Sociedade Europeia de Cardiologia alerta que o distúrbio provoca alterações repetidas na oxigenação do organismo e pode comprometer o sistema cardiovascular ao longo dos anos
A apneia do sono pode aumentar silenciosamente os riscos de hipertensão, arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, revela a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Embora seja associada à sensação de cansaço durante o dia, muitos pacientes com problemas cardíacos têm apneia do sono sem sequer relatarem esse sintoma. O alerta de saúde pública se estende ao Brasil, onde 72% da população enfrenta algum distúrbio do sono, diz a Fiocruz.
Estudo da ESC explica que a apneia do sono é um distúrbio respiratório comum, mas frequentemente subdiagnosticado. A condição é caracterizada por episódios recorrentes de interrupção completa ou redução parcial do fluxo de ar durante o sono. A condição é prevalente em pacientes com doenças cardiovasculares.
Ainda conforme a ESC, a apneia obstrutiva do sono (AOS) e a apneia central do sono (ACS) são os dois tipos principais do problema. A primeira afeta 50% dos pacientes com hipertensão, doença arterial coronariana e fibrilação atrial. A porcentagem entre os indivíduos com insuficiência cardíaca é ainda maior, 80%.
A ESC informa que a apneia afeta o coração de forma imediata, mas também a longo prazo. Durante cada pausa na respiração, o nível de oxigênio cai no sangue. Isso faz com que o organismo libere substâncias que aceleram os batimentos cardíacos e aumentam a pressão arterial. As alterações reprisadas ao longo da noite sobrecarregam o coração e favorecem arritmias e picos de pressão.
Com o passar do tempo, o estresse repetitivo da apneia do sono provoca inflamação sistêmica, estresse oxidativo e disfunção endotelial. De acordo com o estudo, esses fatores aceleram a aterosclerose, pioram a resistência à insulina e ainda contribuem para a síndrome metabólica. A carga cumulativa aumenta os riscos de hipertensão sustentada e doença arterial coronariana, alerta.
O estudo destaca também que os cardiologistas são responsáveis pela identificação e pelo encaminhamento de pacientes de risco. As investigações clínicas, que também são funções do cardiologista, facilitam a identificação das condições. O monitoramento pode reduzir a necessidade de hospitalização e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo a ESC os otorrinolaringologistas também podem integrar a avaliação e ficar encarregados de acompanhar o aparelho respiratório. A recomendação do estudo vale para o Brasil, onde cerca de um terço da população enfrenta distúrbios do sono.
Avaliação do sono facilita diagnóstico e tratamento
Para a Associação Americana do Coração (AHA), a hipertensão resistente, descompensações recorrentes de insuficiência cardíaca, fibrilação atrial de difícil controle ou sintomas noturnos como falta de ar, engasgos ou despertares frequentes são sintomas que devem ser investigados. Os sinais podem sugerir apneia do sono subjacente, mesmo sem a sensação de sonolência ao longo do dia.
O diagnóstico da condição pode ser feito pela polissonografia em laboratório. Pesquisadores da ESC explicam que o índice de apneia-hipopneia (IAH) indica quantas vezes por hora o paciente parou de respirar total ou parcialmente durante o sono. O resultado permite dizer se o distúrbio é leve, moderado ou grave.
O exame também fornece o mapa do sono, que indica quanto tempo o paciente permaneceu em cada fase do sono. A investigação identifica se o descanso da pessoa tem sido profundo e reparador ou interrompido. O estudo descreve que o teste domiciliar da apneia do sono tende a ser mais acessível e pode oferecer aos cardiologistas o rastreamento remoto de seus pacientes.
De acordo com os pesquisadores europeus, o tratamento do distúrbio pode incluir o uso de um aparelho que mantém as vias aéreas abertas com pressão ativa contínua. Mudanças no estilo de vida também podem ser indicadas aos pacientes. Explica que isso inclui a perda de peso e a não ingestão de bebidas alcoólicas antes de dormir. Casos graves ou específicos podem envolver até intervenção cirúrgica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o planeta já vive uma epidemia de distúrbios do sono. Aproximadamente 40% a 45% da população global enfrenta alguma condição relacionada ao sono, como a apneia. Para a OMS, os exames de rotina e a consulta com profissionais de saúde qualificados são fundamentais e afastam problemas mais graves no futuro.
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