O terror esperado para o Dia das Bruxas

Ensaios sobre Mortos- Vivos, organizado por Rodrigo Gonsalves e Diego Penha e publicado pela Aller Editora, referência em obras dedicadas à psique humana, parece cair como uma luva no momento que vivemos. O próprio nome da obra faz alusão ao Halloween, no entanto o livro traz uma oportunidade de reflexão muito mais profunda do que a ficção jamais poderia fazer, apresenta uma oportunidade de refletirmos se realmente somos senhores de nossas escolhas ou simplesmente vivemos automatizados, como mortos-vivos. Será que estamos em um eterno Halloween?

O isolamento, rostos pálidos, corpos sem contato humano que se movimentam como se fossem autômatos, vagueiam pelas ruas de máscaras – ou não, em busca de algo que possa satisfazer sua fome. Fome de quê? Poderia ser um cenário zumbi, mas trata-se do nosso novo normal.

A sociedade já não é mais a mesma, os dias parecem se repetir, os projetos que pretendíamos realizar ficaram suspensos, nossa vida está resumida a incertezas, e não sabemos o mundo que encontraremos quando voltarmos a cruzar as portas da rua.

Mas como éramos antes da pandemia? Em que consistia a vida que levávamos? E a que levamos agora? A partir de um olhar ora político, ora psicanalítico, ora artístico, mas sempre contextualizando sobre o simbólico dos corpos sem alma, os textos reunidos esmiúçam o conceito de decomposição para revelar o que há de comportamento zumbi nas relações humanas (ou desumanas).

Resta saber se após essa leitura, você se descobrirá vivo ou não!

Editora Laszlo lança livro que ensina o caminho para envelhecer com saúde

Envelhecer com saúde é o desejo da maioria das pessoas e cuidar da alimentação é um dos meios para se ter uma vida longeva e ativa. Com o passar do tempo, o corpo começa a nos mostrar que a energia dos 20 e poucos anos ficou para trás, é quando dores e um ou outro problema de saúde surgem com mais frequência. Mas muito dos males que acometem às pessoas com o passar dos anos podem ser evitados com a mudança de hábitos e estilo de vida.

Conhecer as respostas do corpo através do que oferecemos para ele – seja pela alimentação ou do próprio meio em que se vive – pode evitar 90% das doenças e sinais de envelhecimento ao qual estamos sujeitos a vivenciar. É esse o tema do lançamento da Editora Laszlo, “Mais jovem pelos seus genes”, da autora Sara Gottfried. O título aborda os efeitos da epigenética e o quanto a saúde e o bem-estar podem andar juntos com a maturidade a partir do nosso investimento em autocuidado.

Cientista, pesquisadora, palestrante, professora de yoga e médica ginecologista formada em Harvard, Sara Gottfried tem mais de 25 anos de experiência. É autora de livros que frequentemente ocupam as listas dos mais vendidos do The New York Times e da Amazon.

A obra apresenta um programa de sete semanas, composto de um conjunto de propostas relacionadas à alimentação, ao sono, ao movimento, ao relaxamento, à exposição, ao descanso e ao pensamento. Depois desse período, o protocolo “Mais Jovem” funciona de forma contínua para manter as células se dividindo para sustentar os mecanismos de reparo do DNA e para reduzir suas chances de uma doença degenerativa, por exemplo. “Ao longo da vida, as influências mais profundas para a sua saúde, vitalidade e funcionamento não serão os médicos que você visita, os remédios e as cirurgias e outras terapias as quais você recorre. As influências mais profundas serão os efeitos cumulativos das decisões que você toma a respeito da sua dieta e estilo de vida na expressão de seus genes”, define o nutricionista genético Jeffrey Bland, que assina uma das citações do livro.

Romance de Jami Attenberg, aborda os danos psicológicos de uma relação familiar tóxica

Chega ao Brasil o sétimo romance de Jami Attenberg, obra que está conquistando leitoras de diferentes faixas etárias pelo mundo, sobretudo por trazer uma compreensão profundamente humana de personagens complexos, que formam uma família disfuncional.

Figurando na lista de melhores títulos lançados na temporada – em publicações como People, Vogue, EW, New York Post, Observer e Buzzfeed –, Nem tudo tem que ser seu (All This Could Be Yours, título original), é uma exploração oportuna e penetrante do que significa ser pego na teia de um homem tóxico; mostra como um relacionamento abusivo pode envolver gerações e aborda o que é preciso para se libertar. Com projeto gráfico de Manu Dourado e capa da Nine Editorial, o livro é um lançamento da Primavera Editorial.

