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Considerada um vício não químico e com os mesmos efeitos que uma droga faz ao cérebro, incluindo as crises de abstinências, o Amor Patológico é uma doença psicológica real que precisa de cuidados especializados. A pessoa que sofre deste mal, ‘ama’ de forma tão intensa que nem mesmo se importa se o parceiro corresponde a esse sentimento. O transtorno não causa ciúme ou agressão, mas sim uma preocupação excessiva com o bem-estar do outro.

Indícios de que alguém está sofrendo deste mal são: extrema dependência do parceiro, ainda que seja uma atividade simples do dia dia; desconfiança e ciúme excessivo; e mudanças nos hábitos sociais como o de se afastar de amigos e familiares. O relacionamento abusivo pode estar por trás dessa patologia, uma vez que, a dependência é tanta, que o parceiro ou parceira, não consegue se afastar da situação de violência ou humilhação. Dados da ONU mostram que em cada cinco mulheres, três já passaram por um relacionamento tóxico.

Através da assessoria, a médica psiquiatra Denise Vieira Espíndola alerta: “A mulher normalmente sofre calada. É importante não repreendê-la, se aproximar sem julgamentos e se posicionar como uma escuta aberta”. Em comparação, o amor saudável estimula positividade, diálogo, maturidade. Enquanto o amor patológico produz sofrimento, machuca, traz raiva, deprime, elevando a negatividade.

A Universidade de São Paulo (USP), realizou um estudo científico denominado ‘Amor patológico: Um novo transtorno psiquiátrico?’, mostrando um padrão de comportamento maior entre a população feminina. Apesar de ter sido publicado em 2006, essa doença é pouco conhecida. A doutora explica que tal mal está relacionada a diversos fatores. “Geralmente são mulheres que apresentam carência emocional importante, além de baixa estima e confiança”. E que ao entrarem em um relacionamento, fazem de tudo para evitar o risco de abandono, podendo até mesmo perdoar traições, se endividar para pagar conta do parceiro, perder o emprego, parar de estudar, esquecer os filhos, tudo pelo bem estar do outro.

Amor Patológico: Um novo transtorno psiquiátrico?

O estudo da Universidade de São Paulo (USP), foi baseado em diversas publicações da literatura, notícias veiculadas através da mídia, além da união de informações de grupos de apoio como o Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA) e o Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (DASA). Tal pesquisa mostra que os homens são poucos afetados pela doença, muito por influência da cultura que os distanciam mais de um relacionamento. 

Sua ação em estágio inicial é igual ao uso experimental de cocaína ou qualquer estimulante. Um grande alívio da angústia, libera adrenalina e diminui a ansiedade. E tal resultado faz com que a pessoa acredite que o parceiro é o que dá significado a sua vida. “É possível notar sintomas como negligência no trabalho e insistência no relacionamento mesmo quando ele é prejudicial ou tóxico. O portador da doença insiste em mantê-lo”, desenvolve Denise.

Amor Patológico: Notando os sintomas e ajudando quem precisa

O Amor Patológico pode gerar abstinência em caso de uma briga, rompimento ou comportamento de distância do parceiro. “O sentimento de perda pode causar insônia, alterações de apetite, irritação e tensão”, detalha a médica psiquiatra Denise Vieira Espíndola. Mesmo que tenha o nome ‘amor’ em seu meio, a essência do transtorno não é o amor, mas o medo de ficar só, não ter valor, não merecer. Por isso, tende a ser exercida em pessoas que tiveram infância traumática, com histórico de violência ou que recebeu pouco amor. 

Uma pessoa que sofre de tal transtorno abre mão da própria felicidade pela do seu parceiro. Geralmente, tendo a auto estima baixa e insegurança. De acordo com matéria publicada no site da USP, a psicóloga e coordenadora do Ambulatório de Amor e Ciúme Patológico do Laboratório Integrado dos Transtornos do Impulso (AMITI) do HC, da Faculdade de Medicina,  Andrea Lorena, revela que, na maioria das vezes, a reclamação vem de pessoas de fora e não do próprio doente. Familiares e amigos percebem as mudanças e afastamento da vítima. Já para o paciente, a situação significa apenas que está cuidando do companheiro.

Estudos creem que o Amor Patológico se dá pelo TOC (transtorno obsessivo compulsivo), outros acreditam que seja dependência de amor, um subtipo do transtorno de personalidade. Seja como for, é necessário estar atentos aos sinais e em caso de conhecimento de alguém com tal doença, é preciso procurar ajuda. “O psiquiatra é quem estabelece o tratamento ideal que pode ser uma combinação de psicoterapia e psiquiatria ou dependendo do caso, o uso de medicamentos”, completa Denise. 

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Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.

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