O condomínio virou o novo ponto de venda

Por Aldair dos Santos • 07 out 2026
O condomínio virou o novo ponto de venda

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Consumidores combinam diferentes formatos de compra, e espaços residenciais começam a incorporar soluções que aproximam o varejo da rotina dos moradores

O varejo está mudando de endereço. À medida que os consumidores combinam diferentes canais e formatos para resolver suas necessidades, espaços residenciais começam a assumir uma nova função: além de lugar de moradia, o condomínio passa a incorporar pontos de venda e serviços que antes estavam concentrados nas ruas e centros comerciais.

Uma análise publicada pela McKinsey em 18 de setembro de 2026 mostra que o consumidor brasileiro passou a combinar canais e formatos, escolhendo de forma mais deliberada onde resolver cada necessidade de compra. O estudo também aponta mudanças na configuração dos lares, com famílias menores, novos arranjos e envelhecimento da população, fatores que ajudam a redesenhar o que se compra, em que quantidade, onde e com que frequência.

Nesse cenário, a proximidade ganha importância. Pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Sebrae aponta que 77% dos entrevistados fazem a maior parte das compras perto de casa. Entre os produtos mais adquiridos nesse entorno estão itens de supermercado, citados por 81% dos entrevistados. Conforto, comodidade, agilidade e facilidade aparecem entre os principais motivos para essa preferência. O levantamento foi divulgado em julho de 2026 e compara os resultados com uma edição realizada em 2017.

A combinação desses movimentos ajuda a explicar o avanço de modelos que levam o varejo para dentro dos próprios empreendimentos residenciais. “O varejo está se aproximando cada vez mais da rotina do consumidor. Quando você coloca um ponto de venda dentro de um condomínio, não está apenas levando produtos para perto das pessoas. Está inserindo a compra em um espaço que elas já frequentam todos os dias”, explica Luciane Gomes, sócia fundadora da Eko Market, rede de mercados autônomos.

O consumidor não compra tudo no mesmo lugar

A mudança não significa que o condomínio passe a substituir supermercados ou outros estabelecimentos. A tendência é que diferentes formatos atendam diferentes ocasiões de consumo.

Uma compra maior pode continuar sendo feita em um supermercado, enquanto produtos de reposição, itens de última hora ou necessidades específicas podem ser resolvidos em um ponto de venda mais próximo.

A própria McKinsey identifica essa fragmentação da jornada de compra. Segundo a análise, o consumidor está comprando menos itens por visita, aumentando a frequência de compras e transitando entre diferentes canais. Em 2025, metade dos consumidores analisados utilizou mais de oito canais de compra.

É justamente nessa combinação de formatos que os mercados autônomos instalados em condomínios encontram espaço. O modelo busca atender compras de conveniência e reposição sem exigir que o morador deixe o empreendimento. “O consumidor não escolhe necessariamente um único lugar para fazer todas as compras. Ele combina opções de acordo com o que precisa naquele momento. O desafio do varejo é entender essas diferentes ocasiões de consumo e estar presente onde a necessidade acontece”, afirma Luciane.

O mercado precisa se adaptar ao condomínio

A instalação de um ponto de venda dentro de um empreendimento também muda a lógica tradicional do varejo. Em vez de trabalhar com um modelo único, a operação precisa considerar as características de cada comunidade.

Número de moradores, composição dos apartamentos, faixa etária, rotina e hábitos de consumo podem influenciar a escolha dos produtos e o funcionamento da unidade.

Na Eko Market, essa análise faz parte da operação. A definição do mix considera as características de cada empreendimento, enquanto o comportamento de compra observado após a abertura pode orientar ajustes na oferta. “O condomínio não é um público único. Cada empreendimento tem uma dinâmica própria. Por isso, não faz sentido simplesmente instalar o mesmo mercado em todos os lugares. O mix precisa conversar com aquela comunidade e pode ser ajustado conforme o comportamento de compra”, explica Luciane.

De ponto de passagem a ponto de consumo

A transformação amplia o conceito de varejo de proximidade. Antes associado principalmente às lojas de rua dos bairros, o modelo passa a ocupar espaços privados onde já existe uma comunidade de consumidores e uma rotina de circulação.

Os dados da CNDL ajudam a dimensionar a importância dessa proximidade. Além dos 77% que apontam o comércio perto de casa como principal local de compras, a pesquisa mostra que 20% citam conforto e comodidade como principal razão para essa escolha, enquanto outros 20% mencionam agilidade e facilidade. Acessibilidade e localização aparecem na sequência, com 17%.

Para o varejo, isso cria uma possibilidade de aproximação diferente. Para o consumidor, representa mais uma alternativa dentro de uma jornada de compra que se tornou mais fragmentada.

O movimento também acompanha a transformação do próprio varejo alimentar. A análise mais recente da McKinsey aponta que a competição vem se organizando cada vez mais em torno das diferentes “missões de compra”, enquanto os formatos tradicionais ampliam suas propostas para capturar ocasiões distintas de consumo.

Nesse contexto, o condomínio passa a ocupar uma posição diferente na cadeia de consumo. Não deixa de ser o lugar onde as pessoas moram, mas também pode se transformar em um dos espaços onde elas compram e resolvem necessidades do cotidiano. “Quando o varejo entende que proximidade não é apenas distância física, mas também

conveniência e facilidade, o condomínio passa a ser um espaço com potencial próprio. É uma mudança na maneira de pensar onde uma venda acontece e como o consumidor chega até ela”, conclui Luciane Gomes.

Sobre a Eko Market

A Eko Market é uma rede própria de minimercados autônomos especializada em levar conveniência com propósito para dentro de condomínios residenciais. A empresa alia tecnologia, sustentabilidade, escuta ativa e uma curadoria de produtos personalizada para transformar o consumo do dia a dia em uma experiência prática, efetiva e consciente.

Sobre Luciane Gomes

Luciane Gomes, sócia-fundadora da Eko Market e fundadora da Vértice – Mentoria Executiva & Conselho Empresarial, é bacharel em Marketing com pós-graduação pela ESPM, MBA pelo IBMEC e especializações nos EUA e na PUC. Atuou há mais de 20 anos no mercado de varejo e franchising, com ampla vivência em marketing estratégico, inovação e comportamento de consumo. Reconhecida como Top 50 Gestores de Marketing 2025, 7th Experience e Top 100 Gestores 2023, Amigos do Mercado. Atua como conselheira, participa de redes como o Acelera Varejo e tem atuação ativa em debates sobre o futuro do varejo, consumo consciente e transformação digital no ponto de venda.

(Crédito: Divulgação)

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