Conheça um pouco mais sobre Mauro Horta, nosso vingador mais forte

Reprodução/Arquivo Pessoal

Tragam-me o Thanos! Quem é que não se emociona ao ouvir essa frase durante a chegada de Thor em Wakanda, no filme Vingadores Guerra Infinita? E quem dá a voz a esse ícone é ninguém menos que Mauro Horta, dublador que entrou na área em 1997 e nunca mais parou.

Além do nosso Deus do Trovão, Horta tem em sua bagagem muitos outros personagens como: Reptillus Maximus em Toy Story: Esquecidos pelo Tempo; Duke Caboom em Toy Story 4; Andy DeMayo em Steven Universo; Shifty Sidewinder em Carros: As 500½ de Radiator Springs; Fantasma do Natal Presente em DuckTales: Os caçadores de aventuras; Rex de Ben 10; Pacho Herrera de Narco; o Smurf Fominha do Smurf 2; Destruidor em As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras; Gavião Arqueiro em Arrow e Lendas do Amanhã; além de dar voz a Chris Hemsworth em diversos filmes; e muito mais.

Em um bate papo descontraído, Mauro cedeu uma entrevista ao site falando um pouco mais sobre sua profissão, esta que ele valoriza e se orgulha tanto. Confira:

Olá Mauro. Primeiramente, gostaria que você contasse ao público um pouco sobre o início da sua carreira.

“Comecei no teatro, na música (tive banda tanto em Brasília onde nasci, como também aqui no Rio, onde moro há 25 anos) por volta de 1987. Em 1992, tirei meu Registro Profissional devidamente registrado na Delegacia Regional do Trabalho. Então, a minha história começa pelo teatro que sempre foi uma base pra minha formação como ator. A Dublagem propriamente dita entrou na minha vida em 1997. Estou parecendo professor de história (cheio de datas😬😬😬). Comecei na extinta VTI (VERSÃO INTERAMERICANA) RIO”.

Um personagem que você dubla que chama atenção é o Thor. Como é dar a voz a este personagem tão especial?

“O ‘THOR’ é um personagem da mitologia nórdica, um herói que está no inconsciente coletivo há muitos e muitos anos. Quando criança, lembro de criar histórias onde ele também estava presente (eu tinha uns bonecos de borracha, tipo miniaturas, com os quais ia brincando e construindo esse universo lúdico). Ser hoje em dia (na verdade há 10 anos mais ou menos) o intérprete desse ícone da cultura Pop Geek pra mim é uma honra, uma realização de um sonho que começa ainda criança. E me sinto muito ‘digno’🥰⚡🎤🎧⚡⚒️por isso”.

Ainda sobre o Thor, como foi o processo para conseguir o papel?

“Fui convocado pra fazer o teste (em geral, para os grandes personagens são exigidos e para personagens menores também, porque ambos são importantes nas histórias), junto com mais alguns colegas e eu, com as bençãos de Deus 🙏 e Odin ⚡ acabei levando ✌️”.

Além do Thor, você dá a voz brasileira para muitos filmes estrelado por Chris Hemsworth. É mais fácil dublar um mesmo ator em filmes diferentes  ? Qual a diferença para a dublagem de um ator que dá a voz uma única vez?

“Dublar o Chris HemswHORTA 😀 é um prazer, uma honra e uma satisfação porque, apesar do esteriótipo de galã, ele é um grande ator na minha modesta opinião. Ele transita bem por todos os gêneros: comédia, drama, aventura, suspense etc. Estou só esperando ele fazer um filme de terror 😳😳😳pra eu ter a oportunidade de dublar também. Então, como ele é um ótimo ator isso ajuda na hora de dublar (não que seja fácil, aliás nunca é). Dublar outros tantos atores como costumo fazer também, mesmo que seja uma vez ou mais vezes, também não é fácil. Tudo vai depender do personagem que foi construído pra aquele determinado filme, série etc”.

