Angélica Santos: Conheça um pouco mais sobre a dubladora que se destaca dando voz ao “quelido” Cebolinha

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Maria Angélica Santos Cruz, conhecida como Angélica Santos é atriz, narradora, dubladora e diretora de dublagem. Um dos trabalhos de mais destaques da artista é dar a voz ao Cebolinha em Turma da Mônica.

Além do ‘quelidinho do Blasil‘, Angélica também dubla: Oolong de Dragon Ball; Sonya Blade de Mortal Kombat X e Mortal Kombat 11; Kate Austen na série Lost; Cinderela em Para Sempre Cinderela; Batatinha em Os Batutinhas; Jade em Violetta; Hope van Dyne / Vespa em Homem-Formiga e a Vespa; Charlotte Richards em Lúcifer; entre outros. Confira a entrevista:

Olá, Angélica, tudo bem? Primeiramente, conte ao público um pouco do seu início como atriz narradora, dubladora e diretora de dublagem. 

Angélica: Tudo bem! Obrigada pelo convite! Eu era bailarina, porque comecei o ballet bem novinha e aí quando estava na adolescência, pintou um teste para fazer parte do teatro da Turma da Mônica, vestindo aqueles bonecos. Fiz o teste para o papel da Mônica e acabei passando. Uns dois meses depois surgiu outro teste para fazer a voz dos personagens. Já haviam existido outros elencos e o último que estava na ativa era composto por um grupo de cantoras – as Harmony Cats – onde a  Maria Amélia (Maria Amélia Costa Manso Basile)  fazia a Mônica, Vivian (Vivian Domingues Castilho de Toledo Costa Manso) interpretava a Magali, Isaura Gomes, que é uma dubladora bem antiga era a voz do Cascão, e Ivete Jaime o Cebolinha. Mas a agenda delas era muito difícil pela fama que tinham na época. Foi quando o Maurício (Maurício de Sousa) decidiu fazer um novo teste para as vozes.
Fiz o teste para MAGALI, só que quando saiu o resultado, pra minha surpresa, peguei o CEBOLINHA (Risos). Então a minha carreira começou há 37 anos com o Cebolinha. Permaneci no teatro, continuei com o ballet mais algum tempo, mas a dublagem ganhava cada vez mais espaço na minha vida e percebi que tinha me encontrado. Cinco anos depois de assumir o Cebolinha me tornei diretora de dublagem na Maurício de Sousa Produções e mais pra frente no Estúdio Álamo. Lá (na Álamo), eu cheguei a ser coordenadora, mas também tive a oportunidade de passar por muitas casas (estúdios).

Você é a dubladora do Cebolinha da Turma da Mônica. Como é dar voz a este personagem há tantos anos? Como é a recepção das pessoas quando “descobrem” que é uma mulher dando a voz a ele?

Angélica: Pois é. No começo, fiquei meio assustada (risos). Agora, já se tornou uma coisa mais normal, já são tantos anos, né? Mas curto demais fazer. É um personagem que tenho um carinho absurdo. E a recepção é ótima! Eu nunca tive uma recepção negativa. Já escutei ‘Pô! Acabou com a minha infância’ (risos), mas também escutava na sequência: ‘Mas Pô! Que legal!’. Também já ouvi alguns ‘Não acredito!’. As reações são sempre muito boas. Principalmente quando descobrem que é uma mulher. 

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O que a dublagem significa para você?

Angélica: A dublagem pra mim é tudo, né? É a minha vida! Estou mais tempo dublando do que em casa com a minha família. Então é tudo pra mim, é onde me divirto, é onde ganho o meu dinheiro fazendo o que amo (que isso é muito bom!) e desejo a todas as pessoas, sabe? Porque assim você não tem aquela sensação de ‘aff amanhã é segunda-feira’. Não tem essa! Penso ‘Amanhã é segunda-feira e eu vou trabalhar! Aleluia!’ Eu amo! Amo! A dublagem é mesmo a minha vida!

 Como foi o início da quarentena e como tem sido atualmente para você?

Angélica: No início, ficamos dois meses sem trabalhar. Porque ir para o estúdio era uma grande possibilidade de pegar o vírus. Os locais são fechados, com ar condicionado e não podemos usar máscara. O risco era alto. Então, estou em casa há seis meses quase. No começo foi difícil e aí piorou (risos). Agora, depois que comecei a trabalhar de novo, me sinto muito mais útil! Ainda não consegui retomar as gravações presencialmente e na minha casa, dois dos meus três filhos são do grupo de risco, ou seja, de jeito nenhum eu poderia me expor. Fiquei realmente presa. Mas hoje estou mais tranquila, ainda não retomei minhas atividades como antes, e sigo na torcida que saia uma vacina logo! Né? (Risos).

Dando voz a personagens como Vespa, Charlotte Richards, Sonya Blade, Pérola, Cebolinha, entre outros. Existe algum que você considere o mais especial? Existe algum que você não deu voz, mas aceitaria na hora fazer?

Angélica: Olha, é estranho falar em um que considere mais especial, pois todos são. O Cebolinha desde sempre. Um outro personagem que amei fazer e foi muito importante para mim era o Kevin, da série ANOS INCRÍVEIS. Eu adorava fazer essa série maravilhosa. E também tem muito de sentir uma conexão com aquele que você está fazendo no momento. Você colocou outros como a VESPA da Marvel, que é um marco na história do cinema mundial e ela tem todo um contexto de empoderamento e incentivo as mulheres para se unirem na luta contra o mal (risos). Já fiz tanta coisa que é muito difícil falar. São vários, vários! As séries que mais curti fazer, muitas de comédia, como a Santa Clarita Diet onde dublo a Drew Barrymore, ou a Crazy Ex-Girlfriend me divertem! Agora, algo que ainda não fiz e aceitaria na hora é um desenho para cinema da Disney. É meu sonho! Nunca fiz nenhum desenho pra Disney e aceitaria sem pensar!