“Se eu sei o porquê de ele ser do jeito que é, talvez eu possa entender o porquê de eu ser do jeito que sou”, pensa Alex, uma advogada cabeça dura, mãe amorosa e filha de Victor Tuchman – incorporador imobiliário sedento por poder. Agora que Victor está mais no leito de morte, ela sente que pode, finalmente, descobrir os segredos do pai. Ela viaja para Nova Orleans para estar com a família e, principalmente, para interrogar a mãe, Barbra, que se defende das perguntas incansáveis de Alex e reflete sobre a vida tumultuada com Victor. Enquanto isso, Gary – irmão de Alex –, está incomunicável, tentando iniciar a carreira no cinema, em Los Angeles. A esposa de Gary, Twyla, está tendo um colapso nervoso, explodindo em choro. A disfunção está no auge. À medida que cada membro da família lida com a história de Victor, eles devem descobrir uma maneira de seguir em frente, um com o outro, por si mesmos e pelo bem de seus filhos.  

Em uma entrevista para Joe Fassler, publicada pelo The Atlantic, a escritora e ensaísta Jami Attenberg afirma que o protagonista de Nem tudo tem que ser seu, Victor, é uma pessoa inerentemente solitária – da mesma forma que os narcisistas tendem a ser. “Por meio da sua solidão, ele justifica o fato de ser mercenário. Ele não acredita na vida após a morte de forma alguma; nunca sente que será julgado. Se fizer algo errado, não importa; a vida é apenas para o próprio prazer ou entretenimento; ele sente a emoção de ser cruel. Para mim, essa é uma mentalidade solitária, mas claro que existem outros personagens para os quais a qualidade de estar sozinho é, pelo menos potencialmente, algo rico e sustentável quase ao ponto de ser uma visão de mundo ou estética”, declara.

Para o Observer, sobre a motivação para escrever uma obra sobre masculinidade tóxica nos Estados Unidos e o flagelo do capitalismo, a autora declarou: “Eu estava interessada em mulheres brancas que votaram em Trump. Certamente é para onde meu olhar está indo agora, mas acho que a cada livro estou tentando descobrir o ‘porque’ dos personagens, e há inúmeras perguntas a serem respondidas no universo. Meus livros não vêm de um lugar de abordagem política, eles vêm de um lugar de personagens, pessoas, humanidade. Minha política entra inevitavelmente. Também não é uma coisa nova explorar a maneira como os homens maltratam as mulheres na minha ficção. O impacto do patriarcado na estrutura da família americana e nas identidades e psiques das mulheres é um tema de longa data em meu trabalho”.

TRECHOS DO ROMANCE |

Página 11

“(…) O telefone tocou. Era sua mãe, com quem ela raramente falava, exceto uma ou outra conversa desagradável ocasional. Trocavam fatos básicos da vida. Ela desistira dos pais havia muitos anos. As coisas nunca seriam honestas entre eles. Então, por que se preocupar em ter qualquer relacionamento com aquelas pessoas? Ela atendeu ao telefone de qualquer forma. Ninguém liga tarde assim para dar uma notícia boa. Se ela não atendesse, ficaria acordada a noite toda, imaginando o que poderia ter sido. Melhor saber logo.”

Página 27

“(…) Alex, em Nova Orleans. As coisas tinham mudado, agora estavam em movimento; um rio congelado havia muito derretia dentro dela, e as corredeiras estavam se formando. Agora, apesar de que nunca diria isso para ninguém, ansiava pela morte do pai, para que finalmente pudesse saber a verdade sobre ele.”

Página 100

“(…) Ela não queria filhos; Victor queria. Mas seu corpo estava sendo requisitado para a produção.”

“O Coração do Rei”: romance histórico revela fatos da vida e nuances inéditas de dom Pedro I

Muito já se escreveu sobre o primeiro imperador do Brasil, mas nada que se compare aos comentários apresentados em O Coração do Rei – A vida de dom Pedro I: o grande herói luso-brasileiro. Publicada pela Edições de Janeiro, a obra externa facetas pouco conhecidas do jovem impetuoso em seus 36 anos.

