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Em entrevista concedida para o site, Marcelo Segreto falou um pouco sobre seu lançamento “Lost In Translation” com direção de Martina Mattar. A música foi produzida pelo Selo da Gravadora Experimental da Fatec Tatuí com produção musical de Marcus Preto e Tó Brandileone e participação de Tatiana Parra.

Além desse sucesso, o EP Cinemúsicas, Vol.1 ainda conta com outras canções inspiradas em filmes brasileiros, tais como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, “Limite” de Mário Peixoto, “Noite Vazia” de Walter Hugo Khouri e “Democracia em Vertigem” de Petra Costa. Confira a entrevista:

Recentemente você lançou o clipe da canção “Lost In Translation”, como tem sido a recepção do público?

Sim, lancei recentemente o clipe “Lost In Translation”, a recepção tá sendo muito legal, não só desse clipe, mas do projeto todo por causa dessa temática dos filmes, das canções serem inspiradas em filmes específicos assim no cinema. A repercussão das pessoas que acompanham meu trabalho tem sido interessante, porque as pessoas gostam dos filmes e conhecem os filmes, querem saber como seria uma canção inspirada naquele filme. Então têm sido bem interessante.

Seu projeto EP Cinemúsicas, Vol 1 traz uma vibe bem interessante por misturar a música com inspiração no cinema. Além de Lost In Translation, quais mais novidades podemos esperar?

Ah então, quando pensei nesse projeto de canções inspiradas no cinema, foi um pouco difícil, porque são tantos filmes legais e tantos filmes que parecem inspiradores de canções. Quer dizer, dá para pensar em canções a partir de vários filmes, é muito interessante assim, por isso até penso em fazer outros EPs desse cine música. Mas nesse volume I, as canções são inspiradas por “Lost In Translation”, filme da Sofia Coppola, tem outro filme “Cidadão Kane” do Orson Wells, o “Bacurau” do Kleber Mendonça e do Juliano Dornelles, o “Deus e o Diabo na Terra do Sol” do Glauber Rocha e “Uma Vista da Baía de Guanabara” que é considerado o primeiro filme brasileiro de 1898, ele é do Afonso Segreto, que é tio do meu bisavô.

Achei legal fazer essa homenagem, é um filme que foi feito quando ele chegou da Europa trazendo um equipamento novo que ele tinha ido lá comprar, e ele filmou a Baía de Guanabara quando ele estava chegando de navio no Rio de Janeiro. Esse é considerado o primeiro filme realizado no Brasil, por isso que até o dia da realização do filme é o dia do cinema nacional. Então tem esse momento especial que achei legal fazer uma canção para isso.

Como surgiu a ideia de criar canções inspiradas no cinema?

A ideia desse projeto de criar canções inspiradas no cinema, surgiu um pouco em parte do meu gosto pelo cinema. Curto muito cinema, às vezes até mais do que canção, de me envolver com as obras, enfim. E quando fazia música lá na ECA – Escola de Comunicação e Artes -, na faculdade do lado tinha o cinema, eu fazia música, tinha o teatro, artes plásticas e tinha o cinema. Aproveitei durante a graduação para assistir várias matérias do cinema, história do audiovisual brasileiro, história do audiovisual geral, e isso me fez gostar ainda mais de cinema e começar a pensar num projeto que misturasse música e cinema.

Foi um pouco de uma paixão pelo cinema, mas também veio dos estudos que fiz nessas matérias optativas durante a graduação. É um projeto que rende bastante assim, é bastante inspirador compor canção a partir dos filmes, porque são muitos filmes diferentes, eles são muito vistos. O cinema é muito importante para a sociedade, culturalmente ele tem um peso grande. É interessante fazer canções a partir dos filmes assim, porque é bastante desafiador e prazeroso também.

A música pode ter um significado diferente para cada pessoa. Em sua visão, o que é música e como ela se torna um refúgio na vida de seus ouvintes?

A música é do ser humano, eu tenho curso de composição de canção, a gente discute muito o sentido da música para as pessoas e da canção especificamente. Gosto de pensar que a música é do ser humano, não são só os músicos que curtem e fazem música, quer dizer, a música, todo mundo faz um pouco, todo mundo escuta e tem uma coisa muito afetiva com a música.

Como é uma coisa até um pouco abstrata, a música, os sons, a organização dos sons, diferente de um romance, parece que atinge nosso lado emotivo , leva a gente para emoção. Às vezes a gente nem entende o que a letra tá falando, e se emociona muito com as canções, mas não conhece a letra, não sabe nada sobre o que o cantor está cantando, não sabe o assunto da letra e está se emocionando. Isso é interessante, quer dizer, esse lado abstrato da música, dos sons, faz a gente se emocionar, toca no nosso lado da emoção mais do que no lado da razão.

Para o público o conhecer ainda melhor, nos conte um pouco sobre quem é Marcelo Segreto.

