Bella Ciao: Mônica Marianno fala como é dar voz a Mônica Gaztambide e nos conta um pouco mais sobre seu início na carreira

Mônica Marianno, dubladora há 5 anos, seguia carreira de cantora há mais de 20 anos, quando decidiu que queria seguir a dublagem também. Em pouco tempo de carreira a mesma carrega uma vasta linha de trabalhos como: Simon, Hotel Transilvania – ambos da Disney Jr; The Purge da Amazon; P Valley da Starz; entre outros incríveis trabalhos.

Mas atualmente, a mesma tem chamado atenção dando voz a Mônica Gaztambide, a Estocolmo de La casa de papel. E aproveitando o sucesso que a série tem feito e o ótimo trabalho tanto dos atores, quanto dos dubladores, entramos em contato com Mônica para conversar um pouco sobre seu trabalho. Confira a entrevista:

Olá Mônica, tudo bem? Você já seguia uma carreira de cantora quando decidiu virar dubladora. O que a fez seguir por este caminho?

Mônica: Já seguia a carreira de cantora há mais de 20 anos, quando decidi me tornar dubladora. Sempre foi uma paixão desde criança a dublagem, mas para você ser um dublador, tem que ser um ator formado, e só fui estudar arte dramática depois dos 40 anos. Já tinha vinte e poucos anos de carreira como cantora e o que me fez ir buscar, foi a necessidade de me reinventar. O mercado da música aqui no Brasil estava em decadência e previ que deveria ir buscar uma outra fonte de trabalho e de satisfação pessoal.

Nos conte um pouco sobre você.

Mônica: Basicamente, comecei a cantar nos anos 80, nos anos 90 me profissionalizei. À partir de 2004, abri uma empresa de produção de música ao vivo para eventos, e paralelo a isso, sempre gravei jingle, música para estúdios, trilha de filme, comercial… Sempre trabalhei em estúdio com a voz, dei aula de canto.. Até que em 2009, fui para Europa trabalhar no navio de Cruzeiro como cantora, fiquei seis meses trabalhando como cantora de jazz. Quando voltei, estava apaixonada pelo jazz, me dediquei bastante a esse estilo, mas basicamente sou uma cantora de qualquer gênero, sou uma operária da música e agora na dublagem também. Vários personagens, várias pegadas, voz caricata, voz de vovó, voz de bichinho, a gente aprende a mimetizar a voz baseada nos personagens.

Interpretando a personagem Mônica Gaztambide, a Estocolmo de La casa de papel, qual o significado desta personagem para você?

Mônica: O significado para mim é muito especial, porque coincidentemente eu e todos os dubladores de ‘La casa de papel’, principalmente da primeira fase – a primeira e a segunda temporada – aquele elenco inicial, a gente acabou virando uma família. Então existe uma relação muito bonita dos personagens com os dubladores, casualmente existem coisas em comum que a gente acabou adquirindo sobre os personagens. A Mônica é muito maternal, ela é agregadora, e acho que isso vai imprimir nas próximas temporadas. Acho que ela vai acabar, tenho impressão que ela vai acabar tomando um papel de liderança, até porque ela é um pouco mais velha que eles. Acho que me identifiquei bastante com a personagem, ao mesmo tempo que ela tem garra, vai à luta, ela é doce também, é protetora.

Comparando a Mônica dubladora e Mônica personagem, o que vocês duas têm em comum?

Mônica: Quando comecei a dublar a Mônica, também estava no começo da carreira. Estava dublando há apenas dois anos e meio mais ou menos. Hoje já dublo há cinco anos, mas quando comecei, também era muito como Mônica, era mais contida. Você vê, a Mônica era uma secretária que estava em um ambiente que não era a paixão dela, então vejo que também como dubladora me soltei mais. Acho que o personagem tem isso também. Quando encontrei com a Esther Acebo, que é a atriz que faz a Estocolmo, pedi para ela uma dica para entender essas duas fases, a Mônica antes e depois de ter virado Estocolmo. E para ela, a Mônica era como uma fera que tinha ficado todo esse tempo numa jaula, e que ter conhecido o Denver, fez com que ela se libertasse e saísse mesmo para viver. Achei muito bonito isso que ela disse para mim.

Ainda sobre a Estocolmo, como foi conhecer a Esther Acebo pessoalmente?