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Já teve algum personagem que você sentiu que poderia ter ido melhor depois de assistir ?

Angélica: Já teve sim, mas era em uma situação onde eu não estava num dia bom. Ou as vezes o diretor te prende um pouco, mas a gente vai levando. Então existem ocasiões que você sente que poderia ter sido melhor. O jeito é seguir em frente e não deixar aquilo te dominar para fazer um bom trabalho no próximo personagem ou na próxima gravação.

Dando voz a Drew Barrymore na maioria dos filmes/séries, como é para você dublar essa atriz que é tão querida?

Angélica: Eu adoro ela! E acho que a minha voz cai super bem nela. Entre os filmes que ela estrelou e eu dublei, lembro sempre do Nunca Fui Beijada (um que adoro), Para Sempre Cinderela, enfim. Nesse último trabalho que fiz (Santa Clarita Diet), que é uma série, recomendo muito, dei muita risada, mesmo não sendo fã de zumbis. Mas um zumbi comédia, tudo bem, né? (risos). Eu acho que ela é incrível!

O que é ser uma diretora de dublagem? Quais trabalhos já dirigiu?

Angélica: Ser diretora de dublagem é uma coisa muito séria. Porque o filme já tem um diretor que estipulou como ele queria. Então, é preciso efetuar um trabalho sintonizado como aquele diretor e com tudo que ele desenvolveu para aquela produção. É preciso ser fiel a tudo que ele aplicou e fazer a obra-prima da obra-prima. Também significa assistir o filme, escalar as vozes certas para cada personagem e estipular os prazos para cada um do elenco realizar suas gravações sempre os acompanhando. Além disso, é preciso dar todas as coordenadas da interpretação, sincronia, do entendimento que você teve do filme e etc.

É um trabalho gigante, mas maravilhoso. Você vai colocando as pecinhas, cada dublador vai enriquecendo com a sua voz e aquele filme vai ganhando corpo. Eu fico encantada com o resultado final do filme. Dá uma satisfação imensa. Os trabalhos que já dirigi, vou lembrar dos últimos, até alguns antigos como ARRASTE-ME PARA O INFERNO, UGLY BETTY (americana). Recente tem o NOS4A2 e uma que não saiu ainda, então não posso falar! (Risos). São muitos trabalhos, mas a cabeça de dublador tem uma memória curtinha (risos).

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Deixe uma mensagem. 

Angélica: A mensagem que deixo é a seguinte: A dublagem tem um papel essencial para muitos indivíduos. Pessoas cegas têm a possibilidade de vivenciar aquela experiência e sentir as emoções conduzidas pela nossa voz. Aos idosos, nada melhor que uma produção dublada para que possam assistir e ter mais entretenimento. Naqueles dias que você chega em casa cansado e não quer ler nada, mas quer assistir algo pra relaxar, um filme dublado exige menos esforço do seu cérebro (risos). Para pessoas analfabetas, que infelizmente são muitas, permite a inclusão. A dublagem também leva a língua portuguesa, que é belíssima em todas sua amplitude, para todo o país. Ou seja, também educa e adiciona cultura na bagagem de cada um. Mas obviamente que a dublagem só é essencial quando bem feita. Hoje nós temos fãs de dublagem, pessoas interessada que quando assistem um trabalho mal feito, elas reclamam e isso é maravilhoso. Por que? Porque ultimamente nós temos percebido que há uma prioridade em enxugar custos numa produção ao invés da qualidade e nós, dubladores profissionais, dependemos dessas pessoas pois com a colocação delas, nosso trabalho é de fato valorizado. Quando elas reclamam, fazem as empresas reconsiderarem e repensarem que essa escolha pelo mais barato atinge diretamente a experiência do público e cada dia mais vem surtindo efeito. Então, a mensagem que deixo é TENHAM VOZ, não só nesse contexto da dublagem, mas para tudo em suas vidas. No cenário das produções, seja de séries, desenhos ou filmes, exponham suas opiniões para os distribuidores. Isso ajuda MUITO na nossa profissão e dá valor aos verdadeiros representantes da área de dublagem no Brasil, que são sensacionais! Queria agradecer a todos que apoiam o universo da dublagem e para aqueles que não gostam, que procurem produções com boas dublagens. O Brasil é reconhecido como um país com as melhores dublagens do mundo. Isso precisa ser valorizado.

Mais uma vez, muito obrigada pela oportunidade e até a próxima.

Glauber Britto é criador do canal ‘Champagne com Dendê’ e já viajou por 35 países, levando cultura para o Youtube e Instagram

Nascido em Vitória da Conquista (BA) é arquiteto, jornalista e amante de gastronomia. Já visitou mais de 35 países, algo que o motivou a fazer um diário de bordo com todas as suas experiências e imagens de todos os cantos por onde passou. Em 2019, começou a compartilhar suas experiências escrevendo e relatando as histórias em colunas assinadas nos portais “Farol da Bahia” e “Viagem e Gastronomia”. Atualmente, além de influenciador digital, comanda também o canal “Champagne com Dendê” no Youtube, onde leva conteúdo por meio de entrevistas e dicas de gastronomia, moda, viagem e lifestyle. Confira a entrevista:

Olá, Glauber, tudo bem? Como surgiu o canal “Champagne com Dendê”?

Glauber: O canal surgiu muito do incentivo dos amigos e das pessoas que me seguem no Instagram. Sempre viam minhas postagens das minhas viagens e falavam para transformar em diário de bordo como já fazia quando escrevia para o site viagem e gastronomia.

Nos conte um pouco sobre quem é Glauber Britto.

Glauber: Difícil falar na terceira pessoa, mas vou tentar ser direto. Glauber Britto é o 6º filho de 7 filhos de um casal de Pernambucanos. Nordestino, nascido na Bahia em Vitória da Conquista, sonhador, sempre quis alçar voos. O primeiro voo foi aos 15 anos quando saiu de casa para estudar em São Paulo e daí ganhou o mundo, é aquariano, é super amigo, se esforça todos os dias para ser o melhor companheiro para seu marido. Adora estudar sobre lugares, adora ir pra cozinha pra receber amigos em casa ou até mesmo para fazer o jantar ou almoço do dia a dia. Apreciador da gastronomia popular e na mesma medida aprecia a gastronomia estrelada, nesse momento torcendo para tudo melhorar logo e poder voltar a viajar!