Sou um apaixonado por canção, comecei a compor quando comecei a aprender violão, tinha uns 14, 15 anos, e desde então, fui atrás de viver isso, de compor cada vez mais, fui estudar violão, letras, depois fui fazer graduação em música e composição. Logo me interessei pelas coisas que o Luiz Tatit escreve, um professor de letras que estuda a canção, ele tem uma teoria específica da canção, uma teoria original, então eu fui estudar com ele. Na parte acadêmica de estudos que eu faço, sempre fui buscando essa coisa da canção acima da relação da música com a letra.

Mas o que gosto mesmo de fazer é compor, então, logo que comecei a estudar, formei minha banda que é a ‘Filarmônica de Pasárgada’, a gente tem três discos lançados e estamos preparando o próximo que vai ser lançado ano que vem, sobre a história da cidade de São Paulo. Do final de 2020 para cá, comecei algumas coisas solo também, é um trabalho um pouco diferente da banda. A Filarmônica tem um trabalho um pouco mais experimental, esse trabalho solo reservei canções mais delicadas, mais líricas. Tem uma diferença entre as duas coisas, mas é isso, tem esses dois trabalhos.

A tecnologia vem ajudando muitos setores, e com a pandemia, a área musical ganhou um maior espaço nele através das lives, por exemplo. Em sua visão, como essas tecnologias têm agregado a sua carreira?

Nossa, a tecnologia, o desenvolvimento da tecnologia, o ser humano sempre muda a forma de fazer arte e a música ainda mais. A canção popular só existe por causa da tecnologia de gravação, por exemplo, um disco, depois do rádio. Quer dizer, o papel do rádio e da televisão para canção, o rádio na década de 30 com Noel Rosa, os cantores do rádio, depois a Bossa Nova e o tropicalismo, a Jovem Guarda com a televisão, quer dizer, não existiria Jovem Guarda e tropicalismo, Caetano, Chico, sem televisão.

Hoje em dia também é a mesma coisa com internet, quer dizer, é interessante ver como os meios, a mudança da tecnologia faz mudar também a forma de produção dos cancionistas, das pessoas que fazem canção. Então por causa da internet hoje, quer dizer, a questão da visualidade, os videoclipes, os posts, as redes sociais. quer dizer. tudo isso muda a forma da gente conviver com as canções, isso é muito interessante. E para mim, em relação a isso da tecnologia, acho que tem uma coisa de correr atrás, as tecnologias mudam tão rápido.

Há dois anos atrás, o Tik Tok não era muito importante, tinha acabado de começar, surgir, e hoje em dia, o Tik Tok meio que é a bola da vez das redes sociais. O Instagram está em queda, o Facebook já teve a sua fase, mas hoje não é muito popular, os músicos não estão produzindo tanto que o Facebook.

A gente tá sempre correndo atrás dos novos aplicativos, novas redes sociais, e o músico tem que ir atrás disso, porque é a forma de divulgar a música, não pode ignorar os meios de divulgação. Então, é uma permanente atualização, uma coisa que até é complicada, gera muita ansiedade, não é uma coisa fácil de acompanhar, por isso que é interessante que para os músicos investir tempo nisso. 

Como você descreve o trabalho realizado pela diretora Martina Mattar em seu clipe?

Nossa, Martina é muito talentosa, ela tem 21 anos, está estudando cinema ainda, mas já produz filmes e curtas desde os 12 anos. É uma pessoa que ama muito o que faz, nessa coisa de mexer com vídeos e fazer os filmes. Então, foi uma super surpresa começar a trabalhar com ela, a gente tem uma relação quase familiar, a vó dela foi muito amiga da minha mãe, a gente se conhece desde pequenos, isso foi uma coisa legal, uma coisa afetiva junto com o trabalho. A Martina é um talento, esses clipes que a gente produziu, foram até agora 5 videoclipes, três foram do meu EP visual ‘América América’, canções sobre a América Latina e o Brasil, e agora esse ‘Lost in Translation’.

As ideias de filme, de montagens, de roteiro, achei muito interessante no que ela pensou. Ela assistiu o filme e identificou no filme uma técnica que é muito usada no filme, a questão do foco. Quer dizer, o filme trabalha a todo momento focando e desfocando os personagens, focando a cidade e a pessoa já aparece, depois foca o personagem. Com essa brincadeira com foco, a Martina resolveu fazer um clipe muito baseado nesse aspecto e aí durante o clipe, o foco fica mudando a todo momento.

Foi uma coisa super difícil de realizar, porque a gente não tinha uma câmera especial para isso, era uma câmera só, e somente com a Martina filmando, fazendo tudo, pensando em como movimentar a câmera e ao mesmo tempo mudar o foco. É uma coisa bem complexa e no final a gente conseguiu achar um bom resultado, por isso que só tenho a agradecer a Martina.

Martina é muito talentosa e muito competente profissionalmente, a gente pretende fazer muitas parcerias ainda de videoclipes.


Saiba mais no perfil do Instagram do cantor Marcelo Segreto.

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

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