Cirurgião vascular explica por que a abordagem em etapas é fundamental para o controle da doença
O lipedema é uma condição crônica, inflamatória e progressiva que afeta principalmente mulheres e ainda é frequentemente confundida com obesidade ou retenção de líquidos. Caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, dor ao toque, sensação de peso e inchaço, a doença impacta diretamente a mobilidade, a autoestima e a qualidade de vida.
Com o aumento da procura por soluções cirúrgicas, especialistas alertam para um erro comum: tratar o lipedema como um problema exclusivamente estético. Segundo o Dr. Douglas Strezza, cirurgião vascular, a cirurgia pode ter seu papel, mas não deve ser o ponto de partida.
“O lipedema é uma condição sistêmica. Quando a cirurgia é feita sem preparo clínico, os resultados tendem a ser limitados e menos duradouros”, explica o médico.
Tratamento em escada: passo a passo para controlar o lipedema
De acordo com o especialista, o manejo adequado do lipedema segue uma lógica progressiva, em que cada etapa prepara o corpo para a próxima.
Atividade física orientada
Exercícios de baixo impacto ajudam a estimular a circulação, reduzir dor e melhorar a função do sistema linfático.
Dieta anti-inflamatória
A alimentação adequada contribui para o controle da inflamação crônica, comum no lipedema, e para a redução de sintomas como edema e fadiga.

Perda de peso, quando indicada
Embora o lipedema não seja causado pela obesidade, o excesso de peso pode agravar o quadro e aumentar o desconforto.
Suplementos e medicamentos
Em alguns casos, podem ser indicados para auxiliar no controle inflamatório, circulatório e metabólico, sempre de forma individualizada.
Tratamento de comorbidades
Condições associadas, como resistência à insulina, alterações hormonais e inflamação sistêmica, precisam ser tratadas para que o controle do lipedema seja eficaz.
Fisioterapia, compressão e drenagens
A fisioterapia especializada, o uso de meias de compressão e a drenagem linfática ajudam a reduzir inchaço, dor e sensação de peso nas pernas.
Manejo psicológico e qualidade do sono
O impacto emocional da doença é significativo. Ansiedade, frustração e distúrbios do sono interferem diretamente na inflamação e na evolução do quadro.
Tecnologias terapêuticas
Equipamentos que auxiliam na circulação e na melhora do tecido subcutâneo podem ser aliados importantes no tratamento.
Cirurgia: o último recurso
A cirurgia é considerada apenas após a consolidação das etapas clínicas.
“Quando respeitamos esse caminho, a cirurgia se torna mais segura e com melhores resultados a longo prazo”, afirma o Dr. Douglas Strezza.
Abordagem individualizada é essencial
O especialista reforça que não existe um tratamento único para todas as mulheres com lipedema. Cada paciente apresenta sintomas, fases da doença e respostas diferentes às intervenções.
Mais saúde, menos pressa
O tratamento do lipedema vai além da estética e exige cuidado contínuo. Respeitar as etapas não significa atraso, mas sim estratégia para garantir segurança, eficácia e melhora real da qualidade de vida.
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