Enquanto a piscina de Hawkins está fechada, conheça Isabella Simi, nosso anjo de combate

Isabella teve como sua primeira professora de dublagem a Maíra Góes, voz da Dory de Procurando Nemo | Reprodução/Instagram

Completando 8 anos de carreira este ano, Isabella Simi carrega em sua bagagem ótimas dublagens como por exemplo a Alita do filme Alita – Anjo de Combate que lhe rendeu sua primeira protagonista.

Ela que vem conquistando o publico, fez seu primeiro curso aos 15 anos e hoje já tem nomes como: Ichigo de DARLING in the FRANXX; Maggie do filme Ma; Heather da série Stranger Things; Ruby Bisme-Lyons de Years And Years; Jordan em Izombie; Selina em A Primeira Noite de Crime; Sadie no filme Era Uma Vez… em Hollywood; Daniella “Dani” Ramos de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio; entre outros filmes, séries e animações.

Em entrevista, ela conta um pouco sobre seu início na dublagem e temas importantes para quem tem o interesse em entrar na área ou é apenas um apaixonado por essa profissão tão linda que é a de um dublador.

Olá Isabella, muito obrigada por aceitar a entrevista. Você já dublou vários personagens incríveis. Como foi seu início na carreira?

“Oi, Andrezza. Muito obrigada por você me receber aqui, fiquei muito feliz com o convite. Eu sou atriz desde os 6 anos de idade e sempre fui muito ligada às artes: teatro, cinema, música, desenho… Quando fiz 15 anos, acabei encontrando um curso de dublagem para crianças no Beck Studios e a professora era a dubladora Maíra Góes, voz da Dory de Procurando Nemo. Ela me recebeu no estúdio e já fiquei apaixonada só de ouvir a voz dela. A partir daí, comecei a estudar e me dedicar muito e, com todo o apoio da Maíra, conquistei meus primeiros trabalhos. A minha primeira dublagem foi uma menina chamada Tina no filme ‘Sam, meu amigo mágico’. Lembro até hoje da sensação de felicidade ao saber que ia dublar profissionalmente e ainda lembro que a Maíra disse: ‘É a única menina do filme, hein?’. Aí já percebi que dublar era divertido, mas também uma responsabilidade, um trabalho muito sério. Depois disso, fiz outro curso com a Maíra (mas na turma de adultos), um com o Luiz Carlos Persy e outro com o Ronaldo Júlio. Aos poucos, fui começando a dublar em outros estúdios e a fazer personagens maiores. Esse ano completo 8 anos de profissão com muita alegria e muitos motivos pra agradecer”.

Já ouvi falar que dublar com áudio original em japonês é bem mais difícil do que o que está em inglês. Qual a sua opinião sobre? E qual é a sua maior dificuldade em uma dublagem?

“Dublar produções originais em japonês é mais difícil mesmo. Primeiro porque a gente geralmente não tem muita referência da língua, então é preciso muito mais atenção pra entender onde está cada parte do texto. Segundo porque o japonês tem tempos, inflexões, pausas e intenções muito diferentes das que utilizamos no português. Portanto, é crucial que haja uma boa adaptação pra que fique natural. Isso é um trabalho conjunto de tradutor, diretor e ator. Pra mim, a maior dificuldade de dublar tem mais a ver com o tipo de personagem que você faz. O que é desafiador é quando fazemos personagens que, de alguma forma, nos tiram da zona de conforto. Ou porque são muito dramáticos, ou muito engraçados com um tempo de comédia muito específico; ou quando tem alguma característica única no jeito de falar, uma personalidade complexa… mas isso é maravilhoso, eu amo desafios. Amo essa variedade de personagens que podemos interpretar na dublagem”.

Você já dublou personagens como Ichigo em Darling in the Franxx; Maggie do filme Ma; Alix em Miraculous: As aventuras de Ladybug; Jordan na série Izombie; entre outros. Tem algum personagem que você considera o mais especial?

