A União Brasileira de Compositores (UBC) lançou um estudo inédito que mapeia o atual cenário da música eletrônica no Brasil, analisando crescimento de mercado, comportamento do público, projeção internacional de artistas brasileiros e os principais desafios estruturais enfrentados pelo setor. Intitulado “Mapa da Música Eletrônica no Brasil”, o relatório foi desenvolvido em parceria com a Brazil Music Conference e apresentado nesta quarta-feira (21), durante o Hot Beats Music Conference, no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro.
O levantamento mostra que o Brasil vive uma fase de consolidação e transformação dentro da música eletrônica, deixando de ocupar apenas o papel de consumidor de tendências internacionais para também se tornar exportador de artistas e sonoridades. Nomes como Alok, Vintage Culture, Mochakk, Liu, ANNA, Clementaum e Cashu aparecem como exemplos do fortalecimento da presença brasileira em festivais e plataformas globais.
Segundo o estudo, festivais internacionais como Coachella, Primavera Sound e Sonar passaram a incluir DJs brasileiros entre suas principais atrações. O relatório descreve esse movimento como “Brazilian Storm”, destacando a capacidade dos artistas nacionais de competir em visibilidade com nomes estrangeiros.
Outro ponto abordado é o perfil do público brasileiro de música eletrônica, descrito como jovem, conectado e altamente engajado digitalmente. De acordo com o levantamento, fãs do gênero consomem, em média, mais de 16 horas semanais de música eletrônica, com forte presença nas redes sociais, especialmente entre integrantes da Geração Z.
A pesquisa também aponta que a experiência da música eletrônica deixou de se limitar à pista de dança e passou a incorporar elementos visuais, digitais e interativos, impulsionados pela lógica de compartilhamento e engajamento online.
Apesar do crescimento, o relatório destaca desafios importantes para o setor, como os altos custos de produção de eventos, dificuldades na captação de patrocínios, falta de dados estruturados sobre o mercado e entraves relacionados à arrecadação de direitos autorais. Outro ponto de atenção é a concentração crescente em grandes festivais, o que dificulta a sustentabilidade de iniciativas menores e mais experimentais.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta oportunidades ligadas à expansão da cena para novas regiões do país, além de colaborações entre a música eletrônica e gêneros populares brasileiros como funk, pop e sertanejo.
Para Marcelo Castello Branco, o levantamento ajuda a aproximar o setor de debates mais amplos sobre gestão e desenvolvimento da indústria musical. “A música eletrônica é um segmento de grande relevância também econômica e cultural, movimentando globalmente mais de 15 bilhões em toda sua cadeia de eventos. Por isso um estudo e consequente diagnóstico do seu status no Brasil tem muito impacto no nosso setor”, afirmou.
O relatório foi desenvolvido por Camilo Rocha, Claudio da Rocha Miranda Filho e Maurício Soares, profissionais com longa atuação no mercado da música eletrônica brasileira. O material completo já está disponível no site oficial da UBC.
Descubra mais sobre Andrezza Barros
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



