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No último episódio do programa Que História é Essa Porchat, a convidada Isabelle Cardoso, encantou a todos com uma história hilária, que viveu quando tinha apenas quatorze anos de idade, ao ser revistada por engano,  pelo esquadrão antibombas americano. Fomos conhecer sua história mais de perto, afinal, de onde vem esse carisma?

Nascida na Praça Seca, bairro de Jacarepaguá – RJ,  Isabelle é atriz, performer e pesquisadora do Ofício do Ator na Universidade Federal Do Estado do Rio de Janeiro. Ela conta que o sonho de estudar teatro em uma universidade pública começou ainda pequena.

 “eu pegava as roupas da minha mãe, e imitava ela pela casa, minha mãe sempre via uns pares de roupa sumindo, e ficava aborrecida (risos)”  contou, Isabelle.

Aos 14 anos, começou a estudar teatro, ingressou na companhia Nós do Asfalto, em Jacarepaguá,  e seu primeiro espetáculo foi O Casamento de Dona Baratinha,  no Sesc de Barra Mansa.

 “eu lembro da primeira vez que entrei num teatro, eu fiquei sem falar por um tempo, o diretor Pablo Oliveira, viu aquilo e  falou:  ‘ – nunca entrou num teatro, menina ?’  De fato, eu nunca tinha entrado. Nesse dia,  percebi pertencia àquele lugar.” Completou, Isabelle

E não foi que ela nunca mais parou? Isabelle conta que desde então, dedicou sua vida toda ao teatro , passou por diversas escolas de teatro, cursos, mestres, e debruçou- se sobre a sua maior paixão: o palco.

 “ eu ficava até tarde estudando, por vezes, chegava em casa duas horas da manhã por conta dos ensaios na faculdade , e minha mãe sempre estava me esperando no sofá. Ela me deu o teatro. Quando contei meu sonho, muitos questionaram, e ela me escreveu um bilhete assim: ‘ meus sonhos são seus sonhos, eu vivo pra você’.  Tatuei o bilhete na minha pele, para que se  um dia eu pensasse em desistir, lembrasse das palavras dela . Eu sabia que ela não tinha condições de pagar meu curso, a gente que é filho sabe, percebia que as vezes ela deixava de comprar coisas  pra ela, pra pagar meu curso, quase ninguém sabe disso , ela não falava. Minha mãe praticamente me criou sozinha , depois da separação.  Por isso eu devo todo o mérito da minha educação ao amor da minha vida , minha mãe Fátima.”

No ano de 2017, Isabelle despediu-se de sua mãe, após uma longa luta pela vida. . Perguntamos, o  que ela acha que  a mãe diria se visse ela na televisão.

 “Ah ,essa pergunta dói … dói muito. Eu queria que ela estivesse aqui pra ver.  Ela ia falar pra pra todo mundo.  Minha mãe nunca  perdeu um só dia que eu tivesse  em cima do palco. Eu olhava pra plateia e ela sempre estava lá.” Disse, Isabelle

Hoje, um dos conceitos investigados na pesquisa de Isabelle na  Iniciação Científica em Artes Cênicas, é a memória , e reverberação do luto na criação cênica. Há mais de dois anos, pesquisando sobre conceitos importantes  no ofício da cena, Isabelle recebeu em Novembro deste ano, uma menção Honrosa, em Teatro, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.  

 “Apesar do objetivo nunca ter sido esse, é inegável o poder terapêutico do teatro. O luto materno, não é só meu,  essa dor não é só minha, muitos que assistiram o trabalho final da minha pesquisa se identificaram , vendo ali suas histórias, ou as histórias de um parente próximo. Quero estrear o espetáculo “Bença,Mãe!” Para compartilhar a  luta de alguém pela vida, luta que também vivi, para que outras pessoas que também lidam com a dor do luto  saibam que não estão sozinhas.”

Para conhecer mais sobre Isabelle Cardoso siga @isabelle.cardoso.p – instagram

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