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Com intuito de passar boas energias, amor e felicidade ao seu público, Yago Mapoua é o que podemos considerar uma influenciadora diferenciada. Assumidamente homossexual, a jovem moradora da Rocinha que já está fazendo sucesso há um bom tempo, conseguiu vencer na vida através da fama que ganhou em consequência de sua própria vida.

Inspirada pelo ator Paulo Gustavo e por sua mãe, subestimada por muitos que conhecia e que viviam na mesma comunidade, rotulada através de preconceitos e de falsidades, Yago conseguiu o apoio de sua família, e isso fez com que pouco tempo depois, e com muito esforço, se tornasse exemplo para não só o público LGBTQUI+, como também para todos. Venha conferir a entrevista!

Você não tinha o desejo de ser uma influenciadora digital, mas acabou ganhando fama durante a produção de alguns vídeos. Como foi para você quando começou a receber esses feedbacks das pessoas dizendo que gostavam do seu trabalho e pedindo por mais?

Para mim foi muito gratificante e maravilhoso saber que os meus vídeos com a minha mãe tomaram uma proporção tão grande, e que pais, mães e famílias passaram a aceitar seus filhos do jeito que eles são e passaram a respeitar os espaços deles. Foi muito gratificante saber que eles também tiraram pessoas da depressão. Adoro quando entro nas minhas redes sociais e tem uma mensagem falando – “Mapoua, obrigado por me salvar de uma depressão com os seus vídeos espontâneos e divertidos.” – Isso para mim é muito gratificante.

Foto via Instagram

Como surgiu o nome artístico Yago Mapoua?

Então, “Mapoua” é uma gíria gay. Não fui eu que inventei o nome, porém, eu acabei dando mais visibilidade, pois fiquei persistindo nesse nome – “Eu sou Mapoua, Eu sou Mapoua,…” – e essa palavra significa mulher. O “Maphona”, já fui eu que inventei. Sem querer isso acabou saindo, foi espontâneo – “Ai mãe, eu sou Mapoua, Mapouona!” – e estou até hoje sendo conhecida como Mapoua.

Seus vídeos viralizaram quando começou a interpretar a Dona Hermínia, personagem icônica do ator Paulo Gustavo. Como se deu a escolha desta personagem em especial?

Eu sempre amei e irei amar eternamente esse ícone que se chama Paulo Gustavo. Quando eu comecei a encarnar a Dona Hermínia, eu ganhei uma peruca de Bob de uma amiga fofa minha, e com isso, fiz meu primeiro vídeo e postei no Facebook. Ele acabou viralizando, todo mundo amou e adorou. Um belo dia, eu fui à peça do Paulo Gustavo no Teatro Oi Casa Grande no Leblon, e nós acabamos nos encontrando, e ele me deu um conselho maravilhoso e que eu o levei para a minha vida. Hoje, se eu tenho tudo que eu tenho, se tenho a visibilidade que eu tenho, o meu nome Yago Mapoua, eu agradeço a ele.

Lá no teatro, ele virou para mim e falou – “Yago. Eu admiro o seu jeito de ser, a forma que você me ama, mas, eu Paulo Gustavo, quero que as pessoas conheçam o Yago, porque não adianta você ter a minha voz e as pessoas lembrar-se de mim. Eu quero que as pessoas lembrem de você! Então, para que isso aconteça, você tem que criar o seu personagem!” – Nessa hora eu fiquei com medo, porque eu não queria, eu desejava continuar encarnando ele. Eu não queria ser ele, porque Paulo Gustavo só é um, assim como nós só somos um. Eu fiquei com esse medo, porém, depois eu gravei um áudio para um amigo meu, a Kathy, falando que eu iria à festa, muito garota, muito menina, que iria jogar uma sainha ou um cropped, e nisso saiu a voz da minha mãe ao fundo falando – “Toma vergonha na tua cara! Tu é homem, vai com roupa de homem: blusa gola polo, bermuda, tactel …”, e eu acabei respondendo – “Mãe, não se mete!”. Quando eu enviei esse áudio para a minha amiga, ela riu muito, e ela falou – “irmã, grava um vídeo assim!”. Eu gravei e joguei no Facebook, e quando acordei já estava viralizado.

