Maisa Pacheco fala sobre tabu e a procura por prazer em um Sex Shop

Maísa é a única dona do Sex Shop desde 2001 | Divulgação

Inventado em 1962, o Sex Shop ainda chama muitas atenções nos dias atuais, tanto para aqueles que buscam por novas formas de se divertir sexualmente, quanto para aqueles que abominam este tipo de empreendimento.

Apesar do tabu ainda existente, o mercado de produtos eróticos vem crescendo muito, tanto nas lojas virtuais e físicas. A empresária Maísa Pacheco, dona do Sex Shop com o mesmo nome, cedeu uma entrevista para falar um pouco sobre este mercado. Confira a entrevista:

Olá Maísa. O mundo do Sex Shop ainda sofre grande preconceito por sexo ser um tabu na sociedade. Como é ser uma mulher, dona de si e empresária de uma área que é vista com tanto maus olhos?

“O mundo do Sex Shop ainda sofre preconceito, porque tudo que está ligado a sexo, infelizmente, as pessoas têm muito tabu. Não estou falando do geral, já que hoje em dia graças a Deus mudou muito, mas a maioria ainda não tem coragem chegar e falar para uma amiga ou até com parente que foi em um Sex Shop. Existe o Tabu por ser essa parte mesmo do sexo e as pessoas condenam. O mercado mudou muito, mas as pessoas ainda estão muito ligados em pinto. Eles ainda tem aquela cabeça que Sex Shop só vende pinto e não é assim. Daí as pessoas não querem ser julgadas, e é muito mais fácil omitir. E ser dona do Sex Shop, tenho muito orgulho, gosto muito do que faço. Com quase 46 anos, chega uma hora que você já não deve explicação para ninguém e também não tô muito preocupada com julgamento. Então para mim fica muito fácil chegar para as pessoas e falar que tenho Sex Shop, que trabalho nessa área, não me escondo de jeito nenhum. Coloquei o meu nome na loja, não tenho nem como me esconder. Já o lado empresarial, vejo as pessoas aceitarem, e principalmente homens sabe, tem um pouco mais de preconceito quando falo para uma mulher. Quando falo que sou dona de Sex Shop, trabalho já 25 anos, consigo passar esse respeito, mas acho que também vai muito da postura. Não posso chegar, falar que sou dona de Sex Shop,  começar a falar um monte de besteira, monte de asneira e conversar com vulgaridade. Poderia ser dona de uma loja de roupa também. Sempre coloco meu trabalho na frente de tudo e com muito respeito. Respeito o que faço, como passo isso para as pessoas, elas também me respeitam muito. Vejo muito isso, até comento que tenho quase 100 mil seguidores e é muito difícil receber um nudes, porque acho que vai da postura sabe. Assim que é o caminho, sou dona de Sex Shop, gosto do que faço, ninguém tem nada a ver com isso e ponto”.

O uso de objetos sexuais tem muito a ver com a auto estima da pessoa que a utiliza. Qual a sua visão sobre tal argumento?

“Sim, o uso de objetos sexuais têm muito a ver com a auto estima. Isso é uma coisa que ao longo dos anos vou sentindo muito, principalmente quando o casal se separa e a mulher começa a se sentir mulher de novo. É a hora que as mulheres mais procuram Sex Shop, na hora do divórcio. Acho que é a hora que ela está se libertando, voltou a se amar, está procurando ser amada, procurando ser respeitada. Só que ela percebe que também tem que mudar tudo que sempre pensou quando estava casada, aí começa a subir a autoestima. Então é aquele negócio, ela vai e compra roupa, faz cabelo, se maqueia… E aí vem o conhecimento da sua própria vida sexual! A mulher – ou qualquer pessoa – vai atrás disso quando a autoestima está mais alta, é a hora que ela procura sim o Sex Shop, sem dúvida nenhuma”.

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Como surgiu sua loja? E porque escolheu a área de Sex Shop?

“Essa loja surgiu há 20 anos atrás, 22 anos atrás. Entrei de sociedade com uma pessoa e no meio dessa sociedade, depois de 4 à 5 anos, me vendeu a outra metade e foi embora do país. Sabe quando uma coisa cai no seu colo? Não foi muito escolha, eu tinha uma grana, queria investir, porque na época trabalhava vendendo caldo de cana e pastel na rua, e aí estava querendo investir em alguma coisa mais sólida. Uma amiga me apresentou o dono desse Sex Shop e ele me fez uma proposta. E eu aceitei, como sempre gostei desse meios, sempre gostei muito de conversar com mulheres sobre sexo, acabei encarando. E depois de um tempo, essa pessoa teve uns problemas pessoais e teve que ir embora do país. Comprei a outra metade da loja em 2001, onde comecei a ser a única dona”.

Qual a história mais inusitada que aconteceu nas vendas dos produtos sexuais?

