.