Tendo passado por 35 países, qual foi sua viagem inesquecível?

Glauber: Todas são inesquecíveis, pois cada lugar é uma cultura diferente. Mas tenho que eleger uma, sempre vou colocar a minha ida pra Tokyo em 2018, porém sempre invento uma desculpa pra voltar a New York que já fui 12 vezes. Então cada um é especial.

Como foi e tem sido a vivência durante a quarentena?

Glauber: Na quarentena, tenho cozinhando mais, tenho estudado muito, ainda estou terminando minha pós que fazia em New York e tive que parar pra voltar correndo devido ao corona. Mas tem dois meses que voltei a estudar on-line, então tem sido bem ocupado, mas não romantizo esse espectro de que todos os dias temos que nos ocupar com mil coisas na quarenta para nos sentirmos funcionais, sou da ideia do que vai na maré contrária, faça só o que te dar prazer não tente mostrar ser o super herói das múltiplas funções. Então tenho levado de forma mais leve apesar de estar longe de casa, pois como alguns sabem não moro no Brasil, hoje vivo em Angola, na capital Luanda com meu marido.

Como um viajante de primeira, como você acha que ficará o turismo daqui em diante? Acredita que tudo voltará ao normal rápido ou irá demorar um pouco ainda?

Glauber: A Europa está levando o verão nesse momento como se nada tivesse acontecendo, alguns países com muitas restrições para o turismo, mas mesmo assim, sem proibir muita coisa. O COVID não vai ser extinto com a vacina, ele vai permanecer no mundo, então tem que naturalmente ir abrindo as fronteiras dos países e deixar o turismo voltar a funcionar. Porém, antes da vacina, implantar regras mais rigorosas, exigir a vacina assim como exigem no mundo todo a vacina de febre amarela. Nesse momento, é só se adequar ao “novo normal”, refazer estruturas para melhor receber os turistas

Em referência a gastronomia, de onde nasceu essa paixão? Qual é o seu prato preferido?

Glauber: Cresci vendo com minha mãe fazendo bolos para aniversários e casamentos, além disso, ela fazia almoço para fora e isso me despertava a vontade de fazer o mesmo, de fazer a alquimia acontecer. Então, logo com 9 anos, minha mãe já começou a liberar a cozinha para que eu pudesse fazer meus experimentos. A primeira coisa que tratei de querer aprender foi a fazer pastel, aprendi a fazer a massa, mas não fritava, deixava minha mãe com essa função. Ela mesmo colocava os limites para minha segurança, então daí não parei mais, sempre com vontade de cozinhar mais e mais. E sempre para receber amigos em casa, até mesmo para sempre fazer algo diferente no meu dia a dia. Meu prato predileto é arroz branco com carne moída bem sequinha acompanhado de purê de batata. Esse prato tem sabor afetivo, pois era o que minha mãe sempre fazer quando estávamos doente, levo nesse prato o carinho da minha mãe e que nele tem uma porção de confort food.

Escolha um vídeo do seu canal que você mais goste e coloquei o link aqui para que as pessoas possam conhecer melhor seu trabalho.

Deixe uma mensagem.

Glauber: Se joguem na cozinha e façam a alquimia acontecer, nada dará certo na primeira vez, porém tente sempre. Uma das coisas que sempre luto é para que as pessoas não estraguem comida, façam o consumo com consciência e aprendam a reaproveitar tudo que for possível, pois temos muita gente passando fome no mundo.

Bella Ciao: Mônica Marianno fala como é dar voz a Mônica Gaztambide e nos conta um pouco mais sobre seu início na carreira

Mônica Marianno, dubladora há 5 anos, seguia carreira de cantora há mais de 20 anos, quando decidiu que queria seguir a dublagem também. Em pouco tempo de carreira a mesma carrega uma vasta linha de trabalhos como: Simon, Hotel Transilvania – ambos da Disney Jr; The Purge da Amazon; P Valley da Starz; entre outros incríveis trabalhos.

Mas atualmente, a mesma tem chamado atenção dando voz a Mônica Gaztambide, a Estocolmo de La casa de papel. E aproveitando o sucesso que a série tem feito e o ótimo trabalho tanto dos atores, quanto dos dubladores, entramos em contato com Mônica para conversar um pouco sobre seu trabalho. Confira a entrevista:

Olá Mônica, tudo bem? Você já seguia uma carreira de cantora quando decidiu virar dubladora. O que a fez seguir por este caminho?

Mônica: Já seguia a carreira de cantora há mais de 20 anos, quando decidi me tornar dubladora. Sempre foi uma paixão desde criança a dublagem, mas para você ser um dublador, tem que ser um ator formado, e só fui estudar arte dramática depois dos 40 anos. Já tinha vinte e poucos anos de carreira como cantora e o que me fez ir buscar, foi a necessidade de me reinventar. O mercado da música aqui no Brasil estava em decadência e previ que deveria ir buscar uma outra fonte de trabalho e de satisfação pessoal.

Nos conte um pouco sobre você.

Mônica: Basicamente, comecei a cantar nos anos 80, nos anos 90 me profissionalizei. À partir de 2004, abri uma empresa de produção de música ao vivo para eventos, e paralelo a isso, sempre gravei jingle, música para estúdios, trilha de filme, comercial… Sempre trabalhei em estúdio com a voz, dei aula de canto.. Até que em 2009, fui para Europa trabalhar no navio de Cruzeiro como cantora, fiquei seis meses trabalhando como cantora de jazz. Quando voltei, estava apaixonada pelo jazz, me dediquei bastante a esse estilo, mas basicamente sou uma cantora de qualquer gênero, sou uma operária da música e agora na dublagem também. Vários personagens, várias pegadas, voz caricata, voz de vovó, voz de bichinho, a gente aprende a mimetizar a voz baseada nos personagens.

