O uso de ferramentas de inteligência artificial como “coach” de emagrecimento tem crescido de forma significativa, especialmente entre jovens e usuários assíduos das redes sociais. Chatbots e aplicativos baseados em IA vêm sendo utilizados para montar dietas, rotinas de exercícios e protocolos de jejum, muitas vezes substituindo o acompanhamento de nutricionistas e médicos. A promessa de soluções rápidas, personalizadas e de baixo custo ajuda a explicar a popularidade desse tipo de prática, mas também desperta preocupação entre profissionais da saúde.
Relatos publicados em plataformas como TikTok, Instagram e fóruns online mostram pessoas seguindo planos com déficit calórico extremo, jejuns prolongados e treinos intensos, definidos a partir de comandos genéricos, sem qualquer avaliação clínica prévia. Pesquisas sobre comportamento digital indicam que esse uso tem aumentado nos últimos anos, impulsionado pela busca por resultados imediatos e pela confiança excessiva em respostas automatizadas.
Para o médico Gabriel Almeida (CRM-SP 180956 | RQE 121513), especialista em emagrecimento e saúde metabólica, o principal problema está na falsa sensação de personalização oferecida pela tecnologia. “O algoritmo trabalha com padrões gerais e não reconhece limites individuais. Ele não considera histórico de transtornos alimentares, doenças hormonais, uso de medicamentos ou sinais de desnutrição”, explica.
Segundo o especialista, sistemas automatizados também não conseguem identificar quando o corpo começa a dar sinais de alerta. “A inteligência artificial não avalia exames, não acompanha sintomas e não ajusta condutas diante de efeitos adversos. Ela não percebe quando o organismo começa a entrar em desequilíbrio”, afirma.
Outro ponto de atenção é o estímulo indireto a comportamentos extremos. Dietas muito restritivas, jejuns prolongados sem indicação clínica e treinos extenuantes podem ser facilmente sugeridos quando o usuário busca emagrecer rapidamente. Do ponto de vista médico, essas práticas não promovem resultados sustentáveis e aumentam o risco de desidratação, desequilíbrios hormonais, perda de massa muscular, alterações cardíacas e agravamento de transtornos alimentares.
Para Gabriel Almeida, a inteligência artificial pode auxiliar na organização de informações gerais, mas não deve substituir o acompanhamento profissional. “Quando se trata de saúde, não existem atalhos seguros. O emagrecimento precisa ser individual, gradual e acompanhado. Nenhum algoritmo consegue substituir isso”, conclui.
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