“Posso destacar uma personagem que marcou minha trajetória de uma maneira muito especial: a Alita, de Alita – Anjo de Combate. Ela foi a minha primeira protagonista de cinema, o que é uma responsabilidade grande, já que a visibilidade de produções cinematográficas tende a ser maior. Fora que você geralmente grava com um supervisor enviado pelo cliente, então tem uma pressão extra. Mas foi justamente isso que me fez crescer demais como atriz e dubladora. Era uma personagem cheia de nuances de interpretação em um filme megaprodução. Fiz teste pra ela, estudei os mangás e a história antes de gravar… esse processo foi um divisor de águas. Além do crescimento do meu trabalho, tive respostas muito positivas do público e dos meus colegas da dublagem, o que me deu gás para enfrentar novos desafios”.

Na série Stranger Things, você dubla a personagem Heather. Como tem sido participar dessa série que tem sido tão bem recebida pelo público? O que você espera para sua personagem no futuro?

“A Heather foi um grande presente. Às vezes, acontece de chegarmos pra dublar uma série da qual já éramos fãs antes e isso é muito legal. Foi o caso de Stranger Things. Muitos fãs e fã-clubes de Stranger Things me mandam mensagem sobre a minha personagem e eu fico muito feliz com isso. Quando a gente faz algo que se torna tão popular, a recepção acaba sendo bem mais calorosa. Agradeço muito por ter tido essa oportunidade. Vou guardar pra sempre na memória o momento em que entrei no estúdio e descobri que teria uma personagem nessa série. Mesmo tomando vários spoilers (risos), foi mágico e emocionante. Ainda que o final da Heather na terceira temporada tenha sido triste e misterioso, eu tenho esperança de que ela apareça na próxima, pelo menos em flashback (risos). Stranger Things sempre pode surpreender, então não dá pra descartar nada”.

Qual dica você daria para alguém que quisesse entrar na área?

“Acho que o que eu posso dizer pra quem quer começar é: invista numa boa formação como ator, tenha humildade, bom senso e muita paciência. Aproveite todas as ferramentas de interpretação que você puder aprender a usar, estude muito, leia, seja muito observador, repare nas pessoas e suas diferentes personalidades, os jeitos de falar; absorva o máximo de conhecimento cultural porque tudo pode ser conteúdo útil pra você dar vida aos personagens e ter um bom entendimento das cenas. A dublagem é realmente um trabalho encantador, mas tenha em mente que continua sendo um trabalho, não fique deslumbrado. É muito importante ter postura, não querer pular etapas, estar aberto a ouvir conselhos e críticas construtivas, respeitar as regras e acordos feitos pela categoria e ter MUITA paciência. Dificilmente a gente pega personagens grandes nos primeiros anos de dublagem, pois dublar um personagem maior requer uma técnica que você só aprende com a experiência. Portanto, o que eu sugiro sempre e sempre busco fazer: aproveitar cada oportunidade com dedicação e fazer cada trabalho com o mesmo empenho. Nunca achar que está totalmente pronto. Todos nós temos sempre alguma coisa nova pra aprender”.

Em Alita: Anjo de Combate, você dubla a protagonista. Como foi dublar a Rosa Salazar?

“Foi muito especial. A Alita é uma heroína e eu amo personagens femininas fortes. Sempre dá gosto de fazer, principalmente num filme tão bem feito como esse. Dublando a Rosa Salazar nesse papel, eu pude viajar por diversas emoções: desde inocência, passando por raiva, tristeza, determinação, até as cenas mais intensas de ação e luta. Um prato cheio pra qualquer atriz”.

Como tem sido viver na quarentena?

“Difícil. Pra todo mundo tá sendo, né? Infelizmente às vezes bate aquela ansiedade, aquela falta de esperança, principalmente vendo a situação em que nosso país se encontra, com tantos infectados, tantas mortes e mesmo assim muito descaso do governo e de parte da população. É triste demais, mas eu me agarro no meu trabalho, nas artes, nas relações (online, claro) com os amigos e família. Estou em casa, me cuidando e trabalhando apenas de home studio. Optei por me resguardar e proteger minha família e as outras pessoas. Sinto muita falta da rotina normal, claro, mas nesse momento o que mais importa é a saúde de todos nós. Mesmo com todas as dificuldades, tenho fé de que vamos superar isso”.

Deixe uma mensagem ao público.

“Ao público, eu só tenho a agradecer. Muito obrigada a todos que acompanham meu trabalho, me mandam tantas mensagens carinhosas e torcem por mim. Isso dá muito mais sentido ao que eu faço e me incentiva a melhorar cada dia mais. Muito obrigada! Se cuidem e tenham esperança!”.

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