Interpretando a personagem Mônica Gaztambide, a Estocolmo de La casa de papel, qual o significado desta personagem para você?

Mônica: O significado para mim é muito especial, porque coincidentemente eu e todos os dubladores de ‘La casa de papel’, principalmente da primeira fase – a primeira e a segunda temporada – aquele elenco inicial, a gente acabou virando uma família. Então existe uma relação muito bonita dos personagens com os dubladores, casualmente existem coisas em comum que a gente acabou adquirindo sobre os personagens. A Mônica é muito maternal, ela é agregadora, e acho que isso vai imprimir nas próximas temporadas. Acho que ela vai acabar, tenho impressão que ela vai acabar tomando um papel de liderança, até porque ela é um pouco mais velha que eles. Acho que me identifiquei bastante com a personagem, ao mesmo tempo que ela tem garra, vai à luta, ela é doce também, é protetora.

Comparando a Mônica dubladora e Mônica personagem, o que vocês duas têm em comum?

Mônica: Quando comecei a dublar a Mônica, também estava no começo da carreira. Estava dublando há apenas dois anos e meio mais ou menos. Hoje já dublo há cinco anos, mas quando comecei, também era muito como Mônica, era mais contida. Você vê, a Mônica era uma secretária que estava em um ambiente que não era a paixão dela, então vejo que também como dubladora me soltei mais. Acho que o personagem tem isso também. Quando encontrei com a Esther Acebo, que é a atriz que faz a Estocolmo, pedi para ela uma dica para entender essas duas fases, a Mônica antes e depois de ter virado Estocolmo. E para ela, a Mônica era como uma fera que tinha ficado todo esse tempo numa jaula, e que ter conhecido o Denver, fez com que ela se libertasse e saísse mesmo para viver. Achei muito bonito isso que ela disse para mim.

Ainda sobre a Estocolmo, como foi conhecer a Esther Acebo pessoalmente?

Mônica: Foi muito emocionante, principalmente, porque ela é realmente uma pessoa muito doce, muito atenciosa. Teve o carinho de conversar comigo sobre a personagem, ela perdeu o tempo dela para falar sobre o trabalho comigo, não só se conhecer, se abraçar, trocar fotos. Na verdade, ela falou comigo de atriz para atriz, e isso me deixou muito encantada, muito feliz. Quem é o dublador que tem a chance de poder falar com o ator a quem ele dá voz? É muito raro, são poucos e fui muito sortuda. E isso foi graças a um fã da série.

A pandemia acabou estacionando muitos planos. Quais são suas metas para depois da quarentena?

Mônica: A pandemia parou muitos projetos mesmo. As minhas metas para depois da quarentena são… é engraçado, mas a vida do dublador não é uma uma vida garantida. A gente todo santo dia tem que bater na porta de um estúdio novo ou se é o mesmo estúdio, tem que ainda convencer um novo diretor a te conhecer, te ouvir, te dar uma oportunidade, te deixar fazer um teste e é exatamente isso que vou fazer. Quando a pandemia estiver sob controle, a gente tiver acesso a uma vacina, vou bater em todas as portas que puder de novo. Quero entrar no mercado de games também, porque tenho a impressão que um dia vão acabar criando um game de ‘La casa de papel’ e queria me aprofundar mais nesse assunto da dublagem de games. Além disso, quero produzir dois espetáculos musicais. Um sobre a vida da Édith Piaf cantora Francesa e o segundo sobre a Amália Rodrigues, cantora de Fado portuguesa.

Quais personagens que você dá voz mais te marcaram?

Mônica: São vários personagens, na dublagem poucos são os dubladores que tem aquele personagem super famoso, só os grandes mitos. Nós que somos dubladores iniciantes – se considera um ator em dublagem iniciante aquele que não atingiu 7 anos de carreira -, até ele atingir 7 anos, é considerado um novato. Então, em virtude disso, sou uma novata com cinco anos de carreira. Fiz coisa que gostei tanto e que não são coisas tão famosas. Simon (Disney Jr), Hotel Transilvania (Disney Jr), 90 dias para casar, Ame-a ou deixe-a Vancouver, Damnation (Netflix), Falling Water (Amazon), Miami Ink (Discovery), Greanleaf (Netflix), Disjoited (Netflix), Happy (Netflix), ID-0 anime (Netflix), Wrecked, Pupstar (Netflix), Nailed It (Netflix), Little Big Awsome (Amazon), Pete The Cat (Amazon), Mysticons, Taken, Glow, My CrazySex, Beyblade Burst, O Mundo de Greg (Cartoon Network), The American Dad (Fox), Ru Pauls Drag Race, Casamento dos Sonhos (Discovey), Stunt Science (Netflix), Dino Dana, Snowfall, Ingovernable (Netflix), Final Table (Netflix), Tesouros do Egito (National Geografic), Larva Ilhados (Netflix), The Purge (Amazon), P Valley (Starz) e muitas outras.

Deixe uma mensagem.

Mônica: A mensagem que deixo é para que as pessoas continuem a prestigiar a dublagem brasileira, porque a dublagem brasileira é uma das melhores do mundo e eu não tenho dúvida disso. Para que ela aconteça do jeito que ela acontece, muitos profissionais estão envolvidos. Técnicos, revisores, gente que faz a marcação dos anéis – as unidades de divisão dos diálogos -, diretores, todas as etapas de um estúdio de dublagem e preparação dos dubladores. E deixaria como um conselho para quem gostaria de trabalhar nessa área, que seja o mais versátil possível em tudo. Leia de tudo, conheça um pouquinho de cada coisa, porque quanto mais você tiver repertório, mas você vai ser rápido para adaptar coisas ali ao vivo. As pessoas acham que o dublador sabe antes o que ele vai dublar, que ele leva para casa, estuda, mas não. Ele só descobre aquilo na hora, assisti uma vez, ensaia na segunda e grava na terceira. Então, é tudo muito rápido, você precisa ser uma pessoa versátil. E a versatilidade é sempre a chave do sucesso na vida, quanto mais você souber um pouquinho de cada coisa, mas chance você tem de sobreviver num mundo hostil. A dublagem vai cobrar isso! Obrigada.