Foto via Instagram

Sua mãe acabou entrando no meio e agora também grava vídeos com você. Como é ter essa parceria?

Minha mãe é um ser incrível, uma pessoa maravilhosa e ela são tudo na minha vida. No início dos vídeos, muitas pessoas criticaram, porque achavam que era uma falta de respeito de minha parte com ela, e teve gente que pensou que ela era homofóbica e que ela não me aceitava, porém, era tudo uma brincadeira. Nós só queríamos passar para as pessoas que a vida é feita de diversão, amor e aceitação. Como muitas pessoas se revelaram para suas famílias depois de ver os meus vídeos com a minha mãe. A minha mãe até chegou a gravar um vídeo na internet que viralizou também, dizendo que me ama do jeito que eu sou, me aceita, respeita meu espaço, além da decisão que eu tive para a minha vida. Hoje, amanhã e sempre, tendo a minha mãe ao meu lado nos nossos vídeos, sempre vai ser glorioso, sempre vai ser maravilhoso e gratificante.

Foto via Instagram

Além de influencer, você também vem seguindo a carreira musical. O que podemos esperar para o futuro nesses seus novos projetos?

Quem cuida da minha carreira musical é o DJ Batata que também é o meu empresário. Uma pessoa que eu amo muito entrou na minha vida para fazer diferença, e, além disso, posso dizer que tem muitas coisas boas aí no futuro!

Moradora da Rocinha, qual é a importância em sua visão de representar sua comunidade como uma influenciadora de mais de 900 mil seguidores no Instagram?

Eu moro na Rocinha desde que ainda era um espermatozoide né. Entrei no útero da minha mãe, fui me desenvolvendo e nasci na Rocinha! Morar na Rocinha para mim é muito bom. É muito maravilhoso, a minha infância toda, eu passei em um lugar aqui na Rua Três, porém, conheço aqui de ponta a ponta. Mas, o problema de morar aqui também, é que as pessoas de dentro da sua comunidade nunca vão te aplaudir, e nunca vão fazer você crescer. É mais fácil e provável que elas façam alguém de fora crescer do que alguém que mora dentro da sua comunidade.

Quem te dá visibilidade, quem te dá atenção, leva e faz o seu nome, são pessoas de fora de onde você mora. Elas sim valorizam o seu trabalho. Eu falo isso por experiência própria, porque quando eu não tinha a visibilidade que tenho hoje, muitas pessoas não falavam comigo, ou até mesmo as que falavam, era apenas um “Oi” e um “Tchau”, e até as pessoas daqui da Rocinha que não gostavam de mim, e que já havia tido problemas comigo. Hoje em dia elas rendem homenagens, pedem para tirar foto, fala que ama, fala que adora que cresceram e brincaram junto, que são desde a infância. Eu não levo isso para o pessoal, não levo isso para o meu coração, eu trato todo mundo bem, porque eu sei que sou uma pessoa diferente das que moram aqui na Rocinha, pois as pessoas aqui de dentro, eu sei quem elas são uma por uma. Sei quem estava comigo desde o meu início, quando eu corria a Rocinha toda descalço, porém, eu também sei quem nunca esteve comigo, quem já teve problema, as que quando eu passava na rua me apedrejaram, jogavam bolinhas de papel, piadas de que eu era um “viadinho” ou uma “bichinha”, “mariquinha”… sei quem é todo mundo. Hoje, os que me criticavam, falam que me amam. Então, eu acho que personalidade cada um carrega a sua, assim como o caráter. Não é porque hoje eu tenho uma visibilidade, não vou nem dizer mídia, porque mídia para mim quem tem é Beyoncé, Anitta, Ludmilla,… Elas sim têm mídia, eu tenho visibilidade.