Mônica: Foi muito emocionante, principalmente, porque ela é realmente uma pessoa muito doce, muito atenciosa. Teve o carinho de conversar comigo sobre a personagem, ela perdeu o tempo dela para falar sobre o trabalho comigo, não só se conhecer, se abraçar, trocar fotos. Na verdade, ela falou comigo de atriz para atriz, e isso me deixou muito encantada, muito feliz. Quem é o dublador que tem a chance de poder falar com o ator a quem ele dá voz? É muito raro, são poucos e fui muito sortuda. E isso foi graças a um fã da série.

A pandemia acabou estacionando muitos planos. Quais são suas metas para depois da quarentena?

Mônica: A pandemia parou muitos projetos mesmo. As minhas metas para depois da quarentena são… é engraçado, mas a vida do dublador não é uma uma vida garantida. A gente todo santo dia tem que bater na porta de um estúdio novo ou se é o mesmo estúdio, tem que ainda convencer um novo diretor a te conhecer, te ouvir, te dar uma oportunidade, te deixar fazer um teste e é exatamente isso que vou fazer. Quando a pandemia estiver sob controle, a gente tiver acesso a uma vacina, vou bater em todas as portas que puder de novo. Quero entrar no mercado de games também, porque tenho a impressão que um dia vão acabar criando um game de ‘La casa de papel’ e queria me aprofundar mais nesse assunto da dublagem de games. Além disso, quero produzir dois espetáculos musicais. Um sobre a vida da Édith Piaf cantora Francesa e o segundo sobre a Amália Rodrigues, cantora de Fado portuguesa.

Quais personagens que você dá voz mais te marcaram?

Mônica: São vários personagens, na dublagem poucos são os dubladores que tem aquele personagem super famoso, só os grandes mitos. Nós que somos dubladores iniciantes – se considera um ator em dublagem iniciante aquele que não atingiu 7 anos de carreira -, até ele atingir 7 anos, é considerado um novato. Então, em virtude disso, sou uma novata com cinco anos de carreira. Fiz coisa que gostei tanto e que não são coisas tão famosas. Simon (Disney Jr), Hotel Transilvania (Disney Jr), 90 dias para casar, Ame-a ou deixe-a Vancouver, Damnation (Netflix), Falling Water (Amazon), Miami Ink (Discovery), Greanleaf (Netflix), Disjoited (Netflix), Happy (Netflix), ID-0 anime (Netflix), Wrecked, Pupstar (Netflix), Nailed It (Netflix), Little Big Awsome (Amazon), Pete The Cat (Amazon), Mysticons, Taken, Glow, My CrazySex, Beyblade Burst, O Mundo de Greg (Cartoon Network), The American Dad (Fox), Ru Pauls Drag Race, Casamento dos Sonhos (Discovey), Stunt Science (Netflix), Dino Dana, Snowfall, Ingovernable (Netflix), Final Table (Netflix), Tesouros do Egito (National Geografic), Larva Ilhados (Netflix), The Purge (Amazon), P Valley (Starz) e muitas outras.

Deixe uma mensagem.

Mônica: A mensagem que deixo é para que as pessoas continuem a prestigiar a dublagem brasileira, porque a dublagem brasileira é uma das melhores do mundo e eu não tenho dúvida disso. Para que ela aconteça do jeito que ela acontece, muitos profissionais estão envolvidos. Técnicos, revisores, gente que faz a marcação dos anéis – as unidades de divisão dos diálogos -, diretores, todas as etapas de um estúdio de dublagem e preparação dos dubladores. E deixaria como um conselho para quem gostaria de trabalhar nessa área, que seja o mais versátil possível em tudo. Leia de tudo, conheça um pouquinho de cada coisa, porque quanto mais você tiver repertório, mas você vai ser rápido para adaptar coisas ali ao vivo. As pessoas acham que o dublador sabe antes o que ele vai dublar, que ele leva para casa, estuda, mas não. Ele só descobre aquilo na hora, assisti uma vez, ensaia na segunda e grava na terceira. Então, é tudo muito rápido, você precisa ser uma pessoa versátil. E a versatilidade é sempre a chave do sucesso na vida, quanto mais você souber um pouquinho de cada coisa, mas chance você tem de sobreviver num mundo hostil. A dublagem vai cobrar isso! Obrigada.

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