“Existem muitas histórias legais, tanto que a gente tem um livro ‘Os bastidores do Sex Shop’. As pessoas acham que o livro é falando de sexo, mas o livro é sobre as histórias mais engraçadas que aconteceram aqui. Teve muita história boa, uma que gosto muito, até levei para o Fábio Porchat no ‘Que história é essa?’, foi de quando virei traficante. As pessoas perguntam ‘Como assim traficante?’, e eu virei traficante de vibrador. A história é mais ou menos assim: me liga uma senhora, no meio da tarde, perguntando se poderia entregar um produto para ela. A mesma comprou um pênis na época. E eu aceitei e perguntei aonde podia encontrá-la, ela disse que estava no supermercado e perguntei se era no Pão de Açúcar e a senhora confirmou. Daí eu disse ‘tá, eu levo aí para a senhora’. E ela falou ‘olha, embalagem discreta por favor’. Tudo certo, pedi para ela me descrever como estava, ela disse que estava de chapéu, óculos e estaria me esperando perto das frutas. Então, peguei o pacote dela e fui para perto das frutas. Fiquei procurando e não a achava, daqui a pouco só escuto um assobio e quando olhei meio estilo Carmen Sandiego, vi uma mulher com óculos, de lenço, chapéu, chamando mais atenção do que eu que só tinha ido fazer a entrega. O produto era R$ 80 e ela tinha me dado R$ 100, tinha levado R$ 20 de troco, mas ela só falou ‘Joga aqui, joga aqui’ e eu peguei o pênis joguei na sacola dela e a mesma saiu correndo sem nem pegar o troco. Depois disso, ela começou a contar para as amigas passar meu telefone e um virei traficante de vibrador do Pão de açúcar. Eu ia no mercado e as amigas me ligando e dizendo ‘ Olha, tô aqui no mercado, deixa ali perto do óleo’. Daí eu colocava perto do óleo e elas deixavam o dinheiro ali, eu via mais ou menos quem era, elas davam uma piscadinha… Daqui a pouco começaram a pagar com cartão e pediam minha conta. Passei e hoje tenho um grupo de senhoras no Whatsapp e elas depositam o dinheiro na minha conta e vou no supermercado deixo o vibrador lá. Essa história acho muito engraçada, é muito engraçado entregar produto lá sabe. Elas estão me olhando e estão vendo que estou chegando. Acho bem hilário mesmo”.

Quais são os produtos mais procurados na sua loja? E quem procura mais, homens ou mulheres?

“Normalmente, os produtos mais vendidos são voltados para o clitóris, os bullet. Tem uma variação de bullet e em cima deste, nasceu aquele vibrador satisfayer, que leva a mulher a gozar em 23 segundos. Hoje é o campeão de venda da loja! O meu maior público são as mulheres, aí depois vem os gays e depois casais. O homem entra muito pouco sozinho sabe. Meu público até no Instagram é na maioria mulheres. Elas sempre comentam pedindo informação”.

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Qual conselho você dá para aquelas pessoas que querem experimentar um brinquedo sexual, mas tem algum tipo de vergonha ou coisa do tipo?

“Falo para minha equipe que não estamos aqui para vender vibrador, e sim para conhecer nossos clientes, saber onde ele tem mais tesão. O diferencial do nosso Sex Shop é justamente este, você vem na minha loja e não vendo o produto mais caro, faço bem ao contrário. Quero que leve o mais barato para chegar até o mais caro, porque primeiro preciso cativar uma cliente. Você vai se conhecendo nesse meio tempo, cada vez vai me procurar mais… Porque vibrador é assim, não adianta você vir e já levar o melhor, já que de repente você não gosta e gasta um grande quantia de grana tendo uma experiência ruim. Por isso falo para todo mundo não investir em vibrador caro no começo, tem os bullets hoje em dia  de R$ 30.  Se conheça primeiro, vê se você vai gostar da sensação da vibração, nem todo mundo gosta né. A gente quer cativar e cultivar o cliente, que fique com a gente anos e anos, fale bem da gente para as amigas… Então, quando um cliente entra na minha loja, quero saber da vida dele, a razão de vir atrás de um vibrador. Vendedor de Sex Shop vira muito psicóloga. Os clientes que tem mais vergonha, são mais fechados, é conversando. Ele vai ter que entrar na loja, não tem jeito. Ou me procurar nas redes sociais e quebrar esse preconceito, essa vergonha, esse tabu e tentar criar esse laço de cliente com a gente. O que falo, aqui o negócio é humano! E tem que ser, porque quando o vibrador quebra eu troco. Vendo prazer, não vendo raiva, não posso te vender um produto e o produto quebrar, tenho essa flexibilidade. Na hora que ela está ali se masturbando, usando meus produtos, ela tem que sentir todo prazer. Então tento quebrar um pouco dessa vergonha, falo com todos os clientes ‘se você não se abrir, não vou conseguir te ajudar’. O negócio é deixar o cliente à vontade, tem que entrar na loja, tem que conversar e logico, você serve um café, uma água… Quando vê, já estão conversando, contando até da vida passada”.

