Conheça um pouco mais sobre Aline Ghezzi, dubladora que contagia com sua alegria e dedicação

Reprodução/Instagram

Carioca, Aline Ghezzi é puro talento! Tendo entrado na área da dublagem nos anos 90, a mãe do Yohann tem em seu currículo, ótimas dublagens como: Ariel Eberhart em Grimm; Meredith Quill em Guardiões da Galáxia; Ella Montgomery da série Pretty Little Liars; Edith Prior de Insurgente; Sherrie do filme Universidade Monstros; Laura Barton dos Vingadores: Ultimato; Dra. McElroy em Supernatural; Rebecca Reid do filme O Cavaleiro Solitário; entre outros.

Olá Aline, tudo bem? Primeiramente, gostaria de agradecer o carinho por ter aceitado participar desta entrevista. Como nasceu o amor pela dublagem? Conte um pouco sobre o seu início na área.

“Eu que agradeço o convite! É sempre um prazer falar um pouco sobre a minha profissão, principalmente com pessoas que valorizam a boa dublagem. Aos 20 anos, comecei a cantar profissionalmente, em um estúdio de jingles, aqueles comerciais cantados. E, em 1984, existiam estúdios de gravação de jingles e spots (comerciais falados). Sempre AMEI cantar! E cantei até o final dos anos 90, quando um amigo me chamou pra fazer um teste na Herbert Richers, para uma canção. Passei e comecei a cantar na dublagem, imitando vozes e fazendo tipos. Foi aí que eu me apaixonei pela dublagem! A possibilidade de ‘brincar’ com a voz me deixou fascinada. Em 1999, surgiu um teste para uma novela, ‘O Diário de Daniela’, fui indicada pra fazer o teste, pra dublar e cantar, e passei. Aí, eu comecei oficialmente a minha estrada”.

Você dubla tanto crianças, quanto adultos. Qual a diferença de preparação de um e outro?

“Hoje em dia, crianças dublam crianças. Quando comecei, já havia esse movimento, o que é maravilhoso em todos os sentidos, pois quando você aprende a dublar novinho, acho que o processo é muito mais natural. Às vezes, em uma canção ou desenho, ainda faço voz infantil, mas é muito raro. A preparação é basicamente a mesma, apenas a região da colocação de voz é diferente. O mesmo acontece quando você vai dublar um personagem mais velho, a colocação da voz requer uma técnica específica, a fim de não prejudicar as cordas vocais”.

Particulamente, amo suas dublagens dando ênfase na Sherri Squibbles e Ella Montgomery que são as minhas favoritas. Tem algum personagem que você considere o mais especial? E tem algum que você ainda não dublou, mas sonha um dia dar voz?

“Se eu disser que AMO cada um deles, você vai achar exagero? (risos). Porque eu AMO. Cada personagem tem sua magia, traz um desafio, mexe com alguma memória afetiva, seja boa ou ruim. Eu adoro dublar desenho! Você pode brincar mais, ficar mais solto. De todos os trabalhos, o papel mais marcante pra mim foi a Lety, da Feia mais Bela. Foi uma novela de 300 episódios, com Direção de Dublagem das maravilhosas Miriam Ficher e Adriana Torres. Eu aprendi MUITO com elas. Um elenco espetacular! O astral era sempre bom durante as gravações. Todo mundo deu o seu melhor durante todo o processo. Ali, eu realmente entendi o que é dublar. Cada pessoa tem um tempo para que isso aconteça. A Lety é especial e sempre ocupará um lugar especial no meu coração. Quanto à personagens que eu gostaria de dublar, não tenho um ideal. Recebo o que os diretores me confiam, sempre com muita gratidão. Temos tantos profissionais maravilhosos na dublagem! Se o diretor viu aquele personagem e lembrou de mim, já é um presente! Agradeço, de coração, por cada oportunidade”.

Uma curiosidade: em algumas séries ocorre de um mesmo dublador dar voz a vários personagens em diferentes episódios. Você já foi questionada por isto? Como é o processo, chega a fazer alguma mudança mesmo que um pouco para tentar diferenciar um personagem do outro?

