Amizades se reinventam em tempos de pandemia

Gêmeas Carina e Lara Bubniak organizaram festa do pijama virtual com amigos da escola | Arquivo pessoal

A revisão de 148 estudos feita nos Estados Unidos por especialistas da Brigham Young University e da Universidade da Carolina do Norte mostrou que pessoas com amizades sólidas tinham 50% mais chances de sobrevivência. Mais que isso: os autores concluíram que os efeitos da falta de amigos são comparáveis aos problemas provocados pela obesidade, pelo abuso de álcool e pelo consumo de 15 cigarros por dia. As amizades também são fundamentais para nossa saúde mental. Por toda essa importância, o Dia do Amigo é celebrado em 20 de julho.

Nestes tempos de distanciamento social as amizades estão se reinventando, com novas formas de interação entre amigos. A especialista em desenvolvimento humano, Karina Duarte, é um exemplo disso e sempre faz chamadas de vídeos com amigos. “De uma maneira geral, as pessoas perceberam que apenas mensagens não seria o suficiente para atravessar esse momento, então investiram nas chamadas de vídeos. Eu mesma indiquei isso para muitas pessoas. Somos seres sociais, precisamos socializar”, salienta.

Ela destaca também que quando a amizade é verdadeira não se balança com a distância. “Recentemente fiz uma chamada com duas amigas aqui de Goiânia e uma que está na Austrália e foi ótimo! Ficamos mais de duas horas conversando. E tem que ter uma certa organização, afinal mulheres falam muito”, brinca Karina, que também ressalta a interação com familiares mais velhos, a qual para ela deve perdurar mais após a pandemia. “O meu pai tinha feito um molho de tomate para mim, então fiz uma chamada de vídeo com ele, mostrando que estava cozinhando com o molho e ele adorou. É uma forma de dar atenção e carinho para todos”, ressalta.

Suporte
A psicóloga Ana Lídia Agel, que possui um consultório no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, revela que a psicologia vê a amizade como um suporte social de apoio para a saúde emocional. “É importante ter com quem contar, confiar e compartilhar e temos recursos para manter esses vínculos com frequência. Estamos quase que presencialmente, mas por vídeo. O excesso de tecnologia que até pouco tempo era muito criticado hoje virou o maior benefício para fortalecer os vínculos”, destaca ela.

Com 15 anos de profissão, Ana Lídia percebe também um outro aspecto do momento. “Neste ano atípico, é preciso lembrar que temos uma oportunidade de estar bem conosco mesmo, ser nosso próprio amigo em primeiro lugar. Muitas vezes as pessoas só se sentem valorizadas quando estão com alguém, mas devemos aproveitar nossa companhia. Quando se está bem consigo conseguimos ser melhor para os outros”, pontua. “As pessoas têm uma dependência do social, buscam esse contato virtual sim, mas a amizade precisa ser algo saudável, que não gere dependência”, explica.

Crianças e jovens
Entre os mais novos essa interação também está mais constante e realizam até tradicionais costumes virtualmente. As irmãs gêmeas Carina e Lara Bubniak, de 11 anos, organizaram uma festa do pijama virtual entre seus amigos. “A festa começou por volta de oito da noite e não tinha hora pra terminar. A gente conversou, jogou vários jogos e assistiu um filme muito engraçado. Cada um fez pipoca em sua casa para comer enquanto via o filme. Foi bem divertido, acho que acabou era umas três horas da manhã”, conta Carina sobre a festa, que teve a participação de oito amigos.

As irmãs também jogam online com os amigos da escola e estão fazendo amizades com os colegas destes. “Um jogo que gostamos muito é um que temos que construir casas e para brincarmos todos juntos precisamos entrar no mesmo servidor. Então sempre convido meu primo e assim ele está conhecendo nossos amigos, que também convidam outras crianças que eles conhecem e assim estamos fazendo novas amizades”, explica Lara sobre as interações realizadas. As irmãs, inclusive, reforçaram vínculo com uma colega com quem estudavam e precisou se mudar para o Maranhão.

Para a psicóloga Ana Lídia Agel, as crianças sofreram muito com o distanciamento social, pois precisaram ficar longe da escola, dos amigos, dos esportes e dos avós. “As aulas onlines trouxeram um pouco de alento para elas, pois só de ver a carinha dos colegas muitas se alegram. Elas entraram mais no mundo virtual também, o que às vezes pode ser perigoso, pois nem todas tem maturidade. Os pais devem manter o equilíbrio com horário para o uso das redes sociais e incentivar outras fontes de distração, como músicas, filmes e livros”, ressalta.

Quanto aos adolescentes, a especialista também reforça a importância dos amigos. “O adolescente tem mais círculo de amizades e, inclusive, tem uma fase que valorizam mais os amigos que a família. Então a interação virtual para eles são essenciais”, afirma. No entanto, Ana Lídia destaca um ponto a ser trabalhado neste momento. “Muitas vezes nos distanciamos de quem está perto e priorizamos quem está longe, mas é preciso saber dosar. Tivemos que conviver apenas com a família e entre os familiares também precisamos nos tornar amigos”, finaliza. 

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