Cauã Martins está na nova temporada de ‘Escola de Gênios’ disponível na GloboPlay

A série traz o dia-a-dia de uma escola com alunos fora do padrão, onde cada um é um gênio de uma área, sempre criando invenções geniais, e arrumando confusões. Otto, interpretado por Cauã Martins, é o gênio da química, e é conhecido entre seus amigos pelo seu senso de humor peculiar e por sempre estar disposto a ajudar quem precisar.

O ator Cauã Martins, já integrou o elenco de diversos filmes, como “Morto Não Fala”, “Sobre Rodas” e “Bingo”, onde interpretou o filho do personagem título, e mais recentemente fez Titi em “Laços – Turma da Mônica”. No teatro, interpretou Chaplin criança, em “Chaplin – O Musical” e Simba criança, na montagem brasileira de “O Rei Leão – Musical, O Marco da Broadway”. Confira a entrevista:

Olá, Cauã, como tem sido para você interpretar o Otto?

Cauã: Tem sido uma experiência incrível poder construir um personagem tão legal, por todo esse tempo e poder viver tantas experiências novas que a série proporciona.

O que você Cauã e o Otto tem em comum?

Cauã: Nós temos várias coisas em comum, mas a maior delas é essa vontade de ajudar os amigos e sempre estar presente quando eles precisam.

Conte um pouco ao público sobre quem é Cauã Martins.

Cauã: O Cauã Martins é um menino de 16 anos que adora arte, que faz piadas ruins e é um grande sonhador.

 O que podemos esperar da nova temporada de ‘Escola de Gênios’?

Cauã: Pode-se esperar novos personagens, novas histórias e muita aventura.

Onde podemos assistir a esse seriado?

Cauã: No canal Gloob a série está na 3ª temporada e na GloboPlay já tem até a 5ª temporada.

Seu mais recente trabalho foi ser o Titi em “Laços – Turma da Mônica”. Como foi essa experiência?

Cauã: Foi muito legal principalmente, porque adoro a “Turma da Mônica” e poder interpretar um personagem do gibi é incrível.

Deixe uma mensagem.

Cauã: A mensagem que quero deixar é que se você tem um sonho, corra atrás, mas não se esqueça de que é muito importante se esforçar e estudar muito.

Destaque da novela ‘Amor Sem Igual’ da Record, Matheus Sampaio lança canal no YouTube ao lado de Nayuri Abe

Quem acompanha a novela “Amor Sem Igual”, da Record, pôde se encantar e se emocionar com o órfão Ivan, interpretado por Matheus Sampaio, de 12 anos. Em sua estreia em novelas, o jovem de Rio Claro, interior de São Paulo, se destacou no núcleo infantil da trama. Ao lado da atriz e apresentadora Nayuri Abe, de 18 anos, ele acaba de lançar um canal no Youtube, o MatTUBE, um projeto que mostra um pouco da vida no campo, voltado para toda a família e com quadros divertidos.

Toda quinta-feira, às 18 horas, tem episódio novo, com conteúdo de qualidade e entretenimento. Confira a entrevista:

Olá, Matheus, tudo bem? Você e a atriz Nayuri Abe acabaram de lançar um canal no YouTube. De onde surgiu essa ideia? Sobre o que será o projeto MatTUBE?

Matheus: Sempre tive vontade de ter um canal no YouTube, e com a quarentena tive mais tempo para me dedicar nesse projeto. O canal Mattube é voltado para toda a família tem vários quadros divertidos, mostra também um pouco da vida no campo e temos vários convidados especiais.

Interpretando o Ivan na novela “Amor Sem Igual” da Record, como é dar vida a esse personagem? O que você considera de mais especial nele?

Matheus: Ivan foi um desafio pois ele vive uma realidade bem diferente da minha. O que considero muito especial no Ivan é o coração bom que ele tem, mesmo tendo levado várias rasteiras da vida ainda no fundo é um bom menino.

Quando você decidiu que queria ser ator? 

Matheus: Aos 6 anos quando apresentei minha primeira peça de teatro no colégio, me apaixonei ali e já tive certeza que era isso que eu queria para minha vida.

Quais são suas metas com esse novo canal ?

Matheus: Me aproximar das pessoas, mostrar um pouco do Matheus e poder fazer aquilo que amo, ARTE.

Como é realizar essa parceria com Nayuri?

Matheus: Para mim é uma alegria gigante, eu com a Nay temos muita afinidade e alto astral e juntos podemos levar essa alegria nas casas das pessoas.

Quais são as expectativas para a aceitação do público?

Matheus: Estou confiante, sei que é um processo lento, pois hoje existe muita diversidade no YouTube, mas acredito no nosso trabalho e no nosso carisma, tenho certeza que vamos alcançar nosso objetivo.

Onde, como e que horas as pessoas podem assistir os novos episódios?

Matheus: No YouTube , canal MATtube toda quinta feira as 18 horas lança um episódio novo, também pode acessar no Instagram que o link está na bio. Aproveite vai lá se inscreve, deixa um like e compartilhem (risos).

Você participou da série “Os Quarentenados”. Como foi essa experiência?

Matheus: Foi muito bacana, porém também foi um desafio. Fizemos tudo on-line, a gravação foi acompanhada a distância com a Direção do  Fernando Ferraz, mas já está no ar, deu tudo certo.

Quais são suas maiores inspirações?

Matheus: Tenho muitas (risos). Mas alguns nomes que admiro muito e tenho vontade um dia, se Deus abençoar, contracenar com eles são: Selton Melo, Murilo Benício e Tony Ramos.

