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Artista britânico radicado no Brasil, Shipzy anuncia uma série de lançamentos que culminarão no seu EP de estreia pelo selo Caravela Records e com distribuição da Warner Music. Após uma vida dedicada à gerência corporativa e a esportes (semi) radicais, James Timmins inicia sua carreira na música na tentativa de se tornar um “bon vivant”. A primeira amostra do seu projeto solo – bem-humorado, porém calcado no indie rock e lo-fi -, é “Steve”, primeiro de cinco singles. Os próximos lançamentos serão “Andy”, “Jane”, “Peter” e “Edward”, cada uma delas focada em um personagem marcante da cultura pop.

A faixa traz como convidados Augusto Aguieiras & Hopton – e, segundo Shipzy, “Steve” pode ser uma referência ao “Stone Cold” Steve Austin, lutador profissional. Não por acaso, a música faz uma metáfora entre o mundo do WWE e a dissociação que acontece ao fim de um relacionamento longo. 

James Timmins se tornou Shipzy em 17 de março de 2020. Depois de uma década de viagens pelo mundo todo e ter trabalhado com conglomerados farmacêuticos, tecnológicos e bancários, Timmins se descobriu só. Em meio à pandemia, sem emails na caixa de entrada e sem triatlos para competir, ele precisava de uma nova conquista a almejar. 

Por muitos anos, James Timmins buscou ofuscar suas raízes na classe operária pós-industrial do interior do Reino Unido, mas em 2019, após o trauma de um acidente quase fatal de e-biking no Tirol austríaco, ele passou a questionar a motivação por trás de seu desejo constante de se impulsionar adiante. Motivado a olhar para o que deixou para trás e o que deixaria como legado, James visitou sua cidade natal pela primeira vez em 20 anos. E ao encontrar um estúdio musical – localizado abaixo de uma antiga fornalha de cerâmica da era vitoriana -, ele começou sua exploração criativa. 

Seu EP de estreia promete lidar com esse niilismo agonizante da era da pós-verdade – porém, sem levar a sério demais. James sabia desde o início que tinha a motivação, carisma e habilidades interpessoais para se dar bem no mundo da música alternativa underground, mas tinha conhecimentos limitados. Também nunca tinha escrito uma música, cantado ou tocado um instrumento antes, então a curva de aprendizado se mostrou longa. Explorando a boa vontade e gentileza do próximo, ele conseguiu produzir um EP sincero – apesar da maioria dos instrumentos não serem tocados por Shipzy, e mesmo tendo dependido de vários vocalistas convidados. E nem mesmo o clipe ou arte de capa tendo sido realizados por ele, essa é a coisa mais Shipzy que Shipzy já fez.

O próximo single, “Andy”, é uma referência a “Toy Story” – mas também ao amigo de infância de James Timmings, que atualmente é um segurança de boate. Confira a entrevista:

Cada um dos seus atuais e futuros 5 lançamentos têm uma homenagem focada em um personagem marcante da cultura pop. Como foi o processo para a escolha de “Steve”, “Andy”, “Jane”, “Peter” e “Edward” e a qual personagem cada um desses nomes homenageia?

O conceito vem do meu gosto por restrições artificiais e por elementos limitados, com pouca variação. Cada música tem o nome de um “falso amigo” que se infiltrou na minha vida através da cultura pop, e de alguém que conheço pessoalmente:

“Stone Cold” Steve Austin (WWE Wrestler) / Um Doutor em Terrorismo na Universidade de Zurique, na Suíça.
Andy Davis (Toy Story) / Segurança de casa noturna, de caráter discreto e furtivo.
Jane Fonda (Barbarella) / Uma amiguinha que tratei muito mal quando tinha 4 anos de idade .
Peter Parker (Homem-Aranha) / Agricultor, arqueólogo, apresentador do Discovery Channel e detentor de alguns recordes mundiais no Guinness Book.
Edward Bernays (pioneiro da propaganda) / Um ex-embaixador sul-africano na Noruega que morreu em consequência de um acidente.

Uma curiosidade é que você viveu a vida se dedicando como gerente corporativo e esportes semi radicais, mas em um momento em especial decidiu que queria cantar. O que o fez decidir seguir a carreira de cantor?