“Existem algumas regras na profissão. Quando um dublador é escalado, ele pode fazer dobras, isto é, alguns personagens, nesta uma hora de dublagem. Então, eu posso, em uma mesma chamada dublar: Amy/Mulher 1/Mãe da Sarah. E se eu não tiver fixos na série, posso ser chamada para vários personagens em diferentes episódios. A partir do momento em que o personagem vira fixo, isto é, compõe o elenco fixo da série, eu não posso mais fazer outra coisa na série, só este personagem. Espero que dê pra entender a explicação”.

Apesar de tudo que tem ocorrido em 2020, devemos permanecer confiantes que tudo irá passar. Você tem alguma meta para quando tudo voltar ao normal? E como foi e tem sido se adaptar a dublagem com o isolamento social?

“Trabalhar (risos). Sei que essa pandemia mexeu com todo mundo, não está sendo fácil. Ninguém esperava passar por isso, ms estamos nos adaptando, na medida do possível. Os estúdios adotaram protocolos de segurança. Já dublamos separados há muito tempo, quando chegamos, medem nossa temperatura. Higienizamos as solas dos sapatos, em tapetes especiais, temos um kit para ser usado ao entrarmos nas empresas (luvas, pantufas, toucas), álcool em gel à disposição. Entre um dublador e outro, ligam a lâmpada UV para desinfecção do estúdio. Alguns clientes estão pedindo gravação de Home Studio. Alguns colegas se sentem mais seguros. Acho que a lição disso tudo, deveria ser o respeito às necessidades de cada um. Eu posso me sentir segura indo aos estúdios, enquanto o meu colega só se sente seguro em casa. Isso TEM de ser respeitado. Que possamos exercer mais a nossa empatia, daqui pra frente”.

Reprodução/Instagram
Na rua, as pessoas reconhecem sua voz? Como é o convívio com esses admiradores do seu trabalho?

“Às vezes, reconhecem. É muito gratificante! Mas não me preocupo com isso, porque passei 15 anos escondida em estúdios, gravando jingles, então, quando cheguei na Dublagem, estava acostumada com o anonimato. Atualmente é que estamos aparecendo nas redes sociais. As coisas mudaram. É muito bom saber que alguém reconhece o seu trabalho e gosta do que você faz. É um presente pra mim!”.

Já se arrependeu de dar voz a algum personagem? E se pudesse voltar a dar a voz para alguém, quem seria?

“Me arrepender, não. Posso achar que um determinado personagem não era pra mim, mas confio no critério do Diretor de Dublagem. Se pudesse, dublaria novamente a Lety, a Penelope Garcia e a Sona, do LOL. AMO demais!”.

Que tipo de dica você daria para quem está iniciando na carreira ?

“Se você está começando, seja humilde. Não chegue achando que já sabe tudo e que tem que pegar grandes papéis. Tudo tem seu tempo certo. Respeite quem está há mais tempo na profissão. Observe para aprender com os veteranos. A profissão existe porque eles lutaram para isso. Tenho visto tantos novatos equivocados… Acham que dublar é uma grande brincadeira. Muito triste, isso. Não basta ter talento, tem que ter postura, caráter. Tem que ter seriedade e profissionalismo. Acima de tudo, AMOR pela profissão”.

No passado, via muitas pessoas criticando o trabalho de dublagem sem mesmo ver o quão incrível e mágico é essa profissão. Você acredita que esse preconceito  tem diminuído com o tempo? As pessoas estão aprendendo mais sobre o que é ser um dublador?

“O preconceito ainda existe, assim como existem pessoas que nos valorizam e prestigiam. Infelizmente, acontecem coisas nos bastidores, como a dublagem de péssima qualidade, feita de qualquer forma, por pessoas despreparadas, que só prejudicam os bons profissionais e as empresas sérias. Além do trabalho ficar com péssima qualidade, essas pessoas, que estão brincando de dublar, contribuem para que o preconceito só aumente. É a mesma coisa que eu montar um consultório, sem nunca ter estudado medicina. Ou fazer um projeto, sem nunca ter estudado arquitetura. Só a força dos fãs pode combater isso. EXIJAM DUBLAGEM DE QUALIDADE! Ajudem a gente!”.

Deixe uma mensagem ao público.

“A única coisa que me vem à mente é: OBRIGADA! Obrigada pelo carinho! Obrigada por darem sentido à nossa profissão. Sem vocês, nada disso seria possível. Beijos para cada um de vocês! Muito obrigada mesmo, pela oportunidade de falar um pouquinho sobre essa profissão que eu AMO!”.

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