Com curiosidade jornalística, apurada pesquisa em documentos e periódicos de época e um prazeroso estilo literário, a jornalista e escritora Iza Salles vai além. Retrata um estadista astuto, negociador, gestor, respeitoso filho, pai apaixonado e um defensor das liberdades democráticas, ainda que nascido em berço autoritário.

O absolutismo que moldara na infância sua índole indomável nele se alternava com a admiração incontida pelos princípios do constitucionalismo, por cuja beleza fora arrebatado muito jovem. Resistia a se deixar comprimir nos moldes constitucionais, mas, ao mesmo tempo, submetia-se a eles. (O Coração do Rei, p.253)

O fio condutor da emocionante narrativa é frei Antônio de Arrábida, religioso que acompanhou dom Pedro em praticamente toda a sua vida. A escolha de um narrador para contar a história nasceu das muitas referências feitas por Otávio Tarquínio de Sousa ao frei nos três volumes de sua obra, “A vida de Pedro I”. A importância do religioso na trajetória do rei tinha sido, até então, ignorada.

Em O Coração do Rei, outros três religiosos ajudam a narrar os acontecimentos nos dois lados do Atlântico, e que fazem emergir o perfil de dom Pedro de forma precisa. Ao fim da obra, o leitor pode constatar – com ajuda da autora – que, na verdade, trata-se dos três maiores historiadores brasileiros do século XX, hoje quase esquecidos, a quem Iza Salles presta homenagem.

Mais uma bela surpresa trazida pela escritora, jornalista formada em 1965 pela então Universidade do Brasil, presa política pela ditadura em 1970, e repórter em jornais de resistência como Opinião e Pasquim. Às vésperas de completar o bicentenário da nossa independência – em 2022 –, o livro prenuncia os eventos comemorativos que terão como marco a reinauguração do Museu do Ipiranga, marco da emancipação brasileira.

De mãe para filha: o que o cinema pode nos ensinar sobre a feminilidade

O cinema e a psicanálise nasceram juntos, no século 19. Alfred Hitchcock ocupou perfeitamente esse espaço, ao aplicar a psicanálise às suas produções. A partir deste mesmo referencial, a psicanalista e escritora Malvine Zalcberg analisa a construção de identidade entre mães e filhas em De menina a mulher: cenas da elaboração da feminilidade no cinema e na psicanálise.

Em 352 páginas, a doutora em Psicanálise se utiliza dos enredos dos filmes – muitos oriundos da literatura autobiográfica e das ficções – para transitar sobre as questões que envolvem o referencial da figura da mãe na construção da identidade feminina. Razão e Sensibilidade, Melancolia, Animais Noturnos e De Olhos Bem Fechados estão entre as produções que emprestam nomes – para titular os capítulos – e histórias à abordagem psicanalítica de Malvine.

Em torno da pergunta “O que é ser mulher?”, a psicanalista mostra os delicados fios que se desenvolvem para tecer a estruturação psíquica feminina. Ela analisa os aspectos envolvidos na criação de uma identidade própria que cabe a cada mulher conquistar, já que mais do que ‘nascer mulher, ela torna-se’. Para tanto, desde pequena a menina depende, em grande parte, dos recursos psíquicos dotados pela mãe, influenciada também pela forma como esta lida com a própria feminilidade.

Lançado também em francês, De menina a mulher nasce do desejo da autora – convencida da importância de transmitir as contribuições da psicanálise ao grande público – de trazer uma abordagem não sobre as mulheres, mas para elas, nesse caminho delicado, complexo e enigmático no relacionamento de mãe e filha. Enquanto elas terão respostas, os homens encontrarão perguntas que os farão rever conceitos e crescerem em humanidade.

Padre Marcelo Rossi retorna às livrarias com Batismo de fogo, sua obra mais pessoal

O maior fenômeno editorial do Brasil na última década, com mais de 16 milhões de exemplares vendidos, Padre Marcelo Rossi lança em setembro Batismo de fogo, seu primeiro livro pela Editora Planeta.

Na obra, o autor aborda as lembranças e reflexões do atentado que sofreu em julho de 2019, quando foi empurrado enquanto celebrava uma missa para mais de 100 mil jovens. O episódio poderia ter trazido graves consequências para o padre, que tem um problema sério na coluna.  “Maria me salvou”, ele lembra com emoção, assim como já havia salvado muitos anos atrás, quando sofreu um acidente de carro que o fez encarar a morte de frente, dias depois de ter sido ordenado padre.