O acidente de bike elétrica na Áustria me impactou profundamente (perdão pelo trocadilho). A minha forma de experimentar música mudou, eu passei a apreciar a música em um nível emocional mais profundo, o que costuma acontecer depois de um traumatismo craniano. Em segundo lugar, me interessa o conceito de autenticidade. Na filosofia oriental, a ideia de ego é um erro, o que significa que não existem pessoas de verdade, existem apenas verdadeiros fakes. Porém, no mundo da música alternativa, dá-se muito valor a essa ideia de autenticidade. Por exemplo, existe um debate de 60 anos sobre o Bob Dylan ser ou não uma farsa, e se isso prejudica ou não a credibilidade da sua arte. É por isso que me atrai mais o outro extremo, o comercial, e o meu esforço é no sentido de fazer a música pop descartável perfeita de 3 minutos.

O single, “Andy”, é uma referência a “Toy Story” – mas também ao seu amigo de infância, que atualmente é um segurança de boate. Qual foi a reação dele ao saber que seu amigo de infância dedicou a música pra ele?

Ele ainda não sabe, e se soubesse provavelmente me bateria.

O quanto ter retornado a sua cidade natal durante um período ajudou você a explorar a criatividade de suas músicas?

Minha cidade natal é cheia de contradições. É um dos lugares mais amigáveis do planeta, mas você pode levar um soco se olhar alguém do jeito errado. Sempre me fascinou como é possível que cerâmicas bonitas e inovadoras como Wedgwood, Minton, Royal Doulton e Spode sejam feitas num lugar como esse. Me parece que essa é a essência da arte e da humanidade também: podemos transcender qualquer feiura de dentro e de fora e produzir beleza. Mas não tenho certeza se existe realmente criatividade em si, e, caso exista, talvez seja algo esotérico demais para o meu entendimento.

Além de “Andy”, a música “Steve” também carregou uma forte influência ao lutador profissional Steve Austin da liga de wrestling americana WWE. Uma boa observação é que puxando da referência de “Andy” em “Toy Story “, “Steve” também foi o nome de um dos fundadores do estúdio Pixar. Como é a ligação de vocês com as artes marciais e como chegaram nessa composição através dela?

Acho que isso remete ao conceito de autenticidade. As pessoas rejeitam o WWE porque é fake, mas ficam felizes de assistir sete temporadas seguidas de Game of Thrones. O WWE é uma atividade brutal e implacável. Você precisa ser guerreiro, atleta e artista ao mesmo tempo; você precisa colocar absolutamente tudo em jogo, porque existe um risco muito real de lesões graves 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nem a vida dos lutadores mais bem sucedidos termina bem. Eles normalmente precisam tomar um coquetel de esteroides, analgésicos e vários outros medicamentos só para sobreviver durante a semana. Minha experiência com artes marciais é limitada, mas eu morei alguns anos no Japão e aprendi Kendo e Nippon Kempo. Na verdade o meu irmão é uma lenda das artes marciais, ele tem uma mansão com um quarto inteiro cheio de troféus.

Acostumado com o mundo business e as competições em triatlos, a mudança em sua vida teve data certa , 17 de março de 2020, quando decidiu entrar para música. Como aconteceu exatamente essa transformação de rumos e quais foram as dificuldades de entrar na música em meio a pandemia?

A pandemia tem sido uma experiência terrível para milhões, senão bilhões de pessoas. Simplesmente poder ficar em casa e isolar-se é um privilégio. Tive uma sorte incomparável e para mim a pandemia tem sido o que o pousio é para um campo de cultivo.

Além do lançamento, quais são os objetivos do Shipzy para o ano de 2021?

O objetivo é me tornar o Tony Robbins do Rock n Roll. Além da música, estou escrevendo um livro chamado “Busing”, é um passo além do coaching, um nível de coaching totalmente novo. Também vou lançar um curso online chamado “Core-sys”, que trata dos meus principais sistemas voltados para o sucesso e, finalmente, meu novo podcast, “Jobjects”, sobre como conseguir o trabalho perfeito por meio de objetivos verdadeiramente significativos.

Autores

  • Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

  • Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

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