Gaela, marca criada por Laura Toledo e Gabriela Thompson, nasceu de uma sociedade entre amigas e cresceu com encomendas por delivery antes de ganhar endereço fixo em Perdizes. O movimento contraria a lógica tradicional do varejo gourmet e se insere em um mercado de chocolate premium que movimenta US$ 33,7 bilhões globalmente.
Laura Toledo e Gabriela Thompson poderiam ter seguido cada uma com sua confeitaria. Laura tinha a Toledo Bakery em Itatiba, no interior de São Paulo. Gabriela tocava a Doces Amores, em Belo Horizonte. As duas se conheceram em 2023, durante o curso de Pâtisserie da Le Cordon Bleu, e descobriram que tinham mais em comum do que a formação: ambas haviam entrado na gastronomia influenciadas pela família, ambas haviam aberto negócio com as próprias irmãs, ambas cursaram a escola IGA antes de chegar à escola francesa.
Gabriela era cliente de Laura. Comprava os doces da amiga com frequência e acompanhava o trabalho de perto. A admiração profissional virou conversa, a conversa virou projeto, e o projeto virou a Gaela. O nome já entrega a fórmula: a junção de Gabriela e Laura.
“Até então, a gente competia sem saber que competia. Quando entendi que a Laura fazia o doce exatamente do jeito que eu sempre busquei, fez sentido parar de tentar sozinha e começar a tentar junto”, conta Gabriela Thompson.
A estratégia da dupla saiu na contramão do que manuais de negócios costumam ensinar. Em vez de abrir um ponto físico, testar o mercado e depois expandir para delivery, fizeram o oposto. Começaram com encomendas pelo WhatsApp e Instagram, trabalhando em pequena escala, ajustando receitas, entendendo o cliente, refinando a identidade visual. O delivery funcionou como laboratório. Quando o café abriu, há dois meses, no Condomínio Edifício Ultramar, na Rua Cardoso de Almeida, 170, em Perdizes, as duas já sabiam exatamente o que o público queria.
“O delivery nos deu coragem e experiência. A gente chegou no balcão físico com mais de um ano de cliente testando, reclamando, pedindo de novo. Isso não se compra em consultoria”, avalia Laura Toledo.
Na contramão do manual de negócios e a favor do mercado de gastronomia
O movimento faz sentido dentro de uma transformação maior do varejo alimentício. Segundo pesquisa da Kantar, brasileiros pedem delivery em busca de sabor (42%) e conveniência (42%), o que confirma o que a Gaela intuiu na prática: há um público disposto a comprar doces pela internet desde que a qualidade justifique. Ao mesmo tempo, o mercado de confeitaria nacional atingiu US$ 3,5 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 4,8 bilhões em 2034, com crescimento anual de 3,35%, segundo a IMARC Group.
No segmento de chocolate premium, especialidade das confeiteiras, os números são ainda mais expressivos. O mercado global foi avaliado em US$ 33,74 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 49,56 bilhões até 2034, crescendo 4,36% ao ano, de acordo com a Fortune Business Insights. Os consumidores que movimentam esse mercado buscam produtos artesanais, ingredientes de rótulo limpo, fornecimento ético de cacau e embalagens que comuniquem cuidado. Na América do Sul, o chocolate premium cresce a uma taxa de 5,96% ao ano, acima da média global.
A Gaela se encaixa nesse nicho com uma produção que as confeiteiras comandam do início ao fim. Cada receita passa por suas mãos desde os testes até a finalização e a embalagem. A escala é pequena de propósito. O cardápio muda toda semana, com doces, sobremesas e criações sazonais que se alternam conforme a estação e a disponibilidade de ingredientes. Há também um catálogo fixo para presentes, lembrancinhas e bolos de ocasião.
“A gente não quer produzir volume. Quer que cada doce chegue na mesa da pessoa com tempo, técnica e intenção. Se fosse para escalar a qualquer custo, teríamos ficado no delivery”, explica Laura Toledo.
Conceito artesanal da Gaela atinge mercado premium
O conceito artesanal que a Gaela adota não é apenas estético. Segundo a Bain & Company, aproximadamente 75% do crescimento recente em bens de consumo está associado ao aumento de valor percebido, não ao volume de vendas. A McKinsey estima que 25% dos consumidores em mercados maduros migraram para produtos mais caros em 2024, e que estratégias de personalização podem elevar a receita das empresas entre 10% e 15%. A Accenture, por sua vez, aponta que 60% dos consumidores preferem marcas que oferecem experiências customizadas.
A cafeteria reflete essa lógica. O espaço é minimalista, charmoso e delicado, com a mesma estética que orienta a criação dos doces. Laura cuida da produção e do atendimento presencial, mantendo contato direto com quem chega. Gabriela assume a comunicação, o Instagram e o atendimento online.
A inversão de rota que a Gaela representa pode parecer simples: começar pelo delivery e chegar ao balcão físico. Mas o que Laura e Gabriela fizeram foi usar a amizade como ativo de negócio. Onde a maioria dos empreendedores vê risco em misturar relações pessoais com sociedade, elas viram vantagem competitiva. Conheciam o trabalho uma da outra, sabiam do que gostavam e do que desconfiavam. Tinham formação idêntica, mas olhares complementares.
“A Gaela é a soma de duas trajetórias que começaram separadas. A gente não planejou virar sócia. Aconteceu porque fazia sentido”, diz Gabriela Thompson.
Sobre a Gaela
A Gaela é uma marca de confeitaria artesanal fundada por Laura Toledo e Gabriela Thompson, chefs pâtissiers formadas pela Le Cordon Bleu. Atua com encomendas e cafeteria, com produção em pequena escala e cardápio renovado semanalmente. O nome é a junção de Gabriela e Laura.
Serviço
Loja: Rua Cardoso de Almeida, 170, loja 01, Perdizes, SP.
Delivery: Ifood e Whats app 11 97879-2394
Instagram: @gaelachocolateria
Produtos: cafeteria, doces, sobremesas, bolos, presentes e encomendas
(Crédito: Arquivo Pessoal)
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