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Você já viu aquele biscoito, aquela tostada ou bolo que apareceu naquele filme? Já tentou fazer? Com um talento que muitos queriam ter, porém nem todos têm, a graduada em fonoaudiologia Laís Cintra encontrou na cozinha o amor por experimentar novos desafios, e decidiu apostar todas as suas fichas na gastronomia. Compartilhando receitas dos mais diversos tipos, seu sucesso se teve após decidir apresentar receitas fáceis e baseado em diversas séries e filme famosos, como o icônico cheesecake vermelho da série “Friends”. Apaixonada por viagens, principalmente pela paradisíaca ilha de Bali, na Indonésia, Cintra diz que saber cozinhar é extremamente importante e que fica horrorizada por ver adultos de 30 anos que não sabem fazer arroz! E ai, vamos para a entrevista?

Você se especializou em culinária? Quais foram seus caminhos/estudos para aperfeiçoar em diferentes tipos de pratos?

Confeitaria sempre foi meu hobby. Eu nunca havia pensado nela como profissão, tanto é que cursei fonoaudiologia na faculdade. Quando me mudei para a Irlanda comecei a trabalhar em um café e fui pegando gosto pela cozinha profissional. Trabalhei em 4 restaurantes diferentes em Dublin. Fiz alguns cursos na Le Cordon Bleu, Paris, cursos de chocolate com a Callebaut, curso de  Química na cozinha em HarvardX. Mas sem dúvidas, nessa profissão a melhor escola é o trabalho.

Qual o prato que mais sentiu dificuldade em fazer? E qual foi o mais fácil? Teve um retorno positivo do público ao adaptar um prato culinário tradicional?

O manjar turco foi um pouco difícil de acertar o ponto, pois nunca havia feito antes. Precisei gravar duas vezes, porque na primeira não deu certo.

A receita mais fácil foi a de panquecas. Faço sempre em casa. Eu sempre tento adaptar as receitas quando algum ingrediente é muito difícil de encontrar. No manjar turco, por exemplo, não usei xarope de romã e recebi bastante hate (apesar de existirem vários sabores de manjar turco, romã é apenas um deles). Os comentários se dividem em “A receita original não é assim” e “Obrigada por tornar a receita mais acessível.”

A culinária sempre foi sua paixão? 

Sempre esteve muito presente na minha vida. Na época da faculdade eu fazia cupcakes e pães de mel para vender para meus colegas. Todo mundo me conhecia como a menina que vende doces.

Qual foi a receita que recebeu mais repercussão dos seguidores? E qual você achou o mais divertido de fazer?

A que teve mais repercussão foi a do manjar turco justamente pelo engajamento dos haters. Esse vídeo bateu 5.5 milhões de visualizações no Instagram. Muitos comentários eram de pessoas da Turquia. Eu usei o tradutor para entender o que eles estavam falando e todos estavam muito felizes em ver o país deles representado. Curiosamente, o hate vinha dos brasileiros. A receita mais divertida foi a de rosquinhas dos Simpsons.

Tendo  viajado para tantos lugares no mundo, qual foi a localidade que mais gostou de visitar? Tem algum lugar que você foi e quando a pandemia acabar pretende ir direto pra lá?

Meu lugar preferido do mundo todo é Bali, na Indonésia. O país é maravilhoso e as pessoas extremamente amigáveis. Sonho em voltar pra lá o mais rápido possível e ficar alguns meses para conhecer bem a ilha. Quando a pandemia passar eu pretendo voltar para Dublin, voltar a trabalhar em restaurantes, ver meus amigos.

O que você acha desse momento atual em que as mulheres estão descobrindo suas habilidades na culinária?

Acho extremamente importante que as pessoas no geral, não apenas mulheres tenham capacidade de fazer a própria comida. Eu fico horrorizada em ver pessoas de 30 anos que não sabem nem fazer um arroz. Se você não sabe cozinhar, você fica eternamente dependente de outros. Fora que tem todo o carinho que você coloca na própria comida, os temperos de sua preferência, o tempo de cozimento…

Saber cozinhar é um autocuidado.

Existe algum alimento que você não come de jeito nenhum?

Eu detesto salada. Já tentei comer, mas não consigo. Nesse ponto minha alimentação é péssima. Não como nenhum tipo de verdura.

Você tem equipe para te ajudar nas redes sociais, culinária e viagens? Como se organiza para dar conteúdo divertido e fácil?

Faço tudo sozinha. Desde gravar as receitas, editar, narrar, editar a foto de capa, os textos, divulgação… tudo. Eu tenho uma agenda onde anoto tudo que precisa ser feito em cada dia. Quando edito algum vídeo, já deixo o texto e a foto de capa prontos também. No começo eu era mais espontânea e não me preocupava tanto com os detalhes. Mas conforme a gente vai trabalhando, a gente vai aprendendo e desenvolvendo os próprios esquemas.

Você realmente se tornou conhecida por ter começado a compartilhar receitas de pratos que são conhecidos de diversos seriados e filmes conhecidos, como o cheesecake de “Friends” e os biscoitos do “Scooby-Doo“. Como ocorreu esse interesse em reproduzir essas iguarias e como consegue chegar até suas receitas?

Quando eu era criança e assistia Teletubbies, eu sonhava em comer o Creminho Gostoso deles. Eu e muita gente. Lembro que tinha até comunidade no Orkut sobre isso. Fui pesquisar o nome original em inglês e é Tubby Custard. E custard é um creme à base de leite e ovos muito tradicional no Reino Unido.

Fiz então a receita e logo em seguida postei também as rosquinhas dos Simpsons. Choveram comentários pedindo receitas de tal filme, tal série, tal desenho. E assim começou o quadro.

Normalmente as receitas que aparecem na televisão são de comidas tradicionais da cidade onde a série ou filme se passam. Então é fácil de encontrar várias referências.

Nos últimos tempos, os influenciadores vem crescendo cada vez mais pela rede e trazem uma imensa gama de assuntos e temas que se tornam sucesso de repercussão com o público. O que a fez apostar na gastronomia para conseguir alcançar seu público e como foi acompanhar esse crescimento do seu nome?

Eu apostei na gastronomia por ser minha profissão, é o que eu sei fazer e o que tenho para ensinar.

Eu coloco muito carinho nos meus vídeos e por alguns meses foi muito frustrante não ver resultado. Eu gastava muito dinheiro com os vídeos sem ganhar nem 1 centavo de volta. E os seguidores do Instagram não subiam de jeito nenhum.

Em dezembro de 2020 eu tinha decidido que iria tentar só até janeiro deste ano. Logo quando eu estava para desistir, meu Instagram explodiu. Bati 100k em duas semanas. E desde então tenho recebido muito carinho de todos.

O aumento pela busca de conteúdo online nas redes sociais neste período de isolamento em casa, fez com que você pensasse em outro negócio de investimento, como um curso online de culinária?

Eu tenho sim em mente um curso específico de uma técnica que ainda não vi ninguém ensinando no Brasil. Mas ainda preciso me organizar. Pensar direitinho a melhor maneira de fazer e divulgar. Então por enquanto, sem datas.

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Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

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