Deixe um recado para o público.

Matheus: Primeiramente quero agradecer o carinho de todos, pois isso me fortalece. Um sonho só não dá certo se você desistir, acredite no seus sonhos, acredite em você e confie sua vida a Deus.

Call com Cleo: a mais nova e diferenciada websérie

Idealizado pela atriz Amanda Azevedo, o monólogo surgiu em meio à pandemia, junto à vontade de contribuir com um entretenimento para as pessoas trancadas em casa.

A história é contada através de monólogos dinâmicos e envolventes,  nos quais a outra personagem da chamada fica no imaginativo de quem assiste. A linguagem, assim como a trama, é atual, jovem e com muitas doses de humor. A série levanta questões relevantes sobre a nossa relação com as redes sociais e o nosso comportamento durante a quarentena. A maneira como a personagem se coloca diante dos conflitos faz com que o público se identifique, se divirta e se emocione. Todos os episódios, sendo 8 no total, já estão disponíveis, pensados para o IGTV. Confira a entrevista:

Olá, Amanda, tudo bem? Você iniciou um monólogo ‘Call com Cleo’. Sobre o que é essa série? E onde o público pode assistir?

Amanda: Olá, tudo bem! A série conta a história da Cleo, uma jovem que passa por um término de namoro na quarentena e então entra em uma divertida missão de se redescobrir e lidar com a nova vida de solteira. A narrativa é contada através de videochamadas bem leves e divertidas. A série aborda questões sobre a nossa relação com as redes sociais e o nosso comportamento durante a quarentena. O público pode assistir no Instagram da série, são 8 episódios no total, disponíveis.

Como surgiu essa ideia?

Amanda: Quando veio a pandemia comecei a me questionar sobre qual poderia ser o meu papel como artista para contribuir para esse momento. Assumi que meu lugar seria no humor, através de uma boa história, para deixar mais leve os dias intensos que todos estamos vivendo.

Comecei a observar muito o comportamento das pessoas na quarentena, percebi que começaram a existir vários perfis, dos mais produtivos e engajados com as novidades aos improdutivos. Nesse olhar atento vi que alguns casais estavam se separando por passarem muito tempo juntos, então pensei em explorar o oposto, casais que estão passando a quarentena separados e assim percebem que não sentem falta um do outro. Diante disso, nasceu a Cleo.

Quais são as expectativas para a recepção do público?

Amanda: Estou super feliz com o retorno das pessoas que já maratonaram a série. Elas embarcaram muito na história, se identificaram e já estão me pedindo segunda temporada! Então acredito que o público que ainda não conhece, ao assistir, vai criar uma empatia pela história da Cleo e até querer ser amigo dela (risos). Mas principalmente, espero que as pessoas se divirtam com a história e que ela traga um respiro para o dia delas.

A Cleo é intensa, espontânea e divertida. O que mais pode nos falar sobre ela?

Amanda: A Cleo gosta muito de se comunicar com as pessoas, passa a série toda fazendo vídeo chamada. Ela não pensa muito antes de falar, inclusive muitas vezes acaba revelando sentimentos que as pessoas sentem, mas não tem coragem de dizer. Isso que a torna divertida. A forma que ela lida com as situações do dia a dia, cheia de falhas e ao mesmo tempo querendo criar máscaras para escondê-las ou seguir um padrão, faz com o que o público se reconheça em vários comportamentos e se conecte com as questões dela.

O que a Cleo e Amanda têm em comum?

Amanda: “Todo mundo tem um pouco da Cleo” – essa é a frase que eu mais ouvi de quem assistiu, e concordo com ela. Esse “pouco” que tenho dela eu acho que é a parte do “querer fazer tudo”, ou participar de tudo. A doida dos cursos, (risos). Mas acho que isso vem da minha necessidade de se comunicar, de trocar com o outro, do interesse em conhecer coisas novas, que a Cleo tem também. Ah, e o senso de humor! Sempre tem uma dose de humor quando me expresso. 

Sobre Amanda Azevedo, como surgiu o amor pela área ? Nos conte um pouco sobre seu início.

Amanda: Entrei para um grupo de teatro aos 7 anos e fiquei nele durante 11 anos, junto com o teatro da escola. Participei de mais de 20 peças nesse tempo. Eu realmente me encontrei. Era um lugar importante pra mim, de expressão, principalmente quando criança que eu era mais tímida. Lá era onde eu deixava fluir minha energia criativa, minha imaginação, eu podia ser quem eu quisesse. Minha conexão com a área começou aí, durante esses anos fazendo teatro. Então mais velha, comecei a estudar mais a fundo e entendi que era amor mesmo, assim decidi seguir como profissão.

Deixe uma mensagem.

Amanda: Gostaria de deixar minha mensagem a quem tem vontade de criar seus projetos ou tirar eles do papel. Durante esse processo com a série percebi como esse espaço da criação é infinito, libertador e delicioso, principalmente quando estamos envolvidos em algo que amamos e acreditamos. Quando eu me permiti entrar nesse fluxo de ideias descobri coisas que eu nem imaginava que podia fazer, como escrever textos. Muitas vezes nos limitamos por medo, insegurança, e colocamos vários empecilhos para não fazermos. Mas a gente precisa começar de algum lugar, nunca saberemos se uma ideia é boa se não começarmos. É melhor feito do que perfeito, porque é com ele feito que poderemos melhorar e ir além.

Conheça um pouco mais sobre a história de Luisa Palomanes

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Carioca, a atriz e dubladora Luisa Palomanes dá voz a incríveis personagens como: Hermione Granger da Saga Harry Potter; Docinho das Meninas Super Poderosas; Mantis de Guardiões da Galáxia; Tris na saga de Divergente; Mera em Aquaman; Hazel G. Lancaster do filme A Culpa é das Estrelas; Princesa Mérida em Valente; Rebecca Chambers em Resident Evil: Vendetta; Jane da série Jane, a Virgem; Alex Russo de Os Feiticeiros de Waverly Place; Carly Shay de ICarly; Vanessa Abrams de Gossip Girl; Iris West Allen de The Flash; Clary Fray em Shadowhunter; Sansa Stark em Game of Thrones; Olivia de Sex Education; entre outros. Confira a entrevista:

Olá Luisa, tudo bem? Você iniciou na dublagem aos 11 anos, nos conte um pouco sobre sua carreira desde o início até os dias atuais.

