Em entrevista exclusiva ao Portal Andrezza Barros, artista relembra virada no “Queen of the Universe”, comenta pressão após sucesso global e revela nova fase da carreira

Grag Queen fala sobre carreira internacional e próximos passos fora do Brasil

Por Andrezza Barros • 21 maio 2026
Grag Queen fala sobre carreira internacional e próximos passos fora do Brasil
Grag Queen

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Grag Queen construiu uma trajetória que mistura música, performance, televisão e presença internacional. Antes de se tornar apresentadora do Drag Race Brasil e conquistar o público global ao vencer o reality “Queen of the Universe”, a artista viveu anos de construção independente, investindo na própria carreira e apostando em projetos autorais mesmo sem grandes estruturas por trás.

Nos últimos anos, Grag passou a ocupar um espaço de destaque dentro da cena drag internacional, levando a arte brasileira para palcos fora do país e consolidando uma carreira marcada pela mistura entre potência vocal, estética elaborada e presença de palco. Além da música, ela também passou a lidar com novas responsabilidades envolvendo negócios, contratos, turnês e posicionamento artístico.

Recentemente, a artista encerrou uma turnê pelos Estados Unidos, fortalecendo ainda mais sua conexão com o público brasileiro fora do país e ampliando o alcance internacional do seu trabalho. Ao mesmo tempo, segue à frente do “Drag Race Brasil”, projeto que considera um dos mais importantes de sua carreira.

Em entrevista exclusiva ao Portal Andrezza Barros, Grag Queen falou sobre o momento em que percebeu que sua vida mudaria definitivamente, os bastidores da vitória internacional, a pressão de representar artistas drag brasileiras no exterior e os próximos passos da carreira.

Confira a entrevista completa:

Antes de alcançar projeção internacional e assumir projetos de grande visibilidade, você construiu sua carreira de forma muito independente. Olhando para trás, qual foi o momento mais decisivo, aquele ponto em que você percebeu que não tinha mais volta?

“Ah, eu acho que foi quando me joguei para Londres e fui participar do reality show “Queen of the Universe”. Eu vi que eles tinham gostado e viram que eu já tinha gasto rios de dinheiro para ir com aqueles looks. E daí foi onde eu disse: agora não tem mais volta, realmente. E fico feliz que tenha dado tão certo.”

Sua vitória no Queen of the Universe colocou você em um radar global. O que essa conquista realmente mudou nos bastidores da sua carreira, em termos de oportunidades e também de cobrança?

“Acho que os níveis subiram, né? Você entra num patamar de ganhadora de um programa internacional, representante brasileira. Então todo mundo vai esperar isso, essa impecabilidade, e também as coisas que compõem esse título de Rainha do Universo. Então sim, a régua sobe, mas daí a gente também tem todo o apoio dos fãs, todo o valor em dinheiro que eu recebi, então deu para continuar entregando. E eu amo, por isso que eu adoro entregar muito e não me esforçar sem gastar dinheiro para um bom look, para um bom clipe, para uma boa música.”

Hoje você ocupa um lugar de destaque como apresentadora do Drag Race Brasil. Existe uma responsabilidade maior em representar a cena drag brasileira para o mundo? Em algum momento isso pesa ou te impulsiona?

“Eu acho que é um pouco dos dois, é uma responsabilidade muito grande. A gente lida com sonhos de artistas, jovens artistas como eu. Então isso pesa em um lugar de cobrança, mas também me impulsiona muito em saber que, por A mais B, pessoas especialistas nisso sentiram que eu sou capaz e apta para estar à frente desse projeto. Amo que a resposta do público é muito boa, grandiosamente boa. Então, é o trabalho dos meus sonhos, eu falo para todo mundo. E é o meu programa favorito. Se eu não fosse a host, eu amaria, eu seria fã número um do programa. Então sigo conciliando entre ser fã, aproveitar a jornada e também estar atenta para dirigir essa máquina, né?”

A indústria musical internacional ainda pode ser desafiadora para artistas que fogem do padrão. Você já sentiu resistência ou barreiras por ser uma artista drag brasileira? Como você transforma isso em estratégia?

“Sim, ninguém espera. Tanto lá fora quanto aqui no Brasil, que dentro da faceta drag exista uma seriedade, um estudo, uma pesquisa musical, técnica, para além de todas as técnicas da arte drag. Então o pessoal fica bem GAG quando a mãezinha aqui pede algumas coisas, alguns ajustes de coisas técnicas, sabe? E eu faço questão de sempre me posicionar, saber e estudar o que eu estou falando para não ser levado de qualquer jeito, sabe? Então, com certeza, eu amo esse fator surpresa de que, tipo, ‘nossa, ela canta pra caramba’, ‘nossa, ela sabe o que ela tá falando’. Infelizmente, a gente tem que aprender mais para se provar dentro da multidão, mas eu adoro esse fator surpresa assim, sabe? Então tem sim barreiras, as pessoas acham que você não vai entregar, mas estrategicamente eu acho muito chique as pessoas te subestimarem assim e depois você boom, surpreende elas, sabe?”

Sua carreira mistura performance, música, humor e televisão, mas também envolve decisões de negócio, turnês, contratos e posicionamento. Em que momento você passou a se enxergar não só como artista, mas como uma marca?

“Isso é muito recente, viu? Acho que quando a gente começa a ter contato com mais dinheiro, com mais contratos, com mais decisões… mais a gente começa a viver isso e começa a ter noção disso, com gravadora e afins. Então acho que esse é o momento que eu mais estou me vendo como uma marca, como um lugar onde é a minha aposentadoria, onde é um lugar onde eu posso ajudar minha família, posso fazer a minha reserva. E também me enxergar como meu trabalho, pessoa jurídica. E isso é incrível, na real. Eu tenho amado estar enxergando as coisas mais com este olhar.”

A turnê pelos Estados Unidos mostrou um público diverso, incluindo brasileiros que vivem fora. O que mais te surpreendeu nesse contato direto com o público internacional?

“Acho muito legal ver gente que está carente da arte brasileira, da arte drag brasileira, e a gente simplesmente poder falar a língua deles. Então eu acho isso muito legal, a gente faz (o público internacional) viver toda essa experiência de ser brasileira. Eles me veem realmente como uma representatividade brasileira que vai lá e ganha para isso, porque é difícil vencer lá fora sendo brasileiro. E eu falo vencer: é você ter o mínimo de estrutura para morar lá, para, nesses momentos atuais, onde também os latinos estão sendo muito perseguidos. Foi muito legal ter essa troca com o pessoal que mora lá, conhecê-los, às vezes visitá-los, às vezes sair para jantar depois do show, fazer essa troca assim, sabe?”

Você está encerrando um ciclo importante e já sinaliza novos passos fora do país. Pensando no futuro, qual é o próximo movimento estratégico da sua carreira?

“Então, eu quero muito consolidar minha carreira musical, com mais álbuns, com mais referências de coisas que vi e vivenciei lá fora e aproveitei para escrever sobre.  Mas com certeza nunca deixarei de ser um ícone global, grande e orgulhoso disso, para dentro da minha comunidade e fora também. Quero seguir conquistando mais prêmios, mais prestígio e cumprir outras missões para serem feitas lá fora. E com certeza isso está vindo, e vocês vão saber logo, logo, de novidades muito legais.”

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