Hoje com a visibilidade, as pessoas querem se aproveitar de mim, querem chegar para falar que me adoram e que amam, eu já não sei se elas estão falando a verdade, porém, como sou uma pessoa boa de coração, eu levo isso comigo como se elas estivessem falando a verdade. Não quero saber se elas estão de maldade, falando se está tudo lindo e maravilhoso, porém, no sentido de maldade. Eu não vejo maldade, eu vejo é o lado bom.

Foto via Instagram

Como você determina seus fãs em apenas uma palavra?

Eu determino os meus fãs pelo amor, amor, amor, amor (16x)… meus fãs para mim são meus amores. É tudo o que eu tenho! Posso perder tudo, todos os meus bens materiais, eu só não posso perder meus fãs, meus seguidores, admiradores e pessoas que gostam de mim.

O que a fama que a internet tem lhe proporcionado tem trazido de maior benefício para sua vida?

A fama na internet me trouxe coisas que eu nem esperava, coisas que nunca imaginei que iria fazer, trabalhos que nunca pensei em conseguir. Como garota propaganda, a internet me trouxe a AREZZO, onde estampei coleção, SalonLine, e entre outros trabalhos, ela me trouxe uma outra vida. Trouxe-me um novo amadurecimento, uma nova maneira de pensar, de agir, de ser um ser humano, não que eu não fosse um antes. Quando você passa a trabalhar com esse ramo da internet, tem que amadurecer mais, ficar atenta porque muitas pessoas irão se aproveitar de você. Não se pode deixar levar por poucas coisas, pois são muitas as coisas ditas, então é nessa parte que deve-se ser mais maduro.

A fama na internet me trouxe pessoas que eu nunca pensei em conhecer, lugares que nunca pensei que poderia ir. Isso é algo que quero que todo mundo que tenha seus objetivos, propostas, seus sonhos a se realizar, quero dizer para elas irem em frente e não desistirem nunca. Muitos irão dizer que não dará certo, e você tem que saber responder que só não dará certo se eu não quiser, porque vamos continuar tentando.

Foto via Instagram

Para o público que assim como você sonha em se tornar influencer, quais dicas você daria?

A dica que eu dou para as pessoas que queiram se tornar influenciadoras é que elas não desistam nunca dos seus sonhos, porque as duas pessoas que podem realizar os seus sonhos – a primeira é Deus e a segunda é você. Deus irá te colocar no caminho certo, e você precisará usar suas pernas para caminhar. Então, só quem pode realizar o seu sonho são duas pessoas, Deus e nós mesmos.

Muitos irão virar para você dizer para parar com isso, falar que está sendo chacota, que isso está sendo uma palhaçada, que não irá chegar a lugar nenhum … a menos que você não queira! Porque se você bater com pulso firme no chão e falar “eu vou” e ir, você vai ver do que eu estou falando, porque quando eu comecei todo mundo falou que era uma loucura, que era palhaçada, que eu estava fazendo isso somente para ter visibilidade. Não era por isso, era porque eu gostava daquilo, gosto de ser feliz, alegre, passar a minha energia positiva de amor e felicidade para aqueles que estão precisando sorrir. Gosto de ouvir de outras pessoas – “Mapoua, se não fosse por você, eu não teria conseguido isso.”

Então, a dica que eu dou para as pessoas que queiram se tornar influenciadores, é que você nunca pode colocar a sua cabeça tipo – “Ah, mas eu não tenho 1 milhão de seguidores, então, eu não sou influenciadora”. Porque essa pessoa não seria? Ela pode ter 10 seguidores, e você pode ser influenciadores, blogueira, sim! Eu garanto que o seu maior fã, e seu maior público, são a sua família, e depois que vem as pessoas. Essas pessoas que vão vir vão amar você, seu trabalho, e te admiram pela pessoa que você é, e não pelos números.

A minha dica é não desistir, pois se você não realizar o seu sonho, ninguém irá realizar por você.


Acompanhe Yago Mapoua no Instagram

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

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