Luisa: Comecei no teatro, depois entrei na dublagem e tô aí (risos). Essa é a verdade, claro, a gente passa por muitos altos e baixos, o mercado mudou muito, se expandiu muito, mudou o formato… Estamos nos adaptando a estes formatos. Até tentei algumas vezes sair da dublagem, fazer outras coisas, mas sempre foi uma grande paixão para mim.

Dublar Hermione Granger, na série de filmes Harry Potter foi o ápice da sua carreira. Qual o significado dessa personagem em especial para você? Ainda escutam sua voz e comentam sobre ela?

Luisa: Sim, sobre dublar Hermione não sei se digo que foi o ápice, porque tenho bastante personagens bem legais, bem significativos, mas ela foi especial no sentido de aproximação com o público. É uma das personagens que me leva muito em palestras e é uma personagem que mexe muito com o público jovem. Sim, as pessoas ainda comentam sobre ela, é muito bom fazer parte disso, dessa história, desse legado que de alguma forma marcou tanta gente. É muito bom poder dar voz para uma dessas personagens.

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Das personagens que você já deu voz, existe alguma que você considera a mais especial? Ou existe algum personagem que você ainda sonha em dar voz?

Luisa: Mais especial não sei, existe umas queridinhas: Mérida, Hermione, a Katara, Estelar, Docinho, a Princesa Bean de Desencanto. Cada hora chega uma para ficar um pouco. E que sonhe dar voz, se eu cantasse, na verdade, teria um sonho de fazer um musical, mas teria que cantar. Quem sabe, quem sabe um dia não, um dia, um dia será.

Tem algum personagem na qual você se identifica ? Por qual razão?

Luisa: Me identifico com bastante. Acho que a gente sempre consegue ter alguma empatia pelo personagem, ainda mais quando a gente é escalado, quando somos escolhido para fazer a voz desse personagens. De alguma forma, a gente tem aquilo ali dentro da gente para conseguir emprestar para o personagem, porque senão acho que não seriamos chamados. Então, acaba que tem sempre alguma coisa que a gente se identifica. Seja empoderamento feminino, característica específica, a gente acaba sempre se identificando de alguma forma.

Tem algum tipo de diferença na hora de dublar um filme/série, para um jogo?

Luisa: Tem, porque na verdade no jogo, normalmente não temos a imagem, então vamos no áudio e às vezes não sabemos quem é, como é a cara da personagem. A gente tem que ir bem em cima da voz e da referência que o diretor passa para a gente. Às vezes tem uma imagem estática do personagem, mas isso não é uma regra, existem jogos que são dublados com imagens, mas a maioria, a grande maioria que vem para mim pelo menos, são sem imagem. Por um lado é mais fácil, porque a gente não precisa sincronizar na boca. Por outro lado, é mais difícil, porque a gente acaba perdendo um pouco da referência, se o personagem lá interpretar mal no original, a gente não sabe muito bem o que está acontecendo, a gente não tá vendo a cena. Então, se o diretor às vezes também não souber, a gente fica meio que dublando no escuro digamos assim.

Existe alguma que tenha se arrependido de dublar ou achado que poderia ter se saído melhor depois que assistiu?

Luisa: Ter me arrependido de dublar não. Tenho senso crítico muito grande, então é uma coisa de perfeccionismo com o trabalho. Sempre olho para as coisas que, de repente, numa vez seguinte possa fazer melhor. Tento não me julgar, porque a gente sempre dá o que pode naquele momento, mas sempre dá para aprimorar um pouco.

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Qual dica você daria para quem quer seguir a mesma área ?

Luisa: Uma dica para quem quer seguir essa área, mas não agora na pandemia (risos), porque acho que não é o momento mais apropriado para entrar, primeiro precisa do DRT. O registro de profissional de ator é obtido através de faculdade de artes cênicas ou até mesmo através de cursos profissionalizante de teatro. Depois um curso de dublagem em si para poder aprender as técnicas, porque não adianta fazer o curso sem ter esse DRT, pois até tirar o registro você já vai ter esquecido as técnicas, não vai ter colocado em prática. Depois vai precisar de uma reciclagem, a não ser que a pessoa queira fazer só para conhecer, ver como é. Acho interessante conhecer esse mundo paralelo que é dublagem, esse mundo mágico.

E acredito que é um pouco de dom, no sentido de que para algumas pessoas já é mais natural, como acredito que seja para mim, e também treino, constância. É de repetição que a gente consegue chegar em um lugar legal, no trabalho legal. Acho que é indo a cada dia, progredindo e percebendo as melhoras. Ao mesmo tempo, procurar um curso legal, referenciado para não cair na mão de qualquer curso. Algum que seja reconhecido dentro do próprio mercado de trabalho. E é isso, botar muito amor no que se faz, muita atenção, estar ali entregue para o trabalho.

Quem entra só pensando em ganhar o dinheiro, pode sair frustrado. Acho que em qualquer carreira, porque assim como qualquer mercado, a dublagem tem suas regras de funcionamento, suas hierarquias e suas questões. É bom também chegar com uma questão básicas de ética sobre o que fazer ou não fazer. E isso muitos cursos não direcionam, ensinam a técnica, mas não ensinam como um novato se comporta no mercado, como é que ele se lança no mercado, como é que ele é visto pelas pessoas que já estão lá. É preciso, porque muita gente vem como fã de dublagem que quer virar dublador. Como é que essas pessoas que chegam são recebidas pelos antigos? Como elas veem essa recepção? Tudo isso, um bom curso acaba direcionando de como se comportar, a hora que chega nos estúdios, o próprio comportamento dentro do estúdio, todas essas questões.

