Jorge Alexandre Moreira, autor de NUMEZU, começou de forma independente e esse ano lançou um dos livros mais aterrorizantes indicado ao Prêmio Jabuti

Entrevista! Jorge Alexandre Moreira lançou seu primeiro livro de forma independente, em 2003, quando essa não era uma prática comum no mercado. Escuridão, um terror ambientado na Amazônia, com um conflito entre Brasil e EUA como pano de fundo, que foi considerado por diversos sites como um dos melhores livros do gênero já publicados no Brasil. Este ano, lançou o romance NUMEZU, que foi um dos 10 finalistas do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do país. Foi a primeira vez que um livro de terror constou da lista. Em 2021, Jorge espera escrever bastante.

Oi, tudo bem? Você lançou seu primeiro livro de forma independente em 2003. Como você descobriu: “eu quero ser escritor”? E como foi esse marco de ter seu primeiro livro publicado?

Jorge: Desde meus 12 anos, quando comecei a escrever meus primeiros contos um pouco mais elaborados em folhas de caderno, já percebi que queria fazer aquilo. A escrita, a construção de uma história de ficção, me vinha muito naturalmente. Não sei explicar isso, mas era quase como se fosse uma coisa que meu cérebro tivesse uma noção inata de como fazer. Embora haja essa sensação, eu sei que não é esse o caso. Li muito, obsessivamente, desde criança. Essas histórias que eu li me ajudaram a contar novas histórias, tanto nos temas quanto na forma de contar.

Quais foram e quais são as maiores dificuldades para um escritor no Brasil?

Jorge: As dificuldades são várias e grandes. Comparado com países desenvolvidos, o brasileiro lê pouco e recebe quase nenhum incentivo para ler mais. No meu campo específico, que é o da literatura de ficção, a coisa é mais séria, pois o brasileiro que lê não costuma ler ficção. Lemos muita autoajuda e biografias. Não tenho ideia de números, mas a impressão que tenho é que, quando era mais jovem, muito mais brasileiros liam para se divertir. 

Seu livro NUMEZU foi o primeiro com o tema terror a concorrer ao Prêmio Jabuti. Qual foi a sensação que sentiu ao ter sua escrita nessa premiação?

Jorge: Foi indescritível. No dia em que recebi a notícia, tinha passado o dia todo sem acesso à internet. Eram quase 16 horas quando entrei em casa e minha mulher me deu a notícia de que eu estava na final. Mal consegui acreditar. Fiquei em êxtase. É de uma importância muito grande para a literatura de entretenimento ter o reconhecimento de uma premiação do nível do Jabuti. E é claro que fiquei muito feliz e orgulhoso. 

Para o ano de 2021, quais são suas expectativas tanto profissional quanto pessoal?

Jorge: Quero escrever mais. Muito mais. Em 2019 e 2020 cuidei muito de redes sociais, marketing digital. Atualmente, é essencial dar atenção a esses tópicos dessas coisas para um autor que está querendo se firmar no mercado e se tornar conhecido. Mas, ao contrário da escrita, isso é algo que não me vem naturalmente e que não tenho muito prazer em fazer. Por outro lado, tenho ideias e mais ideias se enfileirando na minha cabeça. Em 2021 é o ano de focar nelas e escrever. As redes sociais e o marketing digital não vão ficar de lado, mas vão receber menos atenção. 

Para quem quer seguir na área, quais as melhores dicas que você daria para essas pessoas?

Jorge: Em primeiro lugar, leia muito e escreva sempre que possível. Nunca conheci – e, honestamente acho que não existe – nenhum bom escritor que não seja um ávido leitor. Mas só ser um ávido leitor não adianta, então é preciso colocar para fora e escrever, mesmo que o resultado, no começo, seja aquém do que você esperava. Meu próximo conselho tem a ver com compartilhamento. Não acho que você deve sair lançando, seja em formato físico ou e-book, as primeiras coisas que você escrever. Mostre para seus amigos, mostre para pessoas que você conhece que gostam desse gênero, envie para um leitor experiente fazer uma leitura crítica, mas não saia publicando, pois o mais provável é que seus primeiros trabalhos deixem a desejar e eles podem prejudicar sua carreira literária, pois alguém que os leu pode não gostar tanto e não ler um próximo. Espere sua arte estar um pouco mais maturada para compartilhá-la com o mundo. Finalmente, invista em conhecimento. Faça cursos sobre escrita, leia livros, pergunte a quem entende.

Para os leitores que não te conhecem, conte um pouco mais sobre quem é Jorge Alexandre Moreira.

Jorge: Nossa, que difícil. Vou disfarçar e sair de banda, nessa. 🙂

Deixe uma mensagem.

Jorge: Se você gosta de literatura de ficção, procure conhecer os novos talentos nacionais. Principalmente, nos campos do terror, do suspense e do policial, há muitos escritores bons que grande parte do público desconhece. Claudia Lemes, Oscar Nestarez, Paula Febbe, busquem essas pessoas e as conheçam. 

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