CEO da Shield Bank, Robson Gimenes, detalha como organizar caixa, custos e margens para crescer com segurança real

Como vender mais no Dia das Mães sem comprometer o lucro

Por Andrezza Barros • 30 abr 2026
Como vender mais no Dia das Mães sem comprometer o lucro
Como vender mais no Dia das Mães sem comprometer o lucro

O Dia das Mães segue como uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro, movimentando bilhões em diferentes setores, especialmente moda, beleza, perfumaria e serviços. Em 2025, a data gerou mais de R$14 bilhões em vendas, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), reforçando o peso estratégico do período para empresas de todos os portes.

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Mas, por trás do aumento expressivo no faturamento, existe um ponto que ainda passa despercebido por muitos empresários: crescer em vendas não significa, necessariamente, crescer em lucro.

Para o CEO da Shield Bank, Robson Gimenes, o principal erro está na falta de leitura financeira durante os períodos sazonais. “Existe uma diferença clara entre faturar mais e lucrar mais. Quando a empresa não controla o que está saindo, ela pode ter um volume alto de vendas e, ainda assim, terminar o período com uma margem pressionada”, explica.

O custo invisível do aumento nas vendas

Durante datas como o Dia das Mães, o aumento nas transações, principalmente via cartão de crédito, traz consigo uma série de custos que impactam diretamente o resultado final da operação. Taxas de adquirência (MDR), antecipações de recebíveis, tributos sobre o faturamento bruto e custos logísticos são alguns dos principais pontos de atenção.

Na prática, essas taxas podem consumir entre 2% e 4% do valor transacionado mensalmente, percentual que, acumulado ao longo de campanhas intensivas, representa uma perda significativa de margem. “Quando você projeta isso em um volume maior de vendas, o impacto deixa de ser detalhe e passa a ser estrutural dentro do negócio”, afirma Gimenes.

Além disso, há um fator comportamental. Na tentativa de impulsionar vendas, muitas empresas aumentam descontos e condições facilitadas sem recalcular o impacto dessas decisões no lucro. O resultado é um crescimento ilusório.

Planejamento antes da demanda: onde começa o lucro

Para evitar esse cenário, o planejamento precisa acontecer antes do aumento da demanda. Isso envolve mapear custos fixos e variáveis, revisar fornecedores, renegociar taxas e, principalmente, entender o limite saudável de descontos.

“Não existe problema em fazer promoção. O problema é fazer sem saber até onde sua margem suporta. O empresário precisa ter clareza de quanto pode abrir mão para ganhar volume sem comprometer o resultado final”, explica o CEO.

Outro ponto essencial é a previsão de fluxo de caixa. O aumento nas vendas exige mais capital de giro para sustentar a operação, desde estoque até logística e equipe. Sem esse preparo, o crescimento pode gerar desorganização financeira.

Antecipar ou não antecipar: a decisão estratégica

A antecipação de recebíveis costuma ser uma das soluções mais utilizadas nesse período, principalmente por empresas que concentram vendas no crédito. No entanto, o uso indiscriminado pode comprometer o resultado ao longo do tempo.

“Antecipar não é o problema. O problema é transformar isso em padrão. Quando a empresa antecipa sem critério, ela abre mão de margem de forma recorrente e cria uma dependência perigosa”, alerta Gimenes.

Segundo ele, a antecipação deve ser usada de forma estratégica, considerando taxa, prazo e necessidade real de caixa e não como solução automática.

Tecnologia e controle em tempo real

Com o aumento da complexidade operacional, o uso de tecnologia se torna um diferencial competitivo. Ferramentas de gestão financeira permitem acompanhar, em tempo real, entradas, saídas e projeções, oferecendo mais controle sobre a operação.

Essa visibilidade ajuda o empresário a tomar decisões mais rápidas e assertivas durante o período de alta demanda, evitando erros que só seriam percebidos após o fechamento do mês.

Crescer com consistência, não apenas com volume

Para Robson Gimenes, o grande desafio das empresas não está apenas em vender mais, mas em estruturar esse crescimento de forma sustentável. “Datas como o Dia das Mães são oportunidades importantes, mas exigem maturidade financeira. Não é sobre volume de vendas, é sobre qualidade do resultado”, afirma.

Nesse cenário, empresas que conseguem equilibrar estratégia comercial e controle financeiro saem na frente. Mais do que aproveitar o aumento na demanda, elas transformam o período em ganho real e não apenas em números maiores no faturamento.

“Vender mais é fácil quando a demanda existe. O difícil é garantir que esse crescimento realmente fortaleça o negócio. E isso só acontece quando há gestão”, finaliza.

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