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Deixe uma mensagem.

Luisa: Acho que a mensagem que tenho para deixar é que, também como fã de dublagem, acredito que o poder está sempre nas nossas mãos, tanto na mão do artista, quanto na mão de quem consome. Acredito que se o produto é direcionado para a gente, a qualidade somos nós que decidimos. Acho que é sempre bom prezar por isso, por uma boa dublagem e também por uma dublagem original, no sentido de espalhar. A minha mensagem é espalhar. Vejo o home studio como uma nova possibilidade de trabalho, como uma nova opção, não necessariamente como uma obrigatoriedade.

Sei que o presencial vai continuar sendo a primeira opção, mas acho que é um boa opção justamente para em algum momento o ator que vai fazer aquele personagem, possa fazer sua parte de casa, possa ter essa opção de trabalhar de casa. Já provamos que é possível, com paciência e boa vontade, aprimorar todas essas ferramentas da tecnologia, possibilitando trabalhar de casa e manter uma dublagem fiel. As pessoas se apegam também pela voz, a gente também da vida aos personagens, então, por que trocar essas vozes?

É uma coisa que sempre bato muito na tecla, sobre botar mesmo a boca no trombone, na internet, no sentido que há espaço para isso hoje em dia, sobre as insatisfações. Muita coisa já começou a mudar, pessoas falando que não gostaram da série tal, da dublagem da série y, e daí elas falaram e fizeram tanto barulho, tiveram essa coisa atendida, essa solicitação atendida, no sentido de mudarem mesmo a dublagem. E isso é um ponto muito positivo, mostrando que a união dos fãs da gente, porque me incluo nisso, essa união que faz a força, que faz a coisa girar.

Conheça Bia Borinn a vilã Úrsula da série ‘Experimentos Extraordinários’

Foto por: Alexandre Ormond

Bia Borinn está brilhando nas telinhas na série Experimentos Extraordinários, exibida pela TV Cultura. Gravada em 2014 e exibida na época no Cartoon Network e depois na Netflix, o folhetim infanto-juvenil tem como objetivo retratar os bastidores de um programa de TV sobre experimentos científicos caseiros. Interpretando a vilã Úrsula, Bia comemora a volta do seriado, especialmente em um momento delicado que estamos vivendo por conta do coronavírus. Para a atriz, Experimentos Extraordinários tem ainda um “sabor especial”, já que marcou sua estreia em uma série de TV.

A brasiliense de 39 anos cresceu em São Paulo e desde 2014 mora nos Estados Unidos com sua família. Casada há 11 anos com o também ator Eduardo Munniz e com quem tem dois filhos, Miguel e Matteo (8 anos e 1 ano), os dois mantinham idas constantes a Nova York para assistirem peças da Broadway e se atualizarem sobre o mundo da dramaturgia, até que decidiram permanecer no país por um ano que se transformaram em 5 anos e meio. Confira a entrevista:

Olá Bia, tudo bem? Nos conte primeiramente, quem é Bia Borrinn ?

Bia: A gente é tantas pessoas em uma só, não é? Mas de maneira simples sou uma mulher, mãe e atriz.

Você faz parte da série ‘Experimentos Extraordinários’, exibida pela TV Cultura. Como é viver a Úrsula? Apesar de ser uma vilã, consegue encontrar algo nela que você também tenha ?

Bia: Ah a Úrsula é meu lado tirana, sem paciência. Mas a Úrsula se diverte sendo malvada, eu não.

Quais são suas metas para o futuro ?

Bia: Quero conseguir criar meus dois meninos da maneira mais saudável e tranquila possível, e continuar produzindo conteúdo como atriz e filmmaker.

Arquivo Pessoal

Entre 2008 a 2009 comandou seu primeiro programa ao vivo, o “HitTvê”, na Rede TV!. O que essa exibição contribuiu para sua carreira ?

Bia: Foi um aprendizado absurdo, o Luciano Amaral praticamente nasceu na TV e é um excelente comunicador. Aprendi como é um programa ao vivo, com ponto, teleprompter, ligação de telespectadores, entrevistas, convidados… muito improviso… eu adorei!

Qual o significado na sua vida trabalhar com Alan Ayckbourn, um dos maiores dramaturgos da história do teatro inglês ?

Bia: O Alan é um grande mestre. Observá-lo dirigir foi um presente na vida. Calmo, respeitoso, bem humorado, profissional. Entendi que o grande diretor é quem consegue harmonizar todos que estão no processo criativo de maneira que cada um dê o seu melhor – e que seja uma experiência positiva, divertida. O texto era dele e os atores eram maravilhosos também.

Você está atualmente preparando uma série exclusiva para o IGTV que se passará em Santa Monica, cuja protagonista é uma brasileira. O que pode nos adiantar sobre o seriado ?

Bia: Posso adiantar que será sobre uma brasileira, mãe de 3 filhos, casada com um americano, que não consegue mais trabalhar como atriz pois foi engolida pela maternidade e pelas dívidas. Será uma micro série, com poucos episódios curtos, e que trará uma diversidade grande de atores. Quero ajudar um pouquinho a quebrar os estereótipos de Hollywood.

Vivendo em Los Angeles, como foi e é viver na quarentena?

Bia: Quando começou a pandemia eu saí e fui para o Brasil, porque com as escolas fechadas, tudo parado, não sabia o que ia acontecer e queria estar perto da família. Agora estamos prontos para voltar para nossa casa e encarar o que vier pela frente.

Deixe uma mensagem.

Bia: Estejamos atentos para não sermos manipulados para que nos odiemos. É assim que perdemos a razão e a força do coletivo, como povo. Vamos valorizar nossa cultura, nossos artistas, nossos professores. Verifiquemos as fontes das notícias. E, acima de tudo, cuidemos das nossas feridas para que não propaguem um ciclo de ódio e raiva atoa por aí. O mundo precisa de ação guiada pelo amor.