“Um mundo novo só depende de nós”, Chico Teixeira lança gravações de clássicos

Foto por: Tiago Queiroz

O paulista Chico Teixeira, vem lançando gravações de clássicos da música brasileira. Ele queria ter inserido as canções em seu recém-lançado álbum “Ciranda de Destinos”, mas acabou não o fazendo.

A primeira a ser lançada foi “Não Aprendi a Dizer Adeus”, de Joel Marques, seguida de “Triste Berrante”, Adauto Santos. As próximas músicas são “Luar do Sertão”, João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense; e “Romaria”, de Renato Teixeira. E, como bônus, lançará também “Samba em Prelúdio”, Vinicius de Morais e Baden Powell, em que Chico divide o vocal com a cantora e compositora da MPB Anna Setton.

Em entrevista exclusiva a Andrezza Barros, Chico contou um pouco mais sobre como foi as escolhas das músicas, seu início na carreira e o quanto mudou desde que começou a cantar. Confira:

Olá Chico, é um prazer tê-lo aqui no site, obrigada por ceder seu tempo. Você tem lançado em seus canais gravações de clássicos da música brasileira, como por exemplo, “Não Aprendi a Dizer Adeus”, de Joel Marques. De que forma fez a escolha dessas músicas? São músicas que te inspiram?

“O prazer é todo meu, já venho fazendo algumas releituras há um tempo, nos shows e nos discos. É importante conhecermos a história de cada música e dos compositores, é o que me conduz nessa viagem de aprendizado, muita pesquisa e descoberta. Procuro cantar as músicas com que me identifico e em que vejo mensagens que acrescentem ao público. Sem dúvidas são músicas que me inspiram e estão ligadas à minha trajetória”.

Sendo da sexta geração de músicos da família Teixeira, existe alguma ‘pressão’ familiar ou ser cantor sempre foi algo que sonhou ?

“Acho que existe uma pressão genética, estar em busca de objetivos sonoros, atingir uma qualidade musical para passar pelo controle de qualidade familiar. Acho que nesse caso, é uma busca pela minha própria identidade. Mas não vejo como pressão o fato de ser filho de um cara muito importante na história da música brasileira. Meu pai, Renato Teixeira, foi o primeiro a seguir uma carreira profissional na família, hoje ele é um poeta consagrado. Como ele mesmo diz, ‘cada um de nós compõe a sua própria história’. Não foi bem uma escolha minha, acho que a música é que escolhe a gente”

Sua primeira participação musical registrada em CD foi em 1996, no álbum “Aguaraterra”. Como foi cantar ao lado de Xangai e seu pai Renato Teixeira?

“Xangai é meu padrinho, uma das vozes mais bonitas da música brasileira. Eu era muito jovem, tinha apenas 16 anos e foi sem dúvida um momento inesquecível cantar ao lado de meu pai e de meu padrinho. Lembro de tremer muito na hora, ainda assim fiz um solo de violão. Guardo com muito carinho esse meu primeiro contato com o ambiente fonográfico, esse disco é lindo, pena que a gravadora se afundou e o disco se tornou raro”.

Qual a diferença entre o Chico Teixeira de 2002 onde acabava de iniciar sua carreira com um álbum, com o de 2020?

“Muita diferença, era ainda muito jovem, estava tateando meu espaço no universo e, de lá pra cá, vivi muitas coisas. Viajei por todo o Brasil, estive em todos os estados, acompanhei meu pai como ‘Side Man’ durante 15 anos, foram milhares de shows e muitos discos. Criei muitas canções nesse período todo e gravei alguns discos com músicas minhas, autorais. Hoje ainda enxergo o jovem que existia em mim nesse primeiro disco. Gravei escondido de todo mundo e com o dinheiro que ganhava tocando em barzinho e trabalhando na produção dos shows de meu pai, onde também conseguia levantar um dinheirinho. O que pude fazer foi gravar praticamente sozinho,  o investimento tinha que ser viável dentro das limitações que eu tinha na época”.

Além das músicas que serão lançadas até julho, existe algum outro projeto para o final do ano?

“Quero gravar um disco em parceria com Renato, ‘De Pai Pra Filho’, contando a história musical dos Teixeiras. Trabalhamos em cima desse projeto há um bom tempo já, há mais de uma década. Vou gravar também um disco de samba caipira e um disco com músicas autorais. A gente ainda fala disco, mas hoje as possibilidades são infinitas. Mas eu sigo gostando da ideia de ter um repertório interligado que juntos contam uma história”.

Nos conte um pouco sobre quem é Chico Teixeira.

“Sou um operário da música brasileira. Música é uma necessidade para mim, é como a necessidade de respirar. Seja compondo ou interpretando outros autores, eu gosto é disso. Sou viciado na estrada também, e isso tem feito muita falta pra mim neste momento de isolamento social necessário. Eu nasci em São Paulo, na capital. Quando completei quatro anos, nos mudamos para a Serra da Cantareira. Sinto que eu sou do interior mesmo, bem tranquilão mas muito focado. Prometi cuidar bem da música para que ela cuide bem de mim também”.

 Deixe uma mensagem ao público.

“Gente, vamos ter fé e foco! Um mundo novo só depende de nós, das nossas atitudes, através de muita união, solidariedade e empenho! É neste momento difícil em que mais percebemos a necessidade da arte para caminharmos de forma saudável”.

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