Segundo Damião Silva, neuropsicólogo especialista em avaliação psicológica, um dos erros mais comuns na saúde mental infantil é acreditar que a superdotação protege automaticamente contra sofrimento emocional. Na prática, crianças com altas habilidades também podem apresentar intensidade emocional, dificuldade de autorregulação e desafios comportamentais e isso frequentemente leva a diagnósticos equivocados de TDAH ou ansiedade.
Damião Silva explica que pensamento acelerado, sensibilidade elevada e necessidade constante de estímulo intelectual podem ser confundidos com desatenção e inquietação quando não são analisados dentro do contexto do desenvolvimento cognitivo. O problema não é apenas o rótulo incorreto, mas as intervenções inadequadas que podem surgir a partir dele.

Na experiência clínica de Damião Silva, comportamentos como tédio diante de tarefas repetitivas, questionamento frequente, frustração intensa e reações emocionais fortes costumam ser tratados como “problema de comportamento”, quando muitas vezes refletem descompasso entre o nível de desafio oferecido e as necessidades cognitivas da criança.
Damião Silva ressalta que a principal diferença entre superdotação e transtornos do neurodesenvolvimento está na consistência do prejuízo: nos transtornos, as dificuldades aparecem de forma contínua em vários contextos; nas altas habilidades, o desempenho varia conforme o ambiente e a qualidade da estimulação.
Outro ponto destacado por Damião Silva é o impacto de um diagnóstico impreciso: queda de autoestima, desmotivação escolar, medicalização desnecessária e invisibilidade do potencial intelectual.

Por isso, Damião Silva reforça que a avaliação neuropsicológica diferencial é essencial para distinguir características das altas habilidades, possíveis comorbidades e casos de dupla excepcionalidade. Avaliar com profundidade é o que permite cuidar, ao mesmo tempo, da saúde emocional e do potencial da criança.
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