Myriã Pedron, influenciadora e comentarista esportiva de 35 anos, natural de Santos (SP), afirma que o domínio sobre futebol tem se tornado um obstáculo recorrente na vida afetiva. Segundo ela, o conhecimento técnico sobre o esporte, que faz parte de sua rotina profissional, interfere diretamente na forma como alguns homens se comportam já nos primeiros encontros.
Ao relatar essas experiências, Myriã explica que a mudança costuma ocorrer quando a conversa chega ao futebol. No início, muitos homens se aproximam acreditando que irão conduzir o assunto. No entanto, ao perceberem que ela acompanha campeonatos, entende de esquemas táticos, jogadas e análises de jogo, a dinâmica se altera. “Quando eles percebem que eu acompanho os campeonatos e entendo de jogadas táticas, o comportamento muda completamente”, afirma.
De acordo com a comentarista, o desconforto raramente é verbalizado, mas se manifesta em atitudes. Ela relata que já notou homens ficando defensivos, outros tentando testá-la o tempo todo, como se precisassem provar superioridade no assunto. Em algumas situações, o interesse simplesmente desaparece. Para Myriã, a repetição desse padrão deixou claro que não se trata de coincidência.
Em determinados encontros, ela conta que chegou a fingir desconhecimento de propósito. A influenciadora relata que já fez perguntas sobre temas que domina apenas para observar a reação do outro. “Quando faço isso, a conversa flui melhor. Parece que a pessoa se sente mais confortável quando pode ocupar o lugar de quem ensina”, diz.
Para Myriã, essas situações revelam expectativas ainda presentes nas relações afetivas. Segundo ela, existe uma regra silenciosa de que o homem deve ser o detentor do conhecimento sobre futebol. “Existe uma ideia não dita: o homem aceita que você seja bonita, mas não espera que você entenda mais do que ele sobre futebol. Quando isso acontece, o interesse muda”, afirma.
Na avaliação da influenciadora, o futebol acaba funcionando menos como um ponto de conexão e mais como um termômetro das relações de poder que se estendem para além do campo. “Nunca foi sobre competir ou provar algo. É só gostar e entender de futebol, mas isso ainda incomoda mais do que deveria”, conclui.
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