Considera algum personagem o mais especial? Existe algum que tenha se arrependido de dublar ou achado que poderia ter se saído melhor depois que assistiu?

“Difícil apontar um personagem mais importante ou especial que outros. Cada trabalho, cada personagem novo é uma nova etapa, um novo envolvimento. Mas, se é pra eleger um eu fico com o “Vingador mais forte 💪”😀⚒️⚡. Dublaria novamente se fosse possível um dos primeiros vilões que fiz : “Gul Ducat” do Star Trek Deep Space Nine. Não porque tenha ficado ruim, mas em função da pouca estrada e do nervosismo pela responsabilidade, eu dublaria bem melhor hoje em dia”.

Reprodução/Instagram
Qual dica você daria para quem quer seguir a mesma área ?

“Não daria exatamente dicas, mas poderia sugerir algumas reflexões pra aquele que pensa em ser Dublador como por exemplo: Por quê escolheu essa carreira? Gosta de atuar? Tem talento? Vocação (as vezes mais importante do que o talento)? Pensa em fazer teatro? Conhece bem a língua portuguesa (fundamental pra se ter um trabalho mais sólido, mais consistente)?. Enfim, a profissão de Ator, de Dublador, de Músico, de Artista no Brasil é muito ingrata e difícil. Portanto, pra se tornar um Dublador de ponta, um profissional de excelência é fundamental humildade, perseverança e dedicação, porque está longe de ser uma carreira fácil de alcançar uma certa estabilidade”.

A pandemia acabou estacionando muitos planos. Quais são suas metas para depois da quarentena?

“Bom, retomar o trabalho com mais tranquilidade (porque aos poucos está voltando com todas as precauções) e com um pouco menos de intensidade. Pelo menos estou torcendo pra isso, mas não sei se vou conseguir. O ritmo antes da pandemia estava como sempre foi muito frenético. Acho que esse período serviu pra mostrar também a necessidade de desacelerar um pouco, frear essa loucura da produção insana. Enfim, isso é o que desejaria, contudo não sei se efetivamente isso irá acontecer. Bom, no campo profissional seria isso. No pessoal, há muito mais a ser realizado no período pós-pandemia 😀”.

Como faz para se preparar para dublar um personagem? Existe alguma preparação especial?

“Em geral, ficamos sabendo o que vamos Dublar na hora. Então, não há como haver uma preparação, tudo é muito rápido, frenético. No mesmo dia a gente pode dublar um desenho, uma novela mexicana, turca, uma série. Bom, só posso falar por mim: não faço muita preparação antes de começar a labuta. O que costumo fazer é um aquecimento vocal leve no início do dia e beber bastante água”.

Qual o significado da dublagem na sua vida?

“Dublagem pra mim é poesia e explico a razão: a Dublagem (profissional, criteriosa que respeita o público) emociona, faz corações baterem mais forte, sorrisos se estenderem, inclui (pessoas que possuem algum tipo de deficiência: deficientes visuais, dislexos, autistas etc.) e ainda me faz acreditar que muito mais é possível ser feito pra que essa Arte seja incluída como uma das mais brilhantes e mais difíceis de ser exercida”.

Reprodução/Arquivo Pessoal
Deixe uma mensagem.

“Como pai de um filho Autista, espero sempre por um mundo mais inclusivo e, por isso mesmo, vejo na Dublagem essa imensa possibilidade de incluir mais, de permitir que num futuro não haja mais necessidade da bandeira de qualquer inclusão, que o mundo possa ser de fato mais carinhoso e compreensivo com todos. A empatia é uma palavra tão falada, mas muito pouco praticada. A Dublagem pode e deve contribuir muito pra que não só o entretenimento como também a cultura chegue a muito mais gente e leve sempre mais informação e menos ignorância, na medida que essa arte da interpretação através da voz amplie a sua merecida importância e reconhecimento ❤️💙❤️😘”.

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