Apoiado em memórias de episódios trágicos, o autor relata em Batismo de fogo os momentos que viveu e reflete sobre a vida, sempre passando uma mensagem inspiradora de transformação e superação. No livro, ele compartilha também lembranças de tempos de garoto, quando sonhava em ser professor de Educação Física, aos namoros da adolescência quando, inseguro, chegou a tomar anabolizante para ficar mais forte e bonito.

Ele conta ainda detalhes de sua luta contra a depressão e faz um apelo para que todos estejam atentos aos perigos dessa doença. O livro trata de temas difíceis como o suicídio, a inveja, e o consumismo, mas também de propósito, fé e a lição que ele considera fundamental. “Ser o melhor que você pode ser para servir aos outros”.

Para mais informações, acesse aqui!

Campanha +LIVROS entra na reta final com 750 apoiadores

Com 750 apoiadores e mais de R$ 470 mil arrecadados, a campanha +LIVROS segue até esta quarta-feira (19), na busca de doações para aquecer o mercado editorial. O total arrecadado pelo Catarse – plataforma de financiamento co-autora da ação – será destinado a escritores, editoras e livrarias indepedentes do país.

O valor levantado até o momento permite contemplar pelo menos 90 agentes do livro. Quanto mais recursos arrecadar, mais profissionais e pequenas empresas serão beneficiados. A cada R$ 100 mil, o +LIVROS beneficia 20 pessoas e microempresas. As doações, a partir de R$ 15, podem ser feitas no site do +LIVROS, que também indica os benefícios para os apoiadores conforme a quantia doada.

Empresas parceiras, por exemplo, ganham a inserção da marca na página de campanha e em peças de divulgação. Já para os apoiadores individuais, há uma seleção de recompensas exclusivas que vão de cupons de descontos para livros impressos, ebooks, audiobooks a mentorias profissionais.

Beneficiários

O projeto teve 689 candidatos inscritos, que agora passarão por um processo de seleção por parte do corpo técnico. Profissionais de referência do mercado editorial, entre os quais Felipe Castilho, Alessandra Ruiz, Bruno Mendes e Ketty Valencio, serão responsáveis por essa etapa.

Os autores selecionados vão receber R$ 2 mil, enquanto as editoras e livrarias receberão R$ 5 mil cada, dinheiro que poderá ser investido em diferentes ações, inclusive para pagar contas. Além disso, os beneficiários ganharão serviços de parceiros da iniciativa como, por exemplo, espaço gratuito de divulgação no canal Vá Ler um Livro.

A lista preliminar dos contemplados deve ser divulgada até o dia 30 de agosto e, a lista final, até o fim de setembro, após a análise das documentações.

Primavera Editorial lança “A Mensageira das Violetas”, da poetisa Florbela Espanca

O segundo volume da coleção Bela Flor, em homenagem à poetisa portuguesa Florbela Espanca, estará disponível para os leitores de Língua Portuguesa a partir de agosto. Lançado em e-book, A Mensageira das Violetas traz mais de 60 poesias e sonetos de uma escritora excepcional e uma mulher à frente do seu tempo, que transformou um ousado diário íntimo em literatura de excepcional qualidade. O lançamento integra o portfólio digital da Primavera Editorial.   

Uma das marcas da produção literária de Florbela Espanca é o arrebatamento e a linguagem telúrica, elementos com os quais construiu uma obra com forte teor confessional: densa, amarga e triste. A expressão poética – via contos, poemas, cartas e sonetos – é marcada por sentimentos como amor, saudade, sofrimento, solidão e morte, mas sempre em busca da felicidade. São textos que convidam o leitor, sobretudo as mulheres, a refletir sobre o amor, a devoção e o erotismo de uma forma deslocada do tempo. Aliás, a produção literária dessa portuguesa socialmente inovadora, nascida no século XIX, dialoga perfeitamente com as defesas feministas contemporâneas.

Segundo Larissa Caldin, publisher da Primavera Editorial e autora do prefácio, Florbela sempre teve uma necessidade de colocar para fora os próprios sentimentos, o que torna a sua obra tão pessoal e biográfica. “Florbela nunca precisou levantar bandeiras, porque ela em si já era a personificação da emancipação feminina em sua época. É impossível passar incólume à sua obra, que cozinha amor, erotismo e devoção – devoção esta, muitas vezes, submetidas ao amor de um homem, sim, mas sempre consciente em ser uma escolha, não uma imposição”, analisa Larissa.