Como é a sua visão da empresa diante a pandemia do novo coronavírus?

“Minha visão da empresa nesta pandemia e até em um todo, primeiro que as vendas virtuais aumentaram muito, disso não posso reclamar no momento. As pessoas estão muito aberta para se conhecer, muita coisa vai mudar, algumas pessoas, não no geral, mas acho que muita gente vai vir com uma outra visão de tudo isso, e acho que a minha empresa nesta pandemia cresceu muito graças a Deus. Tanto na loja física, quanto na virtual. Nesse meio tempo, a gente conseguiu desenvolver franquia, não ficamos parado, mostramos que viemos para ficar. Todos os dias mostrando a marca, não deixando a marca morrer e bola para frente. Falo sempre, a pandemia trouxe um olhar diferente e o que mais a gente tem agora é tempo. A cabeça tá livre para pensar, então vamos pensar em coisas boas, em como crescer, como superar essa crise, para quando tudo isso passar, a gente já tenha uma empresa marcante no mercado. Quando isso tudo passar, estar mais forte. Lançamos muitos produtos na quarentena, muita coisa. Não ficamos parados, muita coisa boa a gente plantou e estamos colhendo”.

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Que dica você daria para inovação das empresas durante o isolamento social?

“A dica que dou para muitos Sex Shop que me seguem e muitos vieram me perguntar: ‘Como você está vendendo? O que você está fazendo?’, foi o que acabei de falar na pergunta 7, não deixar sua marca morrer. Falo isso para todo mundo, tem dia que você vai amanhecer mais tristinha, lógico, sentimos tudo isso que está acontecendo… Mas o seu público não tem que saber disso, você tem que estar sempre bem para seu público. Você ficar triste, abatida, deprimida, é o que vai acabar passando para eles. Você vende o que passa ao público, e graças a Deus, uma coisa que não sou, não consigo ficar é chorando. Lógico, tem dia que estou afim de ir para minha casa, ficar no meu quarto aqui sozinha e acabou, mas normalmente não, gosto de estar bem todo dia, agradecendo por não ter pego essa doença… E falo para todo mundo que me segue que tem lojas, às vezes nem loja igual a minha, nem é Sex Shop, é outro ramo, mas falo: não deixa sua marca morrer. Acho que agora é hora de mostrar, a empresa tem que estar renovando. Essa crise está fazendo a gente se renovar todos os dias, se reinventar. E todos os dias você tem que se reinventar, e hoje em dia temos as redes sociais, isso ajuda muito, tem as loja virtual… Graças a Deus como acabei de falar, lançamos uma franquia no meio de uma quarentena, hoje já estamos com quase quatro lojas vendida no meio de uma quarentena! Não pode deixar a peteca cair, de jeito nenhum”.

Falando em dicas, que ‘toque’ você daria para os casais que muitas vezes entram em uma monotonia, poderem aquecer mais a chama do relacionamento?

“Primeira coisa que falo é o seguinte: Sex Shop não salva casamento! Acho que você não pode deixar a relação cair na monotonia, todo mundo acha que se o casamento tá ruim, às vezes você não ama mais a pessoa e vai no Sex Shop ou vai no Motel… Não, isso não vai fazer salvar o casamento, essa chama tem que ser mantida acessa todo dia. Lógico que existe rotina, é uma coisa chata, mas existe. Gosto de perguntar sempre quando vem casal ou quando vem uma mulher sozinha e fala que está querendo renovar, fazer coisas diferentes com o marido, pergunto: ‘Você ainda o ama?’. Se ama, tudo é válido, agora se não, e está fazendo isso por ter algum interesse de manter uma relação por causa da sociedade ou por causa de filhos e familiares, então não vai adiantar. Não posso vender um produto e essa pessoa falar mal e dizer que não adiantou nada, não adiantou por você não estar bem. Não adianta me procurar depois que o barco afundou, não adianta procurar Sex Shop. Então a dica que eu dou é:  faz o que tiver que fazer enquanto ama, enquanto ainda tem a chama da paixão. Aí meu amor, qualquer produto que levar vai ser garantido. É abusar da sensualidade… É o que falei lá em cima para você, Sex Shop não é só pênis, hoje em dia tem umas lingeries lindas, calcinhas maravilhosas, óleos e as velas que saíram agora, você acende, joga no corpo a base de feromônio e te dá uma sensação tão boa, uma calmaria gostosa… Já mexe com sentidos sabe, coloca um som legal, vai beijando, fazendo um sexo oral, tudo isso ajuda muito”.

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