Renata Rivetti fala sobre o papel da liderança e da área de Recursos Humanos na felicidade do time

Tempo de Leitura: 6 Minutos

Com a pandemia, a área de recursos humanos passou a ter ainda mais foco e preocupação com os colaboradores e o tema acabou se expandindo para toda a liderança. Em 2020, muito se falou sobre programas de bem-estar, saúde mental, employee experience (ou experiência do colaborador – em português), felicidade no trabalho, entre outros fatores. Mas, afinal, o que é a felicidade corporativa?

O tema já é falado e discutido nas empresas europeias há alguns anos, segundo Madalena Carey, fundadora da Happiness Business School, de Portugal, “a felicidade no trabalho é como as pessoas se sentem, é sair da cultura de ‘dar algo’ – para ‘fazer com que os colaboradores sintam algo’, além de deixar que sejam quem são”.

Conversamos com a Renata Rivetti, fundadora e diretora da Reconnect | Happiness at Work – empresa brasileira que firmou parceria exclusiva com a Happiness Business School de Portugal no ano passado. Confira a entrevista:

A pandemia de COVID-19 gerou um grande efeito nos setores de recursos humanos das empresas, principalmente na questão dos benefícios e na promoção do bem estar dos trabalhadores. O que levou a essa transformação no setor e como os funcionários foram afetados no último ano?

Com a pandemia, a área de recursos humanos teve que assumir um papel essencial e estratégico nas questões que envolvem bem-estar, saúde e a felicidade do colaboradores. Primeiramente, gosto sempre de ressaltar a importância da empresa olhar para quem cuida dos demais, o momento é incerto e causa ansiedade em todos nós, inclusive de quem cuida dos demais como os profissionais de RH.

Os principais impactos nos profissionais são o aumento dos índices de ansiedade, principalmente no Brasil, por exemplo. Uma recente pesquisa do Instituto Ipsos para o Forúm Econômico Mundial mostrou 53% dos brasileiros afirmam que seu bem-estar mental piorou no último ano, antes esse índice era de 41%. Os programas de bem-estar e saúde mental são necessários, assim como também é preciso prestar atenção nas experiências dos colaboradores (employee experience). Porém, quando se fala em felicidade é importante ir um pouco além. Não adianta a jornada do colaborador ser “perfeita” se a pessoa não sentir que pertence ao time ou que é reconhecida. Ou seja, felicidade vem de como nos sentimos e não do que recebemos.

Como os funcionários podem ser mais felizes na prática? Será que as empresas podem acabar passando uma “falsa sensação” de felicidade aos seus colaboradores, de forma a persuadi-los de que são felizes quando, na verdade, não são? Ou isso não existe?

Acho difícil isso acontecer. As pessoas percebem quando um discurso é realmente praticado e, quando estão se sentindo felizes ou não, de forma genuína. O mundo está mudando, cada vez mais temos visto casos de pessoas e empresas que se apropriam de um tema e se vendem, mas que não tem ações e comportamentos práticos que o comprovem. Essas pessoas estão sendo questionadas e muitas vezes acabam tendo sua imagem ou marca abalada por esse comportamento.

O que falta mudar nas empresas que acreditam que a única forma de felicidade para os funcionários é obtida através de aumentos de salário, entre outros benefícios físicos e materiais?

O mundo mudou, assim como as novas gerações, que passaram a questionar o status quo. Atualmente, o trabalho precisa estar relacionado aos nossos valores pessoais.

Não há mais espaço para ambientes tóxicos e líderes tirânicos. As empresas precisam fazer uma revisão completa de seus propósitos, valores, cultura, além de começarem a fazer planos organizacionais de felicidade – tudo embasado/mensurado através de diagnósticos e pesquisas – para que se obtenha o melhor resultado para os seus colaboradores e, consequentemente, para as organizações.

Uma pesquisa divulgada pelo Infomoney mostra que está na hora de mudar, já que a pandemia fez com que 76% dos brasileiros “repensassem” as suas carreiras. Esse “novo normal” traz diversas reflexões e uma reavaliação do que estamos fazendo com as nossas vidas, e se realmente somos felizes.

