Psicóloga explica como declarações do reality podem reabrir dores profundas e reforçar estigmas

Falas de Solange Couto no BBB26 geram alerta sobre trauma, autoestima e infertilidade

Por Andrezza Barros • 26 fev 2026
Falas de Solange Couto no BBB26 geram alerta sobre trauma, autoestima e infertilidade
Reprodução | Instagram

As declarações de Solange Couto no BBB26 continuam repercutindo dentro e fora das redes sociais. Durante uma conversa no programa, a atriz afirmou: “Nasci do prazer, não do estupro” e, em outro momento, declarou que “Deus não deu filhos para Ana Paula porque ela não tem capacidade de amar”. As frases, que viralizaram rapidamente, tocaram em feridas sensíveis e trouxeram debates sobre violência sexual, maternidade, infertilidade e o impacto que discursos midiáticos têm na saúde emocional das pessoas.

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Para entender como essas falas podem atingir o público, o Portal Andrezza Barros conversou com a psicóloga Luana Almeida (CRP 03/33237), que analisou os efeitos psicológicos ligados a esse tipo de narrativa.

Segundo a profissional, associar a origem de alguém a um grau de dignidade é uma ideia antiga, mas que ainda opera de forma silenciosa na sociedade. “Quando alguém atrela origem à ideia de valor, resgata uma noção muito antiga. Para quem nasceu de violência sexual ou já enfrentou esse trauma, isso pode trazer culpa, vergonha e a sensação de que existe algo ‘errado’ com sua própria existência”, explica.

Ela reforça que, com o tempo, esse tipo de discurso pode afetar autoestima, identidade e sentimento de pertencimento. “É importante deixar claro: a forma como alguém nasce não define seu valor. A dignidade de uma pessoa está na história que ela constrói.”

No Brasil, a discussão envolve números alarmantes. Mais de 70 mil casos de estupro foram registrados em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a maioria envolvendo meninas menores de 14 anos, justamente o grupo mais vulnerável a esse tipo de violência. Para famílias e sobreviventes, ouvir frases que diminuem quem nasceu de estupro pode significar reviver dores profundas.

A segunda fala da atriz sugerindo que a infertilidade estaria ligada a uma suposta incapacidade de amar também preocupa especialistas. A infertilidade afeta 8% a 12% dos casais brasileiros, de acordo com dados do Ministério da Saúde e já está associada a sentimentos de luto, frustração e inadequação.

“Quem enfrenta infertilidade lida com emoções muito sensíveis. Quando alguém diz que uma pessoa ‘não tem filhos porque não tem capacidade de amar’, reforça uma ideia injusta de que fertilidade seria prova de valor ou de competência emocional. E isso não corresponde à realidade”, afirma Luana.

Ela destaca que maternidade e paternidade são atravessadas por expectativas sociais intensas e discursos midiáticos podem aprofundar feridas. “A capacidade de amar está no cuidado, no vínculo e na presença, não na biologia.”

Para a psicóloga, frases ditas em um reality show podem ganhar proporções muito maiores do que parecem. A TV aberta, lembra ela, tem alcance nacional e interfere na forma como as pessoas interpretam experiências próprias e alheias. “Quando algo é dito em voz alta, em um programa de grande audiência, muitas pessoas recebem aquilo como se fosse uma validação social. Mesmo no entretenimento, as palavras têm força.”

Luana explica ainda que gatilhos emocionais acontecem quando uma fala desperta memórias antigas: “Quando algo toca em uma dor pessoal, a reação emocional é quase automática. Vem tristeza, raiva, vergonha ou angústia antes mesmo da pessoa conseguir entender o que está sentindo.”

Por isso, para quem se viu afetado pelas frases, a psicóloga orienta reconhecer a emoção e separar o que pertence à própria história daquilo que pertence ao discurso alheio. “É importante identificar: isso me afetou porque toca algo meu. A partir daí, buscar apoio pode ajudar a elaborar essa dor.”

E para quem acompanha o debate de fora, ela sugere atenção ao próprio impacto emocional: “Se uma fala gera reação muito intensa, vale fazer uma pausa, não responder no impulso e buscar informação. Aprender a lidar com gatilhos não significa deixar de sentir, mas compreender a emoção antes que ela nos domine.”

FONTE DA MATÉRIA

Psicóloga Luana Almeida – CRP 03/33237
Instagram: @psi.luanaalmeida

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