Geração Z quer cancelar o cancelamento

A cultura do cancelamento já deu as caras muitas vezes nos últimos meses atuando diretamente contra influencers e celebridades brasileiras. A prática considerada recente consiste em campanhas online que ganham força nas redes sociais conforme usuários chamam atenção para atitudes e comentários que consideram erradas, denunciando a pessoa responsável para que seja punida e responsabilizada de alguma forma. Embora o cancelamento ser uma prática do universo online, muitos jovens da geração Z não concordam com a movimentação, de acordo com pesquisa feita pelo Yubo.  

A plataforma social de lives focada em fornecer um ambiente online seguro onde os jovens têm a liberdade de socializar entre sua própria faixa etária realizou pesquisa com quase 6 mil respondentes brasileiros em outubro deste ano. Cerca de 72% dos usuários afirmou que nunca cancelou alguém apesar das muitas movimentações online. Parte da motivação está na falta de resultados do cancelamento: 49% não acredita que as pessoas canceladas realmente revejam suas ações buscando mudanças. 

Ao mesmo tempo, apesar de não concordarem com a cultura do cancelamento, 57% considerariam cancelar alguém que repetidamente teve atitudes erradas e preconceituosas. Cerca de 65% dos entrevistados acreditam que uma campanha e movimentação na internet é a forma mais eficaz de responsabilizar alguém e exigir mudanças concretas. 

Cancelamento entre amigos 

A pesquisa verificou que a cultura do cancelamento não intimida somente pessoas famosas nas redes sociais: 51% dos entrevistados diz sentir medo de ser cancelado entre os amigos. Esse receio fez com que 25% deles não postassem fotos de alguma atividade em suas redes sociais por conta do risco de cancelamento. Ao mesmo tempo, 26% afirmou que postou fotos sabendo do “risco” de que poderia ser excluído de seu grupo. 

Há poucos meses no Brasil, o Yubo registrou 1300% de crescimento no país entre março e setembro, durante o período de isolamento social por conta da pandemia da Covid-19. A plataforma de lives sem métricas como curtidas, seguidores ou comentários, foi selecionada por 58% dos usuários como a menos provável de cair na cultura do cancelamento justamente por sua ausência de métricas que muitas vezes geram um ambiente de pressão social. 

“A cultura do cancelamento tem crescido online e é algo que impacta diretamente a experiência dos jovens nas redes sociais. É importante entender os receios e oferecer espaços seguros em que seja possível uma socialização sem medo, mas que ao mesmo tempo exija responsabilização por parte daqueles que tenham comportamentos preconceituosos”, diz Sacha Lazimi, cofundador e CEO do aplicativo com sede na França. 

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