Afinal, se o mundo atual é inseguro e incerto, por que continuar esperando as sextas-feiras e feriados para ser feliz?

Em poucas palavras, como você definiria o estado atual do mercado de trabalho brasileiro? A economia está sendo puxada para baixo por conta da falta de oportunidades e/ou pela infelicidade dos profissionais?

O Brasil tem um grande número de desempregados hoje por conta da crise pela qual estamos passando. Não podemos dizer que a infelicidade dos trabalhadores causou o desemprego generalizado, pois isso se deve por milhares de fatores.

Porém, é fato que quando uma pessoa não se sente feliz em seu ambiente de trabalho, ela irá produzir menos e terá índices de engajamento menores.

Como funciona a equação de três fatores de Jacob Morgan na prática?

  • Jacob Morgan criou uma equação de experiência do funcionário em três fatores: cultura + tecnologia + espaço físico = experiência do funcionário.

O que esses três fatores significam:

Cultura – Criar um ambiente onde as pessoas queiram trabalhar é a cultura. Em outras palavras, “o jeito como fazemos as coisas por aqui”.

Tecnologia – Como uma empresa, você precisa usar ótimas ferramentas para criar confiança e engajamento dos funcionários. Portanto, a tecnologia é um fator vital em uma empresa desenhada por seres humanos.

Espaço Físico – O layout e o design de tudo, das mesas, dos corredores, afetam a capacidade dos funcionários de realizar seu trabalho. Isso serve também para o home office. Melhore a experiência dos colaboradores oferecendo mais conforto e qualidade.

A abordagem é interessante, pois oferece algumas maneiras tangíveis de melhorar a experiência do funcionário. Porém, vale lembrar que cada equipe de funcionários é diferente e o que funciona em uma empresa pode não funcionar em outra.

Como saber se a empresa está realmente seguindo os passos para levar a felicidade corporativa adiante?

Quando a felicidade não é trabalhada nas empresas as consequências são visíveis, com a diminuição do engajamento e produtividade dos funcionários, pedidos de demissão constantes (alto turnover) e até com a perda contínua de lucros – que pode ser causada diretamente pela improdutividade dos colaboradores. Além disso, pode-se fazer uma medição recorrente do índice de felicidade, através d pesquisas quantitativas e qualitativas. Ouvir os colaboradores é parte fundamental nesse processo.

É importante criar um ambiente feliz na empresa, mas deve-se trabalhar no tema da felicidade corporativa de forma contínua. Se isso não for feito, corre-se o risco de perder todo o trabalho feito anteriormente.

Quais são os benefícios reais da felicidade corporativa para as empresas?

Segundo levantamento da “Harvard Business Review”, funcionários infelizes são 18% menos produtivos, geram 16% menos lucro, são responsáveis por um aumento de 37% nas taxas de absenteísmo e ainda promovem 49% mais acidentes no ambiente de trabalho. Se a falta de felicidade faz com que as empresas deixem de ganhar, a situação inversa também traz inúmeros benefícios, entre eles:

  • aumento do nível de engajamento dos colaboradores;
  • aumento de 60% na retenção de funcionários (segundo a Deloitte);
  • redução do turnover (rotatividade de pessoal, no contexto de gestão de pessoas);
  • melhora na imagem da marca/empresa;
  • aumento na fidelização de clientes;
  • e até o aumento dos lucros da empresa.

Como surgiu a Reconnect | Happiness at Work? Qual a visão e a missão que a empresa leva para a vida?

A Reconnect | Happiness At Work – empresa brasileira especializada em “Felicidade no Trabalho” (“Happiness at Work”, em inglês) – nasceu em 2017.

Com programas e serviços de consultoria e educação corporativa que podem auxiliar corporações e pessoas físicas, seu principal objetivo é criar ambientes de trabalho mais felizes, além de culturas mais saudáveis e com mais significado.

Em 2020 a Reconnect firmou uma parceria exclusiva com a Happiness Business School – uma das líderes do tema “Happiness at Work” na Europa, com atuação em países como Portugal, Suíça e Austrália e trouxe a primeira certificação internacional em CHO (Chief Happiness